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Como é a rotina de Candance Bushnell, a Carrie Bradshaw da vida real

Dos cães à escrita, esta é a vida da jornalista que inventou a coluna "Sex and the City", aquela que viria dar origem ao livro e à série mais popular dos anos 90.

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Passados mais de 20 anos desde a publicação que lhe trouxe o sucesso, a Carrie Bradshaw da vida real, hoje com 60, prepara-se para publicar um novo romance, onde, logo no título, lança a questão: “Is There Still Sex in the City” (“Ainda há Sexo na Cidade”?)

Michelle V. Agins/The New York Times

Passados mais de 20 anos desde a publicação que lhe trouxe o sucesso, a Carrie Bradshaw da vida real, hoje com 60, prepara-se para publicar um novo romance, onde, logo no título, lança a questão: “Is There Still Sex in the City” (“Ainda há Sexo na Cidade”?)

Michelle V. Agins/The New York Times

Entender o percurso de Candance Bushnell, jornalista, escritora, e a Carrie Bradshaw da vida real, é compreender a narrativa por detrás de “Sexo e a Cidade”.  Publicado em 1997 (reeditado em 2001, 2006 e 2008), esta coleção de ensaios, publicados numa coluna do New York Observer, era baseada nas suas vivências na cidade de Nova Iorque, para onde foi viver aos 19 anos, em 1978. É assim que, mais tarde, nasce a série da HBO com o mesmo nome, aquela que apresentou ao mundo o mais famoso e icónico quarteto de mulheres dos anos 90.

Em 2012, depois de um divórcio, Bushnell volta para Connecticut, a sua terra natal, onde permaneceu durante vários anos, até regressar à grande metrópole dos Estados Unidos. É lá que hoje vive num T1, em Upper East Side, acompanhada dos seus dois cães Pepper e Prancer.

Passados mais de 20 anos desde a publicação que lhe trouxe o sucesso, a Carrie Bradshaw da vida real, hoje com 60, prepara-se para publicar um novo romance, onde, logo no título, lança a questão: “Is There Still Sex in the City” (“Ainda há Sexo na Cidade”?). De acordo com o que disse ao “The New York Times”, jornal americano que foi explorar a rotina diária da autora, a resposta é “sim”.

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Tudo começa com os cães 

“Acordo às 7:30 sem alarme, penso no dia e no que tenho que fazer, enquanto brinco com os cães que dormem comigo. Tenho que tirá-los de casa às 8 horas. Passo os 45 minutos seguintes no parque. O Ramble é ótimo, pois tem muitos caminhos, o que pode ser complicado, já que os cães querem caçar esquilos.”

Chá, notícias e as últimas do Twitter

“Volto para casa às 9h. Faço chá Earl Grey, não tomo café porque me excita, e leio o ‘The Times’, o ‘The Daily Mail’, o ‘The Post’ e o ‘Slate’ ou ‘Salon’ online. Percorro o Twitter para ver qual é a última manchete terrível. Isto pode durar cerca de 30 minutos a duas horas. Eu leio todo tipo de história, desde política a qualquer tema científico, até algo sobre um novo tratamento de beleza.”

É hora do exercício. Treinar no trampolim

“Eu tenho um mini trampolim, um teto com 10 pés de altura e, por isso, pulo durante 30 minutos [no trampolim]. Criei a minha própria rotina, que inclui alongamentos, ioga e ginástica. Não sei se estou a fazer bem. Há cinco anos, caí de um cavalo e rachei a minha pélvis. Eles [os médicos] deram-me exercícios para fazer, que eu acrescento a esta sequência, durante 30 minutos também.”

Embarcar no processo criativo

“Às 11 horas, começo a escrever durante uma hora. Sou criativa e resolvo problemas. Faço pequenos vídeos e músicas no GarageBand. É bom para o seu cérebro. Quando voltei para Connecticut, escrevi muito e ganhei muita confiança em mim. Aprendi a sentar-me e a ficar comigo mesma sem precisar de distrações. Isto dá-me muita força.”

"À medida que fui envelhecendo, tornei-me mais solitária. Esta rotina não é a que eu tinha há 20 anos. Eu não me teria exercitado, eu teria tomado um brunch com os amigos", revela

Michelle V. Agins/The New York Times

Soltar os males, sem gritar

“Ando pelo meu apartamento e escrevo ensaios mentais sobre problemas do mundo como mudanças climáticas, política ou aborto. Tudo é tão perturbador e frustrante, que me inspira a escrever. O ensaio escrito mental é reconfortante. Por dentro estou a gritar. Não podemos andar aos gritos, temos de encontrar uma maneira de processar todas estas informações e continuar o dia. Durante esse período, tomo banho e arranjo-me, como diria minha mãe. Em Upper East Side, há pressão para parecer de uma certa maneira.”

Ir para a rua: tarefas por cumprir e lazer

“Ando com os cães novamente e completo uma série de tarefas depois:  ir à farmácia, ir à Duane Reade para toalhas de papel e ganchos para as fotos que ainda não coloquei, deixar roupa na lavandaria para lavar a seco e talvez ir a Valery Joseph [salão de cabeleireiro]. O meu namorado é membro do Town Tennis e, se ele estiver na cidade, vamos lá. Às vezes vou a uma matinê. Eu já vi o espetáculo da Cher três vezes.

Comer, ler emails e voltar aos cães

“Não como até as 4. Vou até à Marche Madison ou à E.A.T. e agarro numa sanduíche de salame e queijo. Alimento os cães. Converso com amigos, recebo emails e levo os cães à rua novamente. Não é incomum dar 16.000 ou 17.000 passos por dia.”

A mudança

“À medida que fui envelhecendo, tornei-me mais solitária. Esta rotina não é a que eu tinha há 20 anos. Eu não me teria exercitado, eu teria tomado um brunch com os amigos. Houve uma mudança a meio dos anos 50 em que fiz muitas alterações. Há menos necessidades. Eu sinto-me mais resolvida. Oiço a minha própria voz, em vez de ouvir a de todos os outros.

O final do dia

“Leio um romance a comer M&M de amendoim, que acho reconfortante antes de dormir, por volta das 23h. Acabei de terminar ‘Queenie’ de Candice Carty-Williams e ‘Fleishman Is in Trouble’ de Taffy Brodesser-Akner. A televisão é realmente um ruído de fundo. Eu não leio num Kindle, portanto se eu cair no sono, ele [o livro] cai no meu rosto. Apagar a luz é o truque — por isso, eu não acordo às 3 da manhã com a televisão ligada e M&Ms de amendoim manchados na cama.”

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