Numa noite pouco memorável, sem momentos polémicos e sem humor, os Globos de Ouro ficaram marcados por discursos e por tomadas de posição. O Coliseu dos Recreios, em Lisboa, encheu-se este domingo, 29 de setembro, para premiar algumas das figuras mais ilustres da televisão, do cinema, da música e do teatro e, sem grande surpresa, um dos prémios foi atribuído a Cristina Ferreira na categoria de Personalidade do Ano de Entretenimento.

No seu discurso, falou no gosto de poder fazer boa televisão numa casa onde agora é “muito feliz” e onde pode dar ao público aquilo que “lhe é devido”. “E isso faço desde o primeiro minuto”, garantiu antes de virar costas e mostrar a figura de Fátima bordada nos vestido branco.

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Mas houve ainda o momento de Bárbara Guimarães que, atualmente a lutar contra o cancro da mama, mostrou-se esperançosa e agradeceu o apoio de todos os amigos e colegas.

“A esperança é viver cada dia como se fosse o último. Esta certeza faz com que, de repente, possamos dar-nos mais, vivermos mais e sentirmos mais”, foram as suas palavras entre lágrimas.

Mas estes foram só alguns dos episódios mais importantes da cerimónia. Se não teve oportunidade de acompanhar a gala dos Globos de Ouro, fazemos-lhe um resumo com sete momentos-chave.

  1. O regresso de Sérgio Praia a António Variações

A segunda atuação da noite pertenceu a Sérgio Praia que, além de ter dado vida a António Variações no teatro, o fez no cinema e agora o assume nos palcos enquanto vocalista da banda Variações. Depois de um momento de música neoclássica, as luzes do palco focaram-se em Sérgio Praia que se preparava para reinterpretar “Estou Além”, um dos clássicos do cantor — mas desta vez com a orquestra sinfónica que fazia parte dos Globos de Ouro.

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Ao longo de toda a atuação, o ator foi capaz de pôr todo o Coliseu de pé a aplaudir e a cantar. “Quero tudo de pé, estamos vivos. Vamos celebrar a vida”, disse durante a canção, numa frase que o próprio António Variações diria. “É lindo estar vivo. Boa noite e viva aos sonhos”, despediu-se.

2. A troca dos envelopes

Não se sabe muito bem se o momento terá sido encenado, mas a verdade é que aconteceu e, para quem não estava à espera, foi motivo de constrangimento e conversa nas redes sociais. Um bocadinho à semelhança do que aconteceu com os Óscares em 2017, também nos Globos de Ouro de 2019 foram trocados os envelopes com os vencedores.

João Manzarra subiu a palco acompanhado de D. Elisa (a costureira que fez um dos vestidos de Cristina Ferreira) — e foi esta quem ficou encarregada de ler o vencedor na categoria de Personalidade do Ano na Moda. Problema? Trocou os envelopes e acabou por ler os vencedor de Melhor Filme de Cinema. Manzarra assumiu o erro e Luís Carvalho, estilista, não conteve o riso.

3. O elogio de Cristina Ferreira à sua costureira

Enquanto D. Elisa estava no palco, Cristina Ferreira apresentou-a como a sua costureira e responsável pelo segundo vestido que a apresentadora usou na gala. Foi neste instante que a apresentadora aproveitou para, além de falar de alta costura, mencionar aquelas pessoas que trabalham durante dia e noite nos vestidos que brilham neste tipo de eventos.

E recordou, para a plateia e os espectadores, aquilo que D. Elisa lhe disse assim que soube que era a escolhida para fazer o vestido para os Globos de Ouro. “Ela disse-me que sentia que esta era a sua prova final. Que, ao fim de tantos anos, alguém pudesse dizer que ela era boa costureira.”

“D. Elisa, é mesmo [boa costureira]”, concluiu.

4. O momento de Bárbara Guimarães

Durante a apresentação do Prémio Revelação, o jornalista Bento Rodrigues começou um monólogo que viria a ser dos mais fortes da cerimónia. “Os verdadeiros vencedores deixam para trás tudo o que não os leva para a frente. Aquilo que se aprende na vida resume-se a duas pequenas palavras: ela continua”, e surge Bárbara Guimarães arrancando aplausos e lágrimas do público.

“Bem que o meu médico me avisou que se calhar o meu coração não está assim tão forte, mas não foi por causa disso que não vim. Estou muito grata por tudo o que a vida me tem dado de bom e de menos bom. Porque a vida também nos põe a todos à prova. Estou a tentar vencer este duelo como tantas mulheres e não é fácil”, referindo-se à luta contra o cancro da mama.

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“A esperança é viver cada dia como se fosse o último. Esta certeza faz com que, de repente, possamos dar-nos mais, vivermos mais e sentirmos mais. Isto é muito importante. Ficamos mais despertos para tudo. Isto não pode nem deve ser um caminho solitário. Há um sentido para isto acontecer, e o grande sentido é que somos muito mais fortes do que aquilo que pensamos”, conclui agradecendo o carinho e o apoio que tem recebido de todos os colegas e amigos.

De volta ao palco, Cristina Ferreira agradece a coragem de Bárbara Guimarães: “Este palco é dela. Sempre foi.”

5. O humor de Ricardo Araújo Pereira e a piada de Cristina Ferreira

Depois de Ricardo Araújo Pereira vencer o prémio de Personalidade do Ano no Humor, foi exibido um vídeo de agradecimento já que o humorista não se encontrava presente na cerimónia. Além de satirizar todos os clichês a que os vencedores destes prémios se prestam (como fazer de conta de que não estavam à espera), leu ainda um capítulo de “Os Maias” para ver até quanto lhe seria possível “esticar a corda”.

O momento arrancou risos e aplausos da plateia. Mas foi a punch-line seguinte de Cristina Ferreira que gerou ainda mais palmas quando, no final do vídeo, diz: “Ricardo Araújo Pereira, na SIC”. Neste momento, a câmara muda do palco para a figura de Felipa Garnel, Diretora de Programas da TVI, que estava sentada no público.

A piada surge numa altura em que a SIC é líder de audiências e a TVI tem vindo a perder cada vez mais terreno.

6. O monólogo de Maria João Abreu e José Raposo

Em homenagem a todos os atores de teatro e cinema, José Raposo e Maria João Abreu subiram ao palco dos Globos de Ouro para um monólogo que, embora repleto de lugares comuns, serviu o intuito de puxar à lágrima fácil e homenagear a profissão que lhes é muito querida.

“Ser ator não é um golpe de sorte. É um modo de vida. É não saber onde começa e onde acaba o verdadeiro eu. Não é ter a deixa na ponta da língua, mas no coração. Ser ator não tem princípio nem fim, é apenas um meio”, ouviu-se antes de serem apresentados os nomeados para a categoria de Melhor Ator de Teatro.

7. O discurso de vitória de Cristina Ferreira

Sem grandes surpresas, Cristina Ferreira venceu o prémio de Personalidade do Ano de Entretenimento pela sua prestação no programa da manhã da SIC, que protagoniza juntamente com Cláudio Ramos.

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“A manhã faz toda a diferença numa estação de televisão. E a televisão deve servir o público, dando-lhe o que lhe é devido. E isso eu faço desde o primeiro minuto e faço-o agora numa casa onde sou muito feliz e onde posso fazer boa televisão desde o início. Houve uma pessoa que não queria eu eu viesse [para a SIC] e que tinha muito medo. Chama-se Maria Filomena, a minha mãe. Por isso, hoje trago estampado na minha pele e no meu vestido o meu modo de acreditar.”

Ao virar costas, o vestido de Cristina Ferreira mostra a figura de Fátima bordada o branco da roupa. Numa noite de discursos pouco memoráveis, este foi talvez o mais importante da gala.