As histórias de bullying entre jovens nas escolas são antigas, mas têm vindo a ganhar outra dimensão desde que entrámos na era digital. Os telefones, as redes sociais, os grupos no WhatsApp — são várias as ferramentas que os miúdos usam para se atacarem.

Channing Smith, com 16 anos, foi vítima disso mesmo. Depois de terem sido divulgadas através do Instagram e do Snapchat as mensagens que este tinha trocado com outro rapaz no Facebook e de o chamarem de bissexual, o jovem americano acabou por se suicidar.

Segundo o irmão mais velho, Joshua Smith, estas “eram mensagem gráficas e não havia hipótese de o Channing dizer que era um mal entendido. Quando ele viu os screenshots nas redes sociais, ligou a algumas pessoas, por volta das 22 horas de domingo, a passar-se. O seu último post no Instagram foi sobre pessoas em quem ele não podia confiar”, contou ao BuzzFeed News.

Quem encontrou Channing Smith morto foi o pai, que ao ver que por volta das 4 da manhã as luzes do quarto ainda estavam ligadas, resolveu ir ver o que se passava.

Segundo uma colega da escola, Keylee Duty, o jovem já sofria de bullying na escola, mesmo antes de isto ter acontecido, com pessoas a chamarem-lhe nomes e a gozarem com ele porque “falava com uma voz feminina e andava de forma atrevida.”

Bullying nas escolas. “Existem crianças que têm intenção de magoar o outro”

A divulgação das fotografias nas redes sociais foi feita por uma jovem, amiga do rapaz com quem Channing Smith tinha trocado mensagens. Os dois tinham discutido por causa desse mesmo rapaz e, por vingança, partilhou as fotografias. “Ela só o fez mesmo por maldade”, explicou Keylee Duty, que organizou uma homenagem ao colega.

A namorada de Channing Smith, Haylee Meister, que desconhecia este lado do namorado, afirmou: “Ele não merecia isto. Ele era querido e muito boa pessoa.” Depois de as mensagens terem sido divulgadas, explicou à namorada que se sentia mal com o sucedido, que ainda estava a tentar encontrar-se e que ele não se considerava bissexual.

A família de Channing Smith critica a escola onde o jovem andava por não terem publicado nenhuma declaração a mostrar que lamentavam o que tinha acontecido, nem terem organizado uma discussão sobre o tema “bullying”. “Não fizeram qualquer menção sobre ele ou sobre a sua morte no site, Facebook, em lado nenhum. Não ofereceram nenhum tipo de aconselhamento aos jovens, nem os juntou para falar sobre anti-bullying”, explicou Joshua Smith.