A sustentabilidade não passa só por uma ida ao supermercado com sacos de pano ou pela substituição dos tradicionais produtos de limpeza da casa (feitos com químicos e substâncias nocivas para o ambiente e para a nossa saúde) por um detergente para o chão feito simplesmente com uma mistura de vinagre e bicarbonato de sódio.

Mas e no que diz respeito aos bebés e às crianças? Será possível educá-los de uma forma mais sustentável evitando, por exemplo, as cerca de dez fraldas que um bebé pode usar num só dia? Existem alternativas?

A verdade é que opções são o que não falta: umas mais fáceis de adotar no dia a dia, outras que levam o seu tempo de habituação.

A vantagem de termos a sustentabilidade como um tema tão atual, é que a procura por alternativas mais amigas do ambiente aumentou, surgindo, por isso, várias marcas onde já pode encontrar artigos ecológicos, sem ter de os fazer em casa (que pela falta de paciência pode ter levado muitos pais a desistirem de adotar medidas mais sustentáveis para cuidar dos filhos).

A MAGG perguntou aos utilizadores do grupo de Facebook “Lixo Zero Portugal” que medidas ecológicas tinham adotado com a chegada de um filho. Descobrimos uma lista interminável de opções que damos-lhe agora a conhecer.

Na hora de mudar a fralda

Pode estar cético quando ao seu uso ou pensar que se o mundo evoluiu foi para não termos de voltar a lavar panos sujos de cocó. Mas a verdade é que as fraldas de pano continuam a ser a opção mais ecológica e os modelos agora nada têm que ver com aqueles que os nossos pais usaram e as marcas são mais que muitas: “Fraldas de Pano“, “Fraldiskeiras“, “Kings of my castle“, “Eye of ecological re-usable products” ou ainda a “Fluffy Organic & Eco“.

Para lavar as fraldas, Inês Zwolinski sugere apenas água e sabonete. E o mesmo para as toalhitas. Em vez de comprar pacotes descartáveis, corte em pedaços pequenos um tecido 100% algodão e faça as suas, como sugere a Morgadinha Artesanato).

Higiene

Os bebés têm sempre aquele cheiro característico, seja dos produtos do banho ou da clássica água de colónia, que só faz com que os pais queriam enchê-los ainda mais de mimos. E isso não tem de mudar com as alternativas sustentáveis.

É possível fazer produtos de higiene de forma simples e caseira. Liliana Geraldes, professora de música e um dos membros do grupo de Facebook, conta que faz tudo em casa: “Faço champô, bálsamos, amaciador, creme de pentear, sabão, creme para a muda da fralda, champô para piolhos, águas de colónia. Um mundo. Tudo natural e biológico”.

Adriana Recto deixa outra dica: “O sabão natural faço com azeite e óleo de coco. Champô faço com óleo de coco e hidrolato de camomila. Como creme uso óleo de amêndoas doces”.

Há ainda quem faça um sabonete mais elaborado. Carolina Vasconcelos usa óleos e soda cáustica e explica o processo: “Uso uma ferramenta chamada “SoapCalc” para fazer cálculos de saponificação e fiz um curso de saboaria. Aconselho vivamente o curso a quem pretende fazer sabão/sabonete pois há alguns truques e segredos e, embora na internet se consiga aprender muita coisa, também se aprende muito disparate”.

Se acha que as formas de fazer sabonete ficaram por aqui, engana-se. A última sugestão é dada por Marta Inês Pereira que refere que usa o leite materno para fazer sabonete artesanal — acrescentando que amamentou apenas até aos 6 meses.

Para todas estas alternativas caseiras, as várias mães referem que tiveram de fazer alguns workshops para aprender a fazer os produtos de higiene de forma mais ecológica.

Mas se esta não é uma opção viável para a sua realidade, há outras alternativas que também são mais amigas do ambiente: é o caso do creme de banho da “Mifarma“, feito com ingredientes de origem biológica ou do sabonete para os bebés da “Klorane“.

Na hora do banho, também pode fazer resultar uma prática sustentável: “Reaproveitar a água do banho para as descargas ou para lavar o chão”, sugere Mara Caravalho.

Depois de a higiene feita, os cuidados com a pele do bebé podem incluir produtos de compra, como um creme de fraldas à base de calêndula, que se encontra à venda online em sites como o “Planeta Huerto” ou algo tão simples como “óleo de coco quando é necessário”, refere Diana Carapuço.

Os bebés só devem tomar banho duas vezes por semana

A papa mais amiga do ambiente

Quanto à alimentação, não há muito que saber. Os cuidados básicos são comprar frutas e legumes de época (de preferência de produtores locais) para fazer as papas, os purés de fruta, a sopa e os iogurtes de forma caseira. É isso que faz, por exemplo, Marta Nunes: “Compro os legumes em lojas que vendem do cultivo diretamente ao consumidor. As papas também faço eu em casa. Compro os cereais numa loja zero waste e faço-as na hora de comer”.

Se não tem imaginação para preparar a alimentação, Catarina Silva Carvalho sugere uma série de sítios com receitas: Cookidoo” da Bimby Baby Box, “Receitas Squeez!” e os blogues “Papinhas da Xica“, “O pai é que sabe“, ou “Os tempero da argas“.

Caso queira mesmo comprar as papas já prontas, as da “Holle” podem ser uma solução mais prática e ao mesmo tempo saudável e amiga do ambiente — isto porque são feitas com cereais biológicos e a base são grãos integrais.

Ainda sobre as sopas, para terem uma maior durabilidade, podem ser congeladas em frascos de vidro. Também de vidro podem ser os copos e o biberão (para evitar este último, pode simplesmente usar uma colher).

Nem velhos são os trapos

Quanto às roupas, o princípio dos pais que defendem o desperdício zero é comum: trocar ou comprar roupas usadas a familiares ou amigos, nos grupos de Facebook ou ainda em lojas como a “Kid to kid” e a “Cherrypapaya“. Para quem até tem jeito para fazer peças de roupa, os tecidos antigos que encontramos em casa dos nossos pais ou avós podem ser aproveitados.

E já que as crianças crescem tão rápido, há uma solução para prolongar o uso das roupas: “Corto as mangas dos bodies de inverno e continuo a usá-los no verão até deixarem de servir. Nos pijamas com pés, no verão corto-os e já servem também”, exemplifica Ariana Jacome.

A ideia da roupa em segunda mão estende-se a outro tipo de artigos: calçado, carrinhos, camas, ou brinquedos.

Precisamente sobre os brinquedos, caso prefira comprar pode optar pelos de madeira — como os da marca “Rupy“, da “Ludicenter” ou da “Brinquedo de Madeira” — ou, se forem de outros materiais, escolha aqueles que não contenham pilhas.

Já quanto aos carrinhos, até encontrar um em segunda mão que corresponda a todos os seus requisitos, pode usar um babywearing enquanto suportar o peso do bebe. Encontra-os em marcas como a “Leva-me Contigo“, a “Trapos e Mamãs – Babywearing e Amamentação” ou a “Organii“.

Mas reutilizar não chega. “Na perspetiva zero-waste, não só existe a ideia de aproveitar recursos já existentes, mas também de cuidar bem de todas estas coisas para que possam ser passadas a outros bebés, em vez de terminarem a sua vida útil connosco”, refere Ana Neto.

Para evitar receber coisas de que não precisa, pode optar por avisar os familiares: Cláudia Ferreira conta à MAGG que avisou as pessoas mais próximas para que em vez de comprarem prendas, colocassem dinheiro diretamente na conta do seu filho. Esta é uma forma de não ter de recusar ofertas supérfluas.