De camisa e casaco, Albano Jerónimo recebe-nos com a hospitalidade e a informalidade de que daria a alguém em sua casa. E por breves instantes, sentimos como se a proximidade com uma pessoa que fomos acompanhando apenas pela televisão tivesse existido desde sempre.

A conversa estava marcada para o Cinema Nimas e, talvez por isso, nos sentíssemos verdadeiramente em casa. É que aquela também era a de Albano que, apesar de acreditar na pluralidade de um ator e na capacidade de se desdobrar pela televisão, é no cinema que se sente confortável, sensação que partilha com a paixão pelo teatro.

E o mês de setembro tem sido o exemplo perfeito dessa procura pela pluralidade na carreira do ator. Além da novela “Nazaré”, da SIC, tem ainda dois espetáculos de teatro em cena chamados “A Morte de Danton” e “O Amante”. Mas o motivo de conversa foi aquele que o pode levar a representar Portugal nos Óscares.

Falamos de “A Herdade”, um filme de Tiago Guedes e onde Albano é protagonista [a primeira vez que o é em cinema], que acompanha a uma família proprietária de uma das maiores herdades da Europa antes e pós-25 de abril.

Pegando nesse pretexto, e numa altura em que o cinema português tem recebido filmes cada vez mais complexos e interessantes, Albano tem a resposta pronta quando lhe pergunta se se irrita quando falam mal da ficção portuguesa.

“Irrita, irrita. Há tanta coisa boa que pode ser associada à ficção mas a tendência é cada vez mais irmos pelo mais fácil. E o mais fácil aqui é dar um tiro na cabeça. Acho que é extremamente fácil dizer mal de uma equipa de segunda divisão”, remata.

Ao longo de quase uma hora e meia de conversa, o ator falou da falta de apoio às artes, do desinteresse e do desinvestimento que existe na área da cultura, da saúde e da educação.

E embora reforce que não quer aproveitar esta onda eleitoral, garante que muitas vezes se cai num facilitismo e numa “demagogia perigosa” quando, e pelo contrário, a sua área de trabalho é séria e com “uma responsabilidade social” que ninguém parece querer entender.

Pelo meio, houve tempo para falar da alegria e da tristeza enquanto lugares propícios à construção de peças de arte ou da forma como vivemos numa sociedade cada vez mais descartável ou barata. No fundo, de consumo rápido, em que saltamos entre coisas com uma facilidade incrível. “É como ir ao talho”, diz.

Um dos pontos fortes de “A Herdade” é o facto de ter resistido à tentação de tornar a sua personagem num vilão. Acima de tudo, é uma pessoa com falhas. Que tem poder, mas que o vai perdendo. Que é justo com quem depende dele, mas que é indiferente à família. Faz-lhe sentido?
Faz todo o sentido. Aliás, todo o trabalho com o Tiago [Guedes, realizador e argumentista] foi baseado exatamente nessa imperfeição. Como ator, também gosto de ter o erro como o meu melhor amigo.

No filme, o ator dá vida a João Fernandes — uma personagem fria e calculista mas, ao mesmo tempo, justa. Mais do que vilão, é humana

Samuel Costa/MAGG

Nessa perspetiva, essa incoerência permanente deste João Fernandes [nome da sua personagem] confere-lhe um caráter humano e foi isso que quisemos fazer: aproximá-lo de uma vibração próxima da vida, fugindo um pouco a estas personagens-tipo. Daí que tenhamos querido desenhar alguma coisa que tivesse, digamos, vários alfabetos e ser plural na sua comunicação

E imperfeito?
Acima de tudo, imperfeito. Sempre.

À medida que o filme se vai desenrolando e chega ao fim, quando todos os anos de mentira finalmente têm consequências, o João Fernandes nunca passa para o lado de lá. Aquele lado mais negro e sem retorno. Teve algum controlo na construção daquilo que viria a ser a personagem?
Sim, tivemos um foco muito grande e sensível a todas essas mudanças. Quando se dá uma revolução, uma pergunta que é comum a todas elas no mundo, historicamente falando, é: Como recomeçar? E este João atravessou-se também um pouco com essa pergunta e, das duas uma, ou adaptas-te ou não.

E o João é alguém que não soube adaptar-se e, por isso, quis fazer uma partitura que chegasse ao detalhe do corpo. Essa partitura focava toda essa luta e incapacidade de lhe permitir chegar ao outro lado, a outras pessoas e, por sua vez, à possibilidade de se reciclar. Há uma incapacidade nele de comunicar, de se expressar e isso é super castrador — que o deposita numa espiral que o leva a uma espécie de implosão.

É uma personagem autodestrutiva?
Sim, é alguém que se vai comendo a ele próprio. Sem dúvida.

Sem revelar muito para quem ainda não viu o filme, acha que há redenção possível para esta figura?
Nos trabalhos que faço, tento nunca salvar as minhas personagens. Apesar disso, acredito muito na redenção e acho que este João tem uma redenção. Nem que seja o simples facto de, no final, ele voltar ao local que conhece desde miúdo e onde se sente protegido. Há uma redenção ou, pelo menos, uma ideia que se assemelha a isto: Ok, fui atropelado, sei que não estou inteiro mas deixa-me ir para aqui porque ao menos conheço isto e sei que é seguro.

Mas por norma, tento não salvar nenhuma das personagens que faço.

Porquê?
Porque a vida não é assim. A vida muitas vezes não nos salva e eu gosto dessa crueldade e desse lado mais rude, que nos deixa sem chão e sem qualquer perspetiva de continuação. Quando isso acontece, e mesmo assim és capaz de dar a volta por cima, então é ainda mais surpreendente.

Numa das entrevistas que deu, diz que procura sempre trabalhar numa “zona mais alegre”. Mas a verdade é que esta é uma personagem muito mais negra e complexa, ou não?
Sem dúvida. Trabalhei durante alguns anos neste lado mais negro e venho dos tempos onde, no Conservatório, havia um culto pelo lado negro que servia de passe para se criar a partir daí. Depois, houve uma grande aprendizagem que foi saber criar na alegria porque é também altamente produtivo e fértil — que eu desconhecia.

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Mas o facto de poder trabalhar na alegria permitiu-me rasgar mais para um lado negro que sei que tenho e que existe. Da mesma forma, permitiu-me trabalhar no lado negro sem ser burguês. Ou seja, dar-lhe corpo e vida mas nunca o corromper. Mas neste filme existem várias alegrias, como o facto de nunca ter feito um protagonista em cinema. Isso deu-me uma adrenalina e um prazer enorme para poder construir um trabalho ao longo de oito ou nove semanas de rodagem.

É um filme em que a alegria funciona como contraste?
Sim, mas que também serve como uma alavanca para navegar num mar que eu não conheço.

É-lhe mais difícil trabalhar na alegria ou nesse lado mais negro?
Acredito sempre em contrários. Entre estes extremos, algures no meio se encontra alguma vibração próxima de mim ou de uma exposição. E o que eu procuro é expor-me e que essa exposição tenha uma qualidade de comunicação, que fale com quem me recebe e que não seja pequenina ou doméstica. Isso não me interessa. Quanto ao que é mais fácil para mim? Confesso que não sei. Depois de 20 anos como ator, criar na alegria talvez seja mais simpático para mim, para a minha família e para os meus amigos.

Mas a vida já nos vai depositando em sítios tão exigente e desgastantes diariamente, que acho que a alegria pode ser um bom filão para criarmos algo. Mesmo que isso seja horrivelmente triste.

Fica com traços das personagens que cria ou consegue libertar-se após as gravações?
Consigo e faço questão de limpar ou, se preferir, de guardar as coisas nos seus devidos sítios. Em novela, por exemplo, o ritmo é tão próprio e tão exigente, porque fazes mais do que um episódio por dia, que quando o dia acaba tens de o fechar por ali. Se levar isso para casa, é uma carga brutal de trabalho e de cansaço. Especialmente com uma filha em casa. Há uma logística que não me permite levar trabalho para casa.

Mas há processos e processos. Em teatro e cinema, e com este João Fernandes de “A Herdade”, deu para brincar um bocadinho mais com isso. Dei-me ao luxo de, por vezes, levar isto para casa e de poder contaminar toda a minha vida com isso. Às vezes por uma questão de necessidade, porque no dia a seguir ia ter uma cena que era tão exigente que não podia largar essa vibração que existia dentro de mim. Mas tendencialmente, não gosto de trazer essas coisas comigo.

Mais uma vez, por contraste?
Precisamente. Mas não há uma receita, cada um tem o seu método e também tem muito que ver com o realizador, o palco e a plataforma — seja teatro, televisão ou cinema — onde se trabalha.

Com que traços é que este João Fernandes lhe deixou ou levou para casa?
Houve muita coisa, até pela proximidade com este filme. Algumas das cenas foram filmadas em locais que eu conhecia e onde tinha brincado quando era miúdo. Houve um revival desses sítios, de mim como pessoa. De repente vinha-me à cabeça essa quase retrospetiva, esse voltar atrás muito rápido e ver-me ali passado estes anos.

Cresci e fui educado no Ribatejo e toda aquela vibração da realidade rural, das pessoas, dos animais… tudo isso me diz muito e é-me muito próximo. O meu pai era uma pessoa muito ligada ao gado. Foi uma bagagem que eu tinha e que nunca pensei que pudesse vir a usar desta forma.

Com mulher e filha em casa, elas reconheciam essa personagem que ia criando ou era um processo mais introspetivo e mais íntimo?
Há uma construção interior que toda ela é só minha. Visualmente, tinha as entradas do cabelo rapadas e isso foi um choque. E tenho até um episódio engraçado porque, a certa altura no filme, tive de descolorar o cabelo. Isso coincidiu com um casamento a que tive de ir.

Foi daquelas situações mais fora porque estava a fazer um esforço tremendo para, com um fato, te tentares enquadrar naquela lógica e naquele contexto. Vi as fotografias do casamento e só me ria. “Como é que vocês olhavam para mim e fingiam que estava tudo bem?”, dizia eu aos meus amigos. Não estava e eles foram maus [risos].

Mas esse processo mais negro e profundo não influencia quem me rodeia. Muito pelo contrário, tento levar pelo lado mais engraçado. Como com o cabelo. É uma oportunidade ótima de me gozar.

Enquanto pai, custou-lhe ir a certos sítios para arranjar a crueldade que teve de usar em “A Herdade” naquele confronto final com o seu filho?
Aquilo que é dito é monstruoso e foi uma cena muito dura de filmar. Obviamente que, como pai, aquilo que eu digo no filme é altamente violento e é um massacre [“És fraco e se fosses um animal já estarias morto há muito tempo”, é a frase da personagem de Albano Jerónimo para o filho]. Esta frase mata qualquer coisa.

Mas como o meu trabalho não nada que ver comigo, essa é uma perspetiva que me liberta para estar ao serviço daquelas palavras. E estando ao serviço delas, aquilo tem de ser implacável. Tenho de ser a melhor pessoa a dizer aquilo e a viver aquilo da forma mais plena para trespassar o outro. Não pode haver piedade e a ficção dá-nos esse passaporte de não ter misericórdia [risos].

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Dá-lhe gozo?
Dá. Há um lado perverso que eu gosto de manter e que é inerente a qualquer ator.

Acho que este tipo de filmes mais longos, arrastados e profundos contrariam esta ideia vertiginosa de saltar de um conteúdo para outro como se fosse descartável? Muitas vezes sem sequer pensarmos sobre ele.
Sem dúvida. Já o Pasolini [realizador italiano] dizia isso mesmo, que o tempo é fundamental e que temos de dar tempo às pessoas para apreciar o filme, uma peça, um objeto, o que seja. Mas esta velocidade, ou esta escalada para algo que é impessoal, é inevitável. Mas obedece a uma coisa tão simples como um telemóvel que te obriga a saltar entre coisas com uma facilidade incrível. É como ir ao talho, ou um Tinder, que cria um lado mais…

Barato?
Mais barato, mais ágil. De consumo rápido, no fundo. Mas compete-nos a nós, que trabalhamos nesta área, dar ao público objetos e plataformas onde o tempo possa ter outra qualidade. O teatro e o cinema são plataformas incríveis. A televisão já corresponde mais ou menos a esse ritmo vertiginoso — principalmente a televisão. As séries já são outra conversa.

É justo dizer que sempre tentou canalizar a sua carreira para o teatro e para o cinema, mas que é a televisão que paga as contas?
É um facto [risos].

Mas custa-lhe?
Sim. Obviamente, todos nós gostaríamos de fazer aquilo que verdadeiramente queremos mesmo fazer. Mas a verdade é que acredito nessa pluralidade e é inevitável que um ator em Portugal tenha de se multiplicar nestas plataformas. Lá fora a lógica é outra. Se tivesse feito este filme em Espanha, aquilo que se poderia ganhar com este trabalha dava para estar mais um ano tranquilamente sem trabalho.

Não querendo colocar nada à borda do prato, o mesmo prato no qual almoço e janto todos os dias, obviamente que a televisão tem uma função vital na vida dos atores. Dá-nos um retorno financeiro incrível. Eu só posso fazer teatro quando faço televisão, porque os vencimentos praticados no teatro são totalmente insustentáveis.

Mas creio que é saudável para um ator português passar por esta inevitabilidade de ter fazer estes três caminhos. Gostaria de ter uma vida financeiramente estável que me permitisse fazer só aquilo que quisesse. Mas por exemplo, depois deste fluxo de trabalho com duas peças de teatro, novela e filme, a verdade é que não tenho nada daqui a duas semanas. Não há perspetivas de trabalho. É muito bruto.

A televisão dá segurança.
Dá. E passa um bocadinho de manteiga para não doer tanto. Embora, neste caso a televisão, esteja cada vez mais próxima de acabar. Não é por acaso que antes se faziam novelas de um ano de produção para oito ou seis meses. A lógica está a mudar e a ideia, creio, passa por voltar às séries ou minisséries. Mas por enquanto, o formato novela continua a render muito dinheiro a quem as faz.

Até esgotar, vamos queimar.

Albano Jerónimo viveu durante muitos anos a criar a partir de um lado negro seu. Mas diz que criar a partir da alegria é mais desafiante

Samuel Costa/MAGG

Daí também a sua participação em “Nazaré”, a nova novela da SIC.
Sim, e a experiência tem sido incrível porque também tive oportunidade de criar um vilão que fugisse à personagem-tipo a que estamos habituados. Conseguimos partir a ideia do vilão e criar uma coisa um bocadinho mais goofy e imperfeita. A reação tem sido incrível, desde pessoas na fila do supermercado a dizerem que eu sou muito mau.

Incrível como ainda há reações dessas a um produto de ficção.
Ainda há pessoas destas [risos], mas isso reflete que elas estão a aderir e a seguir aquele produto.

Considera que aquilo que um ator faz profissionalmente não tem necessariamente de corresponder àquilo que veria como espectador?
Faz todo o sentido. Adoro trabalhar com o Sandro Aguilar que tem um cinema mais autoral e mais fechado sobre o mundo. Nessa perspetiva, o público não adere tanto mas eu adoro trabalhar com ele porque ele põe-me sempre em sítios onde eu nunca estive. Enquanto criadores ou agentes da comunicação, temos uma obrigação de baralhar essas ideias e tirar o tapete dessas coisas expectáveis.

Em abril de 2018, quando se falava sobre o modelo de apoio às artes, um canal generalista convidou-o para comentar o assunto mas esse comentário foi cancelado devido a um acontecimento no futebol. Sente que os poucos apoios dados a cultura ajudam a criar esta ideia de que Portugal não tem nada para oferecer na ficção?
Sim, é uma bola de neve e a questão é complexa. Tem de haver um pensamento sobre a cultura, sobre a saúde e a educação — que não existe. E ao não existir, dificulta. É muito fácil dizermos que vamos dar 1% para a cultura se depois não há um mapa.

Não querendo aproveitar a época eleitoral, há uma facilidade em cair-se num facilitismo e numa demagogia que pode ser perigosa. Sendo que o nosso trabalho é tudo menos demagogia barata. Pelo contrário, é sério e tem uma responsabilidade social.

Por vezes, aquilo que se nota é que não existe uma perspetiva concreta sobre a importância que este trabalho pode ter na sociedade. Não há vontade em querer ir mais longe quando há uma matéria-prima riquíssima, basta olhar para os nossos realizadores e pensa na ideia global do cinema.

Há mais desinvestimento quando o que se quer é investimento?
Sim. Precisamente porque parece que o nosso trabalho não é importante quando, para nós, é absolutamente determinante na formação de novas cabeças para uma sociedade mais plural sem barreiras e sem guetos sociais. Há uma falta de descaracterização e de informação geral porque, muito provavelmente, um político não sabe como é a vida de um ator. E vice-versa.

Só neste ano houve filmes como “Snu”, “Diamantino”, “Variações” e agora “A Herdade”. Porém, há quem continue a olhar para o nosso cinema com preconceito. Porquê?
De forma geral, o preconceito tem que ver com desinformação geral.

Mas neste caso não se trata também de uma falta de empatia com aquilo que é nosso?
Se calhar, sim. Mas se calhar aí cabe ao cinema criar manobras de esclarecimento, de atrair e de fomentar novos públicos através da educação. Há um trabalho que faço, paralelamente a tudo isto, que é ir a várias escolas porque me interessa cuidar das novas cabeças que aí vêm.

Mas tem muito que ver com esta desinformação geral. A ideia devia ser: Bora lá experimentar, conhecer para depois podermos comentar.

Considera que a nossa ficção é cada vez mais heróica por fazer ter de fazer tanto com tão pouco?
Heróica é uma boa definição [risos]. Para nós, técnicos, atores e criadores, é heróica. Para quem gere e produz o termo não é esse. E tem que ver com o fazer cada vez melhor e querer chegar a mais pessoas com menos. Isso tem outro nome que se calhar não é interessante nem bonito pôr aqui…

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Irrita-o quando falam mal da ficção portuguesa?
Irrita, irrita. Principalmente porque é muito fácil.

Existe sempre aquela superioridade moral de quem diz que não vê a televisão.
Acho que é extremamente fácil dizer mal de uma equipa de segunda divisão ou do estado do relvado de um estádio de uma equipa na terceira divisão. Podemos ter outra lógica de pensamento sobre as coisas.

Optamos sempre pelo mais fácil e, nestes casos, o mais fácil é sempre destruir. Poderia ser interessante e desafiante tentar perceber o que é que se pode tirar da televisão que seja importante: a quantidade de emprego que dá a atores, técnicos, por exemplo. Há tanta coisa boa que pode ser associada à ficção mas a tendência é cada vez mais irmos pelo mais fácil. E o mais fácil aqui é dar um tiro na cabeça.

Talvez por isso seja tão importante que “A Herdade” tenha ido as festivais de cinema de Toronto e Veneza e possa vir a representar Portugal nos Óscares?
É muito importante e talvez essa empatia de que falou se trabalhe assim, depois de ver a aceitação de outros. O percurso que este filme está a ter ultrapassa muitas barreiras e, mais importante ainda, aproxima.

Aproxima-nos de culturas diferentes que, por não nos conhecerem, são capazes de avaliar o filme com uma isenção brutal. E o carinho que recebemos lá fora foi muito acolhedor. Mas sim, concedo que seja uma boa premissa. Sem dúvida.