Acontece de forma diferente em cada mulher, mas acontece a todas. Umas sofrem mais, outras nem se lembram que o têm. Ainda assim, é um não tema. Fala-se baixinho sobre o isso, escondem-se os pensos e os tampões e menstruação é palavra para ser dita quase em sussurro.

Mas ela existe e, por isso, a marca australiana de produtos de higiene feminina Libra não aceita que continue a ser um tabu. Para quebrar com essa barreira, lançou um anúncio no qual mostra essa mesma realidade como nunca antes tinha sido feito.

Mulheres que pedem pensos umas às outras, sem terem que segredar, uma mulher no banho com sangue a escorrer pela perna, um casal a ter relações sexuais ou uma mulher a trocar o penso higiénico na casa de banho, são algumas das cenas desta publicidade que tem chocado muitos autralianos.

Foram recebidas mais de 600 queixas de telespectadores que consideraram o anúncio “desadequado”, “desnecessário”, “ofensivo” e “nojento”. Houve quem se referisse a esta anúncio como uma humilhação à mulher, e quem mostrasse preocupação com as crianças, por considerar que estas são muito novas para ver sangue a escorrer pela perna de uma mulher no banho.

Publicidade com estereótipos de género proibida no Reino Unido

“Porque se considera inaceitável mostrar sangue menstrual? A menstruação é normal. Mostrá-la também deveria ser” foi a posição tomada pela marca para defender o anúncio, que também criou a hashtag #bloodnormal. Quem também defendeu o anúncio foi a agência reguladora Advertising Standards Board, que apesar das muitas queixas considerou que não havia nada de errado.

“O painel considera que a retratação do sangue no contexto de um anúncio para produtos de higiene feminina, não vai contra nenhum padrão de saúde. É uma apresentação precisa de uma ocorrência real e física. O painel observou que apesar de muitos membros da comunidade preferirem não ver fluidos na televisão, não foi um retrato que pudesse ser considerado uma violação ao código, não é desadequado, mesmo sendo um anúncio para ser visto por uma grande audiência, incluindo crianças”, lê-se no relatório final.

A campanha “The Blood Normal” está a ser transmitida também no Reino Unido, França, Holanda, Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Ucrânia, Itália, Estados Unidos da América, Argentina e África do Sul.