A indústria de Hollywood mudou com o impacto do movimento #MeToo que, em 2017, originou novas denúncias de casos de assédio e abuso sexual. Harvey Weinstein, até então um dos mais prestigiados produtores do meio, foi acusado por várias mulheres de conduta imprópria e embora tenha perdido o apoio da Academia, continua a dizer-se inocente.

Uma das acusações foi feita por Gwyneth Paltrow ao “The New York Times”, onde revelou que tinha sido assediada com 22 anos por Weinstein que, em 1995, a tinha contratado para o papel principal no filme “Emma”.

Em entrevista, Paltrow contou como foi convidada pelo produtor para o seu quarto de hotel para uma “reunião de trabalho” e que terá sido aí que Harvey Weinstein tentou aproveitar-se da atriz — tocando-lhe enquanto sugeria que fizessem uma massagem.

Depois do acontecimento, que terá deixado a atriz visivelmente desconfortável, Gwyneth contou tudo a Brad Pitt, com quem namorava na altura.

A propósito da promoção de “Ad Astra”, o seu novo filme, Brad Pitt comentou o caso numa entrevista à CNN que o confrontou com as declarações de Paltrow na altura: de que depois de saber o que tinha acontecido, ameaçou Weinstein de morte.

Brad Pitt fala pela primeira vez sobre a dependência alcoólica

“Se a fizeres sentir-se desconfortável outra vez, mato-te”, terão sido as palavras do ator tal como Paltrow as recordou em entrevista ao programa “The Howard Stern Show”.

Em entrevista à CNN, citada pela revista “IndieWire”, Brad Pitt explicou que a sua maneira de agir foi decorrente da forma como foi educado em criança.

“Naquele momento, era apenas um miúdo de Ozarks [no estado de Missouri, nos EUA] e era assim que nós confrontávamos e lidávamos com as coisas. Queria garantir que nada mais acontecia depois disso, porque ela [Gwyneth Paltrow] ia fazer mais dois filmes com ele”, revela.

O ator diz ainda que houve várias mudanças em Hollywood desde que o movimento #MeToo ganhou tração. “Uma das coisas mais interessantes é que Hollywood, mais especificamente o contexto de trabalho e a dinâmica entre homens e mulheres, tem sido recalibrada. E essa recalibração fazia falta há muito tempo”, conclui.