Depois de ser um livro aberto em relação à sua gravidez, e de não se inibir de relatar publicamente os episódios mais complicados de uma gestação, Jessica Athayde, 33 anos, foi mais longe e partilha agora com o público a intimidade dos últimos meses num documentário original.

A 19 de setembro, foi através da sua página de Instagram que a atriz, mãe de Oliver, anunciou a estreia de “Waiting for Oliver — Jessica Athayde on the record”, um documentário de oito episódios sobre o nascimento do filho, em parceria com a “Vogue” Portugal.

Para além desta novidade, a atriz da TVI avançou também que está separada de Diogo Amaral, o pai do bebé de 3 meses, nascido a 8 de junho. “Apesar de anunciar agora que eu e o Diogo já não estamos juntos, queria deixar claro que decidimos avançar na mesma com a publicação deste projeto porque o adorámos de verdade”, escreveu Jessica nas suas redes sociais.

Ao longo dos vários episódios da série original produzida pela “Vogue” Portugal, o público pode assistir a dezenas de testemunhos de Jessica Athayde sobre as alegrias e dificuldades da gestação. A câmara acompanha a atriz enquanto faz o exame da glicémia, aulas de ioga, conta às amigas que vai filmar o parto, bem como o nascimento de Oliver, entre muitos outros momentos.

Jessica Athayde divulga vídeo do parto — e anuncia separação de Diogo Amaral

E é exatamente num desses momentos que Jessica Athayde revela que decidiu consumir a placenta em smothies e cápsulas, depois de esta ser transformada em comprimidos após o nascimento do bebé.

“Decidi comer a placenta em smothies a seguir, feitos por uma pessoa entendida. E essa pessoa também vai fazer cápsulas. Tenho lido muito sobre isso”, diz Jessica Athayde para a câmara da “Vogue”.

Esta decisão não é inédita, com muitas outras celebridades a terem partilhado com o público que também consumiram a sua placenta a seguir ao parto dos filhos: Hilary Duff disse numa entrevista a um podcast americano que tinha bebido a placenta misturada num smoothie de frutos vermelhos e sumo de frutas, e Kim Kardashian explicou no seu site oficial que congelou e transformou o órgão em comprimidos.

Kim Kardashian West também transformou a placenta em cápsulas

“Senti-me com tanta energia, sem quaisquer sinais de depressão! Cada vez que tomo um comprimido, sinto uma onda de energia, e sinto-me realmente saudável e bem. Recomendo-o totalmente a qualquer pessoa que esteja a considerar fazê-lo”, escreveu na época a mulher de Kanye West no site, depois de ter ouvido relatos de mulheres que consumiram a placenta para lutar contra a depressão pós-parto.

Mas será que o consumo deste órgão do corpo humano tem mesmo benefícios científicos e comprovados para a saúde da mãe, seja em que aspeto for? Fernando Cirurgião, médico obstetra, diz que não.

“Em relação a uma justificação científica de propriedades de interesse, nutricionais ou capacidades imunológicas, não, a comunidade médica não tem nada que suporte o consumo da placenta do ponto de vista científico, nem que tenha vantagens para a mãe”, explica o especialista à MAGG.

Fernando Cirurgião é ginecologista e obstetra

Fernando Cirurgião adianta que tem conhecimento da prática de congelar a placenta e a transformar em cápsulas (tal como Jessica Athayde e Kim Kardashian), mas afirma que “a placenta está considerada como um material que deverá ser incinerado, nem sequer deve sair do hospital”. De acordo com o especialista, ao Hospital São Francisco Xavier já chegaram pedidos para guardar a placenta a seguir ao parto, recusados nesta instituição em particular.

“Não é só o recusar por recusar, é um recusar assumindo que é um tecido humano e que nestas circunstâncias deve ser considerado como um material categorizado no grupo dos desperdícios hospitalares, e que deve ser incinerado”, relata o médico obstetra.

Comer placenta: bom ou mau para mãe e filho? Os médicos falam em efeito placebo

Também Paula Ambrósio, médica obstetra no Hospital Lusíadas Lisboa, não conhece benefícios derivados do consumo da placenta. “Enquanto obstetra, não vejo qualquer cabimento nessa prática, não tem sentido nenhum para mim e nem consigo perceber, até porque a placenta deve estar contaminada”, refere a especialista, para além de salientar a ilegalidade da prática.

“A lei portuguesa não permite a utilização de produtos biológicos, estes têm de ser incinerados. É a nossa lei, por isso estamos a falar de uma prática ilegal”, afirma a obstetra à MAGG.

Os defensores da placentofagia (a prática de consumir placenta para curar e prevenir determinadas patologias, comum na China, na Coreia do Norte, na Coreia do Sul e no Vietname, e cada vez mais popular nos Estados Unidos e em alguns países da Europa) afirmam que o consumo da placenta pelas mães melhora a produção de leite, diminui a fadiga, as hemorragias e os sintomas do “baby blues”.

De acordo com os apoiantes da prática, o órgão pode servir ainda a outras pessoas para tratamento de distúrbios do sono, inflamações e cicatrizes ou para regulação hormonal durante a menstruação e menopausa. Segundo a medicina tradicional, porém, não há nenhum estudo científico que sustente estes alegados benefícios.