Pode parecer título do “Inimigo Público”, mas a mensagem é real. Há um grupo de Facebook que se propõe a fazer um churrasco em frente à Universidade de Coimbra (UC), em protesto pelo fim da carne de vaca servida na cantina da instituição.

O evento foi criado pela página Gajo do Contra que, à MAGG, explica que foi pensado para ser uma “chamada de atenção para algo com a qual muita gente não concorda”.

Esta semana, a Universidade de Coimbra anunciou que vai eliminar a carne de vaca das cantinas universitárias a partir de janeiro de 2020, por razões ambientais. Segundo o reitor da universidade, Amílcar Falcão, a eliminação do consumo de carne nas cantinas universitárias será o primeiro passo para, até 2030, tornar a UC “a primeira universidade portuguesa neutra em carbono”.

A decisão contou com os aplausos de muitos, mas a indignação de outros tantos. Tanto assim é que ao evento do churrasco já quase sete mil pessoas mostraram interesse e duas mil clicaram no botão que confirma a presença.

#SetembroSemCarnePt. Há um movimento para o ajudar a deixar de comer carne (pelo menos durante 1 mês)

Ainda assim, o Gajo do Contra — que prefere não se identificar — explica que mais do que um churrasco que vá realmente acontecer, a criação do evento passa por juntar num só espaço todos os que possam também discordar com esta proibição. “A realização do evento, como acontece com este tipo de iniciativas, dependerá sempre do envolvimento e vontade de todos que mostrem disponíveis”, acrescenta. Ainda assim, já há data e hora marcadas: 25 de novembro às 12 horas.

“O senhor reitor da Universidade de Coimbra decidiu, com todos os tiques ditatoriais, proibir a carne de vaca nas cantinas de universidade. Por ser uma afronta a um dos valores mais importantes da academia coimbrã, a liberdade, vamos fazer um mega churrasco em frente à reitoria. Levem lombo e vazia, alcatra e acém, cachaço e costeletas! O tempo das proibições arbitrárias já acabou, viva a liberdade!”. É com este texto que o evento se apresenta. À MAGG, o organizador admite a surpresa com os números da adesão. “Foi um pouco o produto da atenção mediática que a proibição teve, bem como da indignação que gerou em muitas pessoas que viram no evento uma forma de demonstrar a sua discordância”, justifica.

O autor faz ainda questão de lembrar que o “ser do contra”, neste caso, é transversal a questões políticas, e adianta que concorda com opiniões públicas de personalidades tão díspares como a historiadora Raquel Varela que diz que a exclusão de carne de vaca das cantinas é tirar a oportunidade das classes mais pobres terem acesso a este alimento, ou a presidente do CDS-PP Assunção Cristas, que defende que “banir carne de vaca é tão ilegítimo como banir refeições vegetarianas”.

O Gajo do Contra é uma página criada, tal como o autor explica, “com o intuito de ser humorístico, satírico”, e foi criada por mera diversão: “Não tem qualquer outra agenda”.