Está longe de ser considerado o casamento do ano no âmbito internacional — em 2019 já tivemos Sophie Turner e Joe Jonas, Heidi Klum e Tom Kaulitz e Ellie Goulding e Caspar Jopling a casar (só para dar alguns exempos), e embora nem sempre tenham sido divulgados muitos pormenores sobre a cerimónia, o pouco que se soube correu o mundo.

Está longe de ser considerado o casamento do ano no âmbito internacional, repetimos, mas em Portugal a atenção está virada para Toy e Daniela. O casal vai trocar alianças no próximo domingo, 22 de setembro, e neste momento estão a ser ultimados os últimos preparativos.

António Raminhos, Bárbara Bandeira ou Ruy de Carvalho são algumas das personalidades que vão estar presentes neste dia. A cerimónia e o copo de água vão decorrer em Palmela, numa festa que está a ser organizada por Maya, amiga pessoal do cantor.

Para além dos famosos amigos do casal, Toy e Daniela quiserem que os fãs também tivessem oportunidade de entrar na festa. Por isso, lançaram um concurso onde sorteavam três entradas duplas. As candidaturas começaram a 5 de agosto e terminaram a 16 de setembro, sendo que no dia a seguir o resultado do concurso foi anunciado pelo “Correio da Manhã”.

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Para além dos 200 convidados, dos seis fãs e de já se saber que a noiva vai chegar 35 minutos depois de Toy, também já se conhece o cantor escolhido para interpretar a música da entrada da noiva. Chama-se João Mendonza, tem 27 anos e é amigo pessoal do noivo. “Conheço-o desde miúdo”, conta à MAGG. “O Toy fez-me o convite para cantar porque gosta da minha voz e fez questão que eu estivesse presente nesta data tão especial”.

Criador do projeto de canto Passione, que interpreta músicas pop de uma forma lírica — “Um bocadinho como os Il Dilvo ou o Andrea Bocelli” —, João atua sobretudo em anfiteatros ou em espetáculos organizados por câmaras municipais. Em 2018, porém, teve um dos momentos mais especiais da sua vida — e certamente (muito) cobiçado por outros artistas: cantou para o Papa Francisco.

Como surgiu o convite para cantar no casamento do Toy?
Eu e o Toy somos amigos. Aliás, ele é amigo da minha família e eu conheço-o desde miúdo. O Toy fez-me o convite para cantar porque gosta da minha voz e fez questão que eu estivesse presente nesta data tão especial. Nós já cantámos juntos a título privado. Não foi num concerto, nem nada desse género, apenas socialmente e para os amigos.

Quando aconteceu esse momento em que cantaram os dois? 
Cantámos há muitos anos, num batizado de um amigo em comum. Depois disso também já cantámos juntos em festas privadas aqui em Setúbal. Mas sempre a título privado. Nessa altura, cantámos coisas mais líricas e ficou uma mistura curiosa de vozes e timbres. A voz do Toy também tem muito de lírico por causa da projeção da voz. Mas fora isso também já cantámos uma música dele, o “Estupidamente Apaixonado”.

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Há quanto tempo conhece o cantor? 
Eu sou de Setúbal e o Toy também. Conheço-o através da minhas família, os meus pais são amigos do António há muitos anos. Os meus pais têm uma ourivesaria e ele é cliente há muito tempo. Aliás, é amigo pessoal do meu pai. Lembro-me dele desde pequeno.

Em que momento do casamento vai cantar?
Vou cantar na entrada da noiva. Vou cantar o Avé Maria de Schubert que é uma canção clássica. O António pediu-me essa por gostar muito. Ele acaba por cantá-la muitas vezes, por isso vai ser muito especial para ele. Até agora está definido que vou cantar nesse momento, ainda só falámos desta canção, mas ainda não me reuni com a Maya. Mas esta, pelo menos, está certa.

E tem ensaiado muito?  
Eu ensaio sempre semanalmente, com ou sem concertos. Por isso tenho ensaiando na mesma. É necessário praticar a voz como se fosse um instrumento. Tenho de estar em forma, funciona como um ginásio permanente. Por isso não posso descansar muito.

Vai atuar sozinho ou com o grupo Passione?
Vou sozinho, vou a título pessoal. É uma honra cantar para os amigos, é uma coisa que gosto muito de fazer. É um dia especial, por isso vou sozinho e não com projeto que ajudei a fundar, os Passione.

E em que consiste o projeto?
Fundei os Passione em 2015, com dois colega. A ideia era criar o primeiro projeto de canto lírico. Cantamos músicas pop mas de uma forma lírica, um bocadinho como os Il Dilvo ou o Andrea Bocelli. Cantamos Leonardo Cohen, temos versões de música portuguesa como os fados ou Zeca Afonso. E também cantamos temas populares italianos. O grupo começou com três pessoas, mas agora somos apenas duas. Eu e o Carlos Barreto Xavier. Eu sou tenor e ele é o pianista.

O projeto integra João como tenor e Carlos como pianista

Porquê música popular italiana e não música popular portuguesa?
É uma ideia. Queremos pegar em canções portuguesas de outra maneira. Música popular portuguesa? Quem sabe?

Onde é que costumam atuar?
Fazemos espetáculos em anfiteatros, somos requisitados pelas câmaras. Já atuámos por todo o País. Estivemos agora na Índia, a tocar em Goa. Basicamente tocamos por onde há espetáculos.

São reconhecidos na rua pelos fãs?
Aqui em Setúbal é normal as pessoas reconhecerem-me, foi a cidade onde cresci. Mas até as pessoas que não me conhecem pessoalmente metem conversa comigo. Nos concertos também já tivemos pessoas que nos vão ver algumas vezes e nos procuram. Devagarinho vamos notando isso, sim. Os Passione também são um projeto recente, por isso estamos a angariar cada vez mais fãs.

Alguma vez teve um momento caricato enquanto atuava?
Tenho uma história hilariante. Uma vez fomos tocar à televisão e eu enviei à produção um vídeo. Eles enganaram-se e, quando eu estava a cantar, em vez de porem a música no ar puseram o filme. Portanto, por cima da minha voz estava a tocar o vídeo também. Foi um momento engraçado. Entretanto voltámos a repetir a atuação e ficou tudo bem.

“A minha avó disse-me que se aprendesse a tocar piano podia ficar com o piano dela. Fui aprender de propósito para o ter”

Quando é que começou a cantar?
Comecei em criança, é algo que vem de trás. Comecei no colégio e depois fui para o conservatório de música. Fiz primeiro o conservatório em Setúbal, onde vivo, e só depois fui para o conservatório nacional. Tirei lá o curso de canto que acabei com 22 anos. Ao mesmo tempo que estava no conservatório fiz também o curso de Comunicação Social na Católica.

Tem pessoas na família que também cantam?
Não, não. Sempre fui eu sozinho. A minha avó tocava piano quando era mais nova e eu também entrei um pouco por aí. Sempre gostei muito de piano e, por isso, a minha avó disse-me que se aprendesse a tocar piano podia ficar com o piano dela. Fui aprender de propósito para o ter. Ainda hoje o tenho em minha casa.

O João é tenor.
Sim, exato. Isso tem que ver com o range de voz. Nos homens há três tipos de voz: o tenor, com a voz mais aguda, e depois há os barítonos e os baixos que são os homens com a voz mais grossa. Aos 15 anos a minha voz mudou e ficou a de tenor.

João Mendonza é tenor e fundador do projeto Passione

Como é que reagiu à mudança de voz?
Eu já cantava antes, mas tinha aquela voz de criança. Mas tive a sorte de ter aulas de canto com uma professora conceituada e ela ajudou-me nessa transição. Consegui trabalhar por cima da mudança de voz e adaptar-me. Talvez por ter tido ajuda nessa altura tenha sido mais fácil ganhar outro timbre.

Como foi a primeira vez que atuou em público? 
A primeira vez foi numa ópera quando tinha 11 anos. Era uma ópera infantil, fiz o casting e fiquei. Fazia o papel de príncipe. Na altura fiquei nervoso porque era a primeira vez que pisava um palco. Tivemos um mês de ensaios e foi muito puxado, era uma produção mesmo a sério.

E como é que a família reagiu a essa estreia? 
Apoiou-me e foram ver-me bastantes vezes. Calhou na altura em que disse que queria ser cantor de ópera e nessa altura comecei logo a investir naquilo que queria.

A família não desencorajou o sonho de se tornar cantor? 
Não. Não creio que tenha desencorajado, acho que é uma palavra forte. Mas existem sempre aquelas conversas de prevenção. Os pais gostam de nos ver confortáveis a todos os níveis e o mundo artístico é muito instável. Em Portugal temos pouca cultura erudita, por isso fica ainda mais complicado. Obviamente que eles tiveram essas conversas comigo, por isso é que também tirei um curso. É sempre bom ter um plano B. É como tudo na vida, temos de estar preparados. Mas não, nunca me desencorajaram diretamente. Nunca me disseram que não podia fazer isto. Mas alertavam muitas vezes, e ainda bem.

Foi por isso escolheu tirar o curso de Comunicação Social, então. 
Tinha na cabeça que tinha de fazer outra coisa além da música. Pelo menos tinha de ter um curso que não tivesse que ver com isso. E o mundo da comunicação sempre foi algo que me fascinou. Ainda trabalhei na área durante um ano, na parte do marketing, mas não era o que queria. Foi uma experiência, mas não era aquilo que queria. Saí e mais tarde surgiu o meu projeto, os Passione.

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Atualmente consegue dedicar-se exclusivamente à música?
O meu trabalho a 100% é a música, mas vou tento outros projetos. Vou abrir uma guest house em Setúbal, em outubro, e também faço trabalhos para uma agência imobiliária. Não gosto de estar parado por isso vou tendo outros projetos. É uma forma de me manter ocupado e financeiramente é importante.

João atuou para o Papa Francisco. “Foram os cinco minutos mais especiais que tive”

Em 2017, o Papa Francisco recebe uma canção dos Passione quando vem a Portugal.
Exatamente. O presidente Marcelo entregou um CD com uma canção nossa ao Papa Francisco como prenda de Estado. Era a Avé Maria mas com uma composição nossa. O Papa gostou tanto que umas semanas depois recebemos uma carta com um agradecimento e com uma bênção.

Ficámos muito sensibilizados e gratos por receber a carta. Ela foi ter à capela do Rato [em Lisboa] em meu nome e fui eu que a fui levantar. Antes de abrir a carta até disse na brincadeira: “Esta carta só pode ser do Papa”. Não tinha qualquer noção de que seria efetivamente dele.

E onde é que está a carta?
Sou eu que a tenho. Está em minha casa.

Em outubro de 2018, são chamados para ir cantar ao Vaticano.
Sim, faz agora um ano. Fomos convidados para cantar no Vaticano e fomos recebidos pessoalmente pelo Papa Francisco na Praça de São Pedro. Fomos recebidos numa audiência a 31 de outubro e tocámos a 1 de novembro. Cantámos a tal composição nossa do Avé Maria que o Papa já tinha recebido quando veio a Portugal. Um dos ministros do Vaticano convidou-nos, tratou da papelada e nós fomos. Cantámos na Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma.

João Mendonza com o papa Francisco

E qual foi a sensação de cantar para o Papa?
Foi outra grande surpresa. Foi um grande passo na nossa carreira, obviamente. Eu não estava nervoso, não posso cantar nervoso que isso não ajuda. Mas estava ansioso. Havia alguma tensão porque era um enorme desafio artístico, espiritual e emocional. Foi muito forte.

Também estiveram em privado com ele?
Sim. Foi um encontro rápido, talvez cinco minutos. Foi uma conversa rápida. Mas foram cinco minutos intensos. Agradeci todo o apoio que nos deu, a carta que nos enviou e o Papa abençoou-nos ali. Fizemos questão de oferecer o nosso álbum e ele abençoou o disco, abençoou-nos, a nós e à nossa família. Eu agradeci em italiano, apesar de ele estar a falar connosco em português. Foram os cinco minutos mais especiais que tive.

É religioso? 
Sim, sou. Tive uma educação católica, fiz a catequese, o crisma, a profissão de fé. E também cantei no coro da capela do Rato. Mas sim, sou crente e católico.

Então o momento em que esteve com o papa deve ter sido ainda mais especial.
Sim, foi uma experiência única. Conhecer o Santo Padre pessoalmente foi incrível. E depois, obviamente, é o líder da nossa igreja, por isso teve ainda mais significado.

Como é que a família e os amigos reagiram? 
Quando o projeto começou a nossa ideia sempre foi esta: fazer uma canção para o Santo Padre e, se possível, cantar para ele. Sempre foi o nosso desejo. A minha família e amigos mais próximos achavam graça, ao início. Mas depois as coisas vão andando, o projeto vai avançado, as coisas vão acontecendo e as pessoas apercebem-se de que afinal estamos a conseguir. Para eles foi uma grande alegria quando recebemos a carta. Quando recebemos o convite foi uma festa mesmo.

Quando voltei do Vaticano, a minha família ficou muito comovida. Somos todos católicos, toda a minha família vai a Fátima todos os anos. Acabamos por viver muito isto. E foi, sem dúvida, muito especial. Quando voltei todos queriam estar comigo para sentir aquela energia nova.