A Semana da Moda de Londres começou a 13 de setembro e acaba esta terça-feira, 17. As coleções outono/inverno apresentaram estilos desportivos, peças com figuras animadas — como o Pikachu do jogo “Pokémon” —, e ainda temas ligados à sustentabilidade. A edição deste ano apoia-se, por isso, em duas palavras: criatividade e sustentabilidade. Além de rimarem na oralidade, completam-se na prática.

Foi precisamente este o tema do colóquio no Instituto Finlandês, em Londres, que integrou a agenda da semana da moda na segunda-feira, 16, onde estiveram presentes especialistas e ativistas em sustentabilidade.  

“Para mim, a inovação já não se trata de querer viajar até à lua. Trata-se de encontrar algo novo no passado”, referiu Evelyn Mora, presidente da Semana da Moda de Londres e fundadora da Semana de Moda de Helsínquia, capital da Finlândia, em 2014, no colóquio, conforme cita o jornal britânico “The Guardian“.

Tanto para Mora como para o restante painel do colóquio — que contou com nomes como Sara Arnold, membro fundador da Extinction Rebellion (movimento sociopolítico que luta contra a alterações climáticas), Charlotte Turner (chefe de moda e têxteis sustentáveis ​​da Eco-Age, uma consultoria de sustentabilidade com sede em Londres) e Bel Jacobs (também membro da Extinction Rebellion) — a moda está no passado, no sentido da reutilização e também no futuro, já que é preciso mudar as práticas das indústrias.

Os convidados apresentaram várias soluções para aplicar a criatividade à moda. Sara Arnold sugere que as pessoas entrem em lojas de roupa em segunda mão ou vintage e procurem peças que se identifiquem com a sua personalidade ou que revejam a roupa do próprio guarda-roupa: “Provavelmente já temos roupas suficientes para os próximos 20 anos”, refere Sara de acordo com o jornal britânico.

Na Semana de Moda de Londres ganharam os looks de apenas um tom

No fundo, aquilo que é necessário mudar é “o sistema de produção, consumo, e destruição”, acrescenta. Este ciclo resulta de um sistema capitalista insustentável, que se baseia na produção de produtos de uso único — ou estivais no caso da roupa.

“Todo o sistema da moda é basicamente sustentado pelo facto de atualmente a indústria ser capaz de empregar pessoas e não pagar um salário digno”, refere Charlott Turner. É através da mão de obra barata que chega até nós roupa em quantidade abundante e a um baixo custo. Se a situação fosse convertida, isso “forçaria as marcas a perceber que se quisessem continuar a produzir roupa em grandes quantidades, precisariam de repensar em toda a cadeia de produção”, acrescenta.

Os convidados do painel, esperam que o debate da Semana da Moda de Londres — que vai encerrar com uma marcha fúnebre pela indústria da moda esta terça-feira, 17 de setembro — ajude a alertar para as mudanças que é preciso fazer na indústria do fast fashion, cujas estimativas para 2030 registam um aumento de 63% no consumo global de roupa.

“Como ferramenta de comunicação, a moda é influente — todos temos que vestir roupas e isso tem poder”, refere Sara Arnold, exemplificando que as T-shirts com slogans têm poder para espalhar a mensagem.