O programa da Comic Con 2019, que decorreu no Passeio Marítimo de Algés entre os dias 12 e 15 de setembro, estava recheado de painéis, atividades, ativações de marca e muito mais. No entanto, o nome da atriz Millie Bobby Brown, mais conhecida pelo seu papel como Eleven na série “Stranger Things”, era o mais sonante no cartaz e o painel que ninguém queria perder.

A conversa da atriz americana com o humorista Nuno Markl, a decorrer no Golden Theatre, o palco principal da Comic Con 2019, estava marcada para as 14h30 de domingo, o quarto e último dia de evento, mas os problemas começaram a prever-se muito antes.

Imediatamente após a abertura de portas do recinto, que aconteceu pelas 10 horas, uma multidão correu para a loja oficial da Comic Con, onde se vendiam os bilhetes para conseguir um autógrafo e/ou uma fotografia com a atriz, por 20€ e 30€, respetivamente. No entanto, e apesar dos valores cobrados, os bilhetes esgotaram rapidamente, para tristeza de muitos fãs e indignação de outros, que afirmaram desconhecer a situação.

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Em declarações ao “Observador”, Rosa Maria, que veio de propósito do Porto com a neta de 11 anos para o evento, que desejava conhecer Millie Bobby Brown, afirmou não saber nada sobre a questão dos autógrafos e fotos: “Comprei o bilhete nos CTT e não há nenhuma informação sobre isto. Acho que nesse ponto devíamos ser melhores esclarecidos”.

No entanto, os problemas estavam longe de ficar por aqui: horas antes do horário previsto para o painel com a atriz de “Stranger Things”, o exterior da tenda principal da Comic Con, que tinha uma lotação máxima de duas mil pessoas, começou a ladear-se de longas filas de pessoas, todas elas debaixo de um sol de 30 graus e zero sombra.

E porque a organização não obrigou as pessoas já dentro do Golden Theatre a abandonarem o espaço após os painéis anteriores ao de Millie Bobby Brown, as centenas de pessoas que esperavam para entrar e ouvir a atriz, nunca o conseguiram fazer.

Apesar de existir um ecrã a transmitir o painel no exterior da tenda, as dimensões do mesmo eram demasiado pequenas para a quantidade de pessoas que aguardavam nas filas, e o som completamente impercetível, garante quem lá esteve. A tristeza e o cansaço deram lugar à indignação, e as queixas não se fizeram tardar nas redes sociais, principalmente nas páginas ligadas ao evento.

“Ao que parece há pessoas desde o painel das 11h lá dentro a ‘marcarem lugar’ dentro do pavilhão. Estou na fila desde as 12h e estão a dizer que já não há lugares para o painel da Millie”, “parabéns à organização por um espetáculo deprimente, o que era para ser um dia de alegria, pois minha filha contava os dias para ver a Millie, graças a esse lixo de organização agora tenho a menina a chorar e a sentir-se enganada”, “milhares de crianças a chorar em filas intermináveis durante horas ao sol, milhares impedidos de ver o que pagaram para ir ver”, foram alguns dos comentários deixados na página de Facebook da Comic Con.

Depois do sucedido, a organização acabou por prestar declarações, afirmando que nada fugiu ao programado. Também ao “Observador”, Paulo Rocha Cardoso, presidente da Comic Con Portugal, declarou que, no domingo,” os planos e todo o programa decorreu na normalidade”.

Sobre a situação do painel de Millie Bobby Brown em especifico, o presidente do evento justificou-se com a grande afluência ao espaço do Golden Theatre: “Houve uma afluência imensa ao auditório desde o início e várias pessoas quiseram guardar lugares dentro do auditório. Isto criou problemas com as pessoas que estavam afetas ao local. Não podemos obrigar as pessoas a sair dos painéis”.

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Em relação aos visitantes que exigem o dinheiro de volta por não terem conseguido assistir ao painel da atriz americana, Paulo Rocha Cardoso argumenta que “a Comic Con não é um espetáculo da Millie Bobby Brown, é um evento de quatro dias com diversos conteúdos e diversos temas. Ninguém adquire um bilhete para a Millie Bobby Brown”.

Apesar de afirmar que a Comic Con “não é um evento para um espetáculo em particular”, o presidente do evento salientou que a organização está pronta para “responder às questões de todas as pessoas que se sentiram defraudadas”, continuando a sublinhar que não são comercializados bilhetes para o auditório. “Comercializamos bilhetes para o espetáculo na sua plenitude.”