É um dos segredos que Maria das Dores revela no livro lançado esta semana, “Eu, Maria das Dores, me confesso”, e que nunca foi tornado público: a socialite tentou enforcar-se no Estabelecimento Prisional de Tires e acabou por se arrepender quando já estava pendurada pelo pescoço num duche da prisão. Acabou por ser salva quando estava quase a perder a consciência.

“Aterrorizava-me a ideia de pensar que podia passar os 25 anos seguintes atrás das grades (…) O que a imprensa nunca soube foi que foi precisamente esta angústia que me levou a cometer a minha primeira tentativa de suicídio”, começa por revelar a socialite, que em janeiro de 2007 mandou matar o marido, Paulo, o que lhe valeu uma pena de 21 anos de cadeia. Maria das Dores lançou esta semana o livro em que conta a sua versão da história e da sua vida com Paulo, e em que conta os dois episódios de tentativas de suicídio.

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“Entendi que a minha vida estava nas mãos de um juiz e que seria ele quem iria decidir a minha inocência (…) Mas compreendi que não estava disposta a deixar a minha vida nas mãos de ninguém, nem sequer de um juiz”. Foi então que tomou a decisão de se matar, enforcando-se na prisão. Mas tinha um problema: como só tinha uma mão — perdeu a outra na sequência de um acidente de viação —, não conseguia fazer tudo sozinho, por isso necessitaria de ajuda. Foi o que fez: pediu ajuda a uma colega de cela, que não teve problemas em ajudá-la. “Ainda hoje me pergunto como foi possível que uma das reclusas aceitasse ajudar-me. Arrependi-me no mesmo instante em que senti o lenço à volta do pescoço. E gritei por ajuda. E vieram ajudar-me. Quando entenderam que tinha tentado suicidar-me, transferiram-me para a ala psiquiátrica“.

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Mas houve uma segunda tentativa de suicídio, esta desconhecida até ao dia do lançamento do livro. Maria das Dores tentou matar-se quando ainda não tinha sido sequer condenada pelo crime. “Não seria a última vez que tentaria suicidar-me. A segunda vez foi quando algum tempo depois, já ia o julgamento muito adiantado, eu voltei a ter um momento de fraqueza. Senti que, caso fosse condenada, não ia ser capaz de aguentar a sentença”. Maria das Dores chegou mesmo a deixar uma carta de despedida aos filhos. “Dessa segunda vez, não falei com ninguém, mas escrevi umas linhas, em jeito de carta de despedida: ‘Desculpem, meus filhos, por aquilo que vos estou a fazer passar (…) Não quero continuar a viver assim (…) Não aguento mais, não consigo mais não ser compreendida, ser acusada (…) Sinto-me a morrer aos poucos, tenho medo, quero ir para perto do meu marido'”. E foi então que se dirigiu à zona dos duches e tentou enforcar-se, desta vez sem ajuda de ninguém.

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“Depois, não pensei mais. Meti-me nos duches e subi a uma cadeira. Como pude, pus um lenço à volta do chuveiro e enrolei-o (…) Então, dei um pontapé no banco para ficar pendurada no ar. Senti um golpe seco na garganta, enquanto me faltava a respiração. Meu Deus, o que eu estava a fazer?, pensei, num último momento de sanidade. Arrependi-me, enquanto agarrava o lençol com a mão à procura de uma forma de recuperar a respiração”. Maria das Dores acabou por ser salva nos últimos instantes. “Estava quase a perder a consciência (…) Nesse instante, um enfermeiro entrou nos duches e agarrou-me pelas pernas, levantando-as de forma a permitir que recuperasse a respiração”.