As pessoas compram mais 60% de roupa hoje, face ao consumo em 2000. Estes números, avançados pela Greenpeace, são um reflexo do aumento das cadeias fast fashion, que não só apresentam preços convidativos, como também têm uma rotatividade de peças muito grande nas coleções.

O plástico estará longe de ser o único interveniente para o aumento da pegada ecológica. Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, os têxteis também são um problema: só em Portugal, foram recolhidas 200.756 toneladas de tecido em resíduos urbanos — e se somarmos o valor dos sete anos anteriores, o número sobe para 1,2 milhões de toneladas.

Além de frequentemente falhar na sustentabilidade social, por ter uma força de trabalho formada por trabalhadores em condições muito precárias, a industria da moda é altamente exigente com a natureza: segundo a “BBC”, é responsável por 20% das águas residuais em todo o mundo e 10% das emissões de carbono.

Tanto assim é, que começam a surgir vozes que encorajam a redução deste consumo. Por exemplo: o movimento de protesto climático Extintction Rebellion está a pedir às pessoas que não comprem roupas novas durante um ano.

Como resposta, há quem compre de forma mais consciente, mas há também quem vá em busca de soluções mais ecológicas. Atualmente, já existe um conjunto de materiais biológicos que vêm substituir aqueles que lesam o ambiente, como o algodão ou o couro — e não falamos de couro sintético, porque esse tem microplásticos e demora muitos anos para se biodegradar.

Mas o Piñatex, relata o mesmo canal britânico, é uma boa alternativa: é uma substância semelhante ao couro, criada a partir de folhas de abacaxi descartadas e que já têm integrado coleções de grandes marcas, como H&M ou Hugo Boss.

Na linha Conscious, a H&M tem apostado em alternativas de tecidos mais sustentáveis

Outra alternativa é o micélo: é uma estrutura dos cogumelos, muito versátil — atém de servir para criar tecidos, também tem sido peça para a criação de alimentos ou embalagens. Uma das grandes vantagens prende-se com a independência deste fungo: crescem em muita quantidade e não precisam de grandes cuidado — o que significa que o material pode ser feito de forma regular e em pouco tempo.

É este micélio que a empresa de têxteis Bolt Thread usa para criar o seu couro mylo — aquele que faz parte dos projetos de Stella Mccartney, estilista que tem também apostado em “seda” vegan, que nasce de leveduras de bioengenharia.

“Percebi que agora os consumidores estão muito mais interessados ​​em encontrar uma alternativa sustentável”, diz, citada pela “BBC”, Jamie Bainbridge, chefe de desenvolvimento de produtos da Bolt Threads.

“As alternativas atuais ao couro, como o poliuretano, são muito baratas. Mas geralmente são baseadas em petróleo que, como a criação de animais, não são boas para o meio ambiente.”

A estilista Stella McCartney tem apostado no mylo, um substituto sustentável ao couro

No entanto, e como acontece com a maioria dos produtos inovadores, é caro: o valor está próximo da quantia do couro real, vindo da indústria animal.

Também se procuram alternativas ao algodão. É que, assim como o couro, este material consome uma quantidade de recursos enorme. Por exemplo: são necessários 15 mil litros de água para fazer um par de jeans.

Encontrar uma solução que substitua o famoso tecido é um dos principais objetivos de quem desenvolve têxteis sustentáveis. Já existem algumas.

O tencel, a que também se dá o nome de Lyocell, é uma alternativa ao algodão. A sua pegada ecológica parece ser substancialmente menor: produzido pela extração de fibra de celulose das árvores, dados apontam para que a sua produção use menos 95% de água do que a do algodão.

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Este material esteve, segundo reporta o mesmo canal, “décadas à margem da moda”. Porém, começa agora a ser valorizado: o Grupo Lenzing, na Áustria, está a ter uma forte procura por este material estando, por isso, a construir a maior fábrica de Lyocell do mundo na Tailândia. Problema: o preço — apesar do aumento da procura, este substituto é mais caro logo, prevê-se que a maioria dos fabricantes continue a preferir o algodão normal.

Richard Blackburn é especialista em materiais sustentáveis da Leeds School of Design e um grande fã da tencel — acredita que o método de extração pode ser expandido a outros produtos, como plantas com alto teor de celulose, caules e folhas, criando diferentes tipos de fibras sustentáveis.

Mas também chama a atenção para a urgência na mudança de paradigma. Ou seja: não basta encontrar materiais mais sustentáveis para equilibrar a balança da pegada ambiental — os consumidores têm de mudar de hábitos, isto é, comprar melhor, mas menos. A roupa não pode ser vista como um item descartável, para usar e deitar fora. É um investimento, que deve durar e ficar connosco.

“É difícil, porque você pode obter o que quiser com a moda rápida com o clique de um botão”, diz a blogger de moda vegan Sarah King. “Comprar eticamente leva mais tempo, mas dura, e acho que é isso que é a verdadeira moda”.