Catarina Barreiros e Bruno Alves conheceram-se há muitos anos, nos escuteiros. Passaram anos sem se verem, até que descobriram que eram vizinhos no Lumiar. Entretanto ela tinha mudado o estilo de vida para uma sem desperdício e Bruno já era vegan. Pelo caminho encontraram lá no bairro Sara Diniz, também ela adepta destas mudanças que fazem o mundo melhor, mas mais conhecida pelo slow living. É que ainda que seja enfermeira e tenha os horários mais loucos deste trio, é aquela que não se importa de trocar a rapidez de uma cápsula de café pelo tempo que demora a água a aquecer para o seu café de filtro.

Bateram à porta uns dos outros e, aproveitando que Catarina está no final da gravidez, decidiram juntar-se em casa para um brunch. Bruno tratou do menu, Sara da decoração e Catarina, já sem grande mobilidade, assegurou que tudo era feito sem gerar desperdício.

“Foi ainda à mesa que pensámos: ‘Porque não fazer isto para os outros?'”, conta à MAGG Catarina que, ainda que continue a trabalhar em marketing, agarrou a causa do zero waste como sua, tanto no blogue que criou sobre sustentabilidade como na página de Instagram na qual partilha dicas e alertas.

Lançaram uma data e em 20 minutos esgotaram os 12 lugares à mesa. No segundo, marcado para este domingo, dia 15, foi ainda mais rápido: dez minutos. Mas não se preocupe que este crescimento já fez este trio pensar em levar o brunch para fora de casa e para um sítio com capacidade para mais pessoas. “Há quem nos peça o serviço para eventos privados e também para fazermos noutras zonas do País, como o Porto, Faro, Coimbra, e essas são todas opções nas quais estamos a trabalhar”, garante Catarina.

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Para já, o brunch acontece no Lumiar, em Lisboa, e vai rodando entre as casas dos três. Já o menu, só podemos assegurar que é vegan. De resto muda consoante o que há no mercado. “Só trabalhamos com produtos locais e da época e não usamos embalados”, esclarece Catarina. Mas conte sempre com quiches, saladas, panquecas, granola, bolos, bebidas vegetais, húmus e manteigas de frutos secos. As compras são feitas a granel e as doses criadas na medida certa, para que não haja desperdício. “Mas sobra sempre alguma coisa, é inevitável”. Mas para isso, os anfitriões têm solução. “Temos uns tupperwares de vidro nos quais pomos as sobras para cada convidado levar para casa”, conta.

Além disso, a polpa da fruta que sobra dos sumos é aproveitada para os bolos e os restos que ficam dos frutos secos usados nas bebidas vegetais passam a ser ingredientes para biscoitos. Só mesmo o que não pode ser reaproveitado é que vai para compostagem.

A cargo de Sara fica o café, claro, mas também toda a decoração. Durante a semana tinge tecidos com pétalas de flores e caroços de abacate para deles fazer as toalhas e os guardanapos. Os últimos foram feitos a partir de uma colcha antiga que Bruno tinha em casa.

O brunch (com um preço a partir dos 30€) acontece todos os meses, sem data fixa – os dias são anunciados na página de Instagram, na qual devem ser feitas as reservas).