Uma forma de pneumonia misteriosa — a lipóide aguda — atacou 250 pessoas nos Estados Unidos, avança um relatório do Centers for Disease Control and Prevention (CDCP), publicado esta sexta-feira, 13 de setembro.

“Os cigarros eletrónicos produzem um aerossol, através do aquecimento de um líquido que geralmente contém nicotina, aromas e outros produtos químicos que os utilizadores inalam, um comportamento geralmente chamado de ‘vaping'”, pode ler-se no documento.

Apesar de ser um condição pulmonar pouco conhecida, há um ponto comum nos cinco últimos pacientes que, com esta doença, deram entrada em dois hospitais do estado da Carolina do Norte: usam cigarros eletrónicos — que incluem o principal composto psicoativo da cannabis, o THC.

“Nos últimos meses, mais de 200 casos possíveis de lesão pulmonar aguda potencialmente associada ao vaping foram relatados em 25 estados”, diz o CDCP. “Durante julho e agosto de 2019, cinco pacientes foram identificados em dois hospitais da Carolina do Norte com lesão pulmonar aguda, potencialmente associada ao uso de cigarros eletrónicos.”

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O mesmo relatório descreve que os raio-X dos pacientes mostraram que os pulmões estavam a acumular gorduras, acontecimento associado à utilização destes aparelhos que vieram substituir a utilização do cigarro tradicional.

A pneumonia lipóide ocorre quando pequenas partículas de gordura ou de óleo entram nos pulmões, inflamando o revestimento deste órgão, explica a CDCP. O mesmo documento avançou que os doentes têm idades compreendidas entre os 18 e 35 anos e que, durante vários dias, sentiram falta de ar, náuseas e vómitos antes de serem hospitalizados.

Mas nem sempre a sintomatologia da doença é flagrante. Apesar de alguns doentes apresentarem estessintomas  — a que se podem somar dores no peito, tosse, problemas respiratórios — , também é frequente os sinais serem subtis. Nestes casos, levantam-se dois problemas: não é facilmente detetável e, por isso, o diagnóstico e o tratamento podem vir tardiamente.

A incidência da doença não é grande — na verdade, é bastante rara. Ocorre em apenas 2,5% da população, dado avançado por um estudo de 2003, realizado pela  Albert Einstein College of Medicine e Montefiore Medical Center, em New York.