Encomendou a morte do marido, o empresário Paulo Cruz, que foi assassinado num prédio em Lisboa. Condenada em 2008 a uma pena de 23 anos, Maria das Dores continua presa mas acaba de lançar um livro biográfico onde conta o seu lado da história. “Eu, Maria das Dores, Me Confesso” chega às livrarias esta sexta-feira, 13 de setembro, e é um ato de amor para com o filho mais novo, Duarte, que não vê desde que foi presa. As palavras terão sido ditas pela própria e repetidas pelo filho mais velho, David Motta, na apresentação do livro aos jornalistas.

Depois de descobrir calcificações na mama, a socialite portuguesa sentiu que podia estar na iminência de morrer. “Desde aí a mãe entrou num estado de consciência de que o fim estava perto e decidiu que gostaria de deixar alguma coisa ao filho mais novo [Duarte], de chegar até ele e de lhe pedir perdão”, revelou David Motta na apresentação.

Ao longo de 182 páginas, Maria das Dores confessa que mandou matar o marido num crime que terá sido motivado pelo ciúme e pelos maus-tratos de que era alvo. Mas também pede perdão ao filho mais novo, o único fruto da relação com Paulo Cruz: “Duarte, perdoa-me. A minha sentença não é a prisão, é saber que, por aquilo que te fiz, não mereço voltar a ver-te. Mas, se algo desejaria, antes de morrer, era que um dia pudéssemos voltar a estar os três, juntos outra vez”, lê-se numa das páginas do livro de Maria das Dores.

Duarte nunca mais falou com a mãe

Quando o crime aconteceu, Duarte tinha 8 anos. Em tribunal, pediu ao juiz que a mãe não existisse mais. O homicídio foi um choque para a criança: no julgamento, a psicóloga infantil que o acompanhava revelou que estava perturbado. Segundo o jornal “Público“, que acompanhou o julgamento em 2008, a criança, “superiormente inteligente”, recusava-se a falar sobre o assunto e tendia para o isolamento.

Mas começava a melhorar desde que a guarda tinha sido entregue aos avós paternos. De facto, foi com eles e com os tios que Duarte cresceu, sempre longe da prisão de Tires ou dos holofotes da imprensa. Pouco se sabe sobre ele, exceto que deve ter 21 anos e frequenta o segundo ano do curso de Medicina.

“Não vejo o meu filho desde o primeiro dia em que entrei na cadeia. Não porque o tribunal tenha dito que não. Aliás, era suposto vê-lo todas as semanas. Houve uma marcação para ele me visitar, porque entrei e fui parar à Clínica Psiquiátrica de Caxias, e até era um lugar mais calmo para me visitar, mas ele não apareceu. Ninguém o levou. Foi-me dedo um número de telefone para eu ligar, mas ninguém me atendia”, disse em entrevista à revista “Cristina”, em julho deste ano.

Apesar de saber que o filho não quer ter nenhum tipo de relação com a mãe, Maria das Dores afirma que “não gostava de morrer sem explicar ao meu filho o porquê. E gostaria de poder explicar tudo”. 

Entrevista a Cristina Ferreira fez com que Maria das Dores perdesse o direito a saída precária da cadeia

David Motta é amigo de José Castelo Branco

Além de Duarte, fruto do casamento com Paulo Pereira da Cruz, Maria das Dores é ainda mãe de David Motta, fruto de um relacionamento anterior. O filho esteve sempre do seu lado.

“Não me pôs de lado. Eu tenho de agradecer ao meu filho mais velho o quanto ele foi compreensivo comigo e é por ele que eu estou aqui. Porque, senão, eu não estava. Porque morri no dia em que o Paulo morreu”, disse a socialite a Cristina Ferreira.

Depois da condenação da mãe, David saiu do país e foi estudar Belas Artes na L’École des Métiers de la Communication, em Nova Iorque. Começou a carreira na “Vogue” americana, em 2008, no entanto, regressou no ano passado, onde marcou presença na ModaLisboa. O produtor assistiu ao desfile de Filipe Faisca com alguns amigos, nomeadamente José Castelo Branco, que o ajudou a tornar-se conhecido. Na altura afirmou que o regresso era “para já definitivo”, garantindo contudo que o seu trabalho na moda o obrigava a “viajar muito”.

Apesar de David estar em viagens de trabalho constantes, nunca quis deixar de visitar a mãe. “Quando eu visito a minha mãe, as outras reclusas têm famílias inteiras de cinco e seis pessoas. Durante estes anos todos, à exceção da irmã e de um melhor amigo, tenho sido só eu a visitar. E o meu trabalho implica que eu não esteja muitas vezes em Portugal de maneira que, se não fosse eu, teriam sido dez anos efetivamente sem ninguém”, revelou o produtor de moda na apresentação do livro.

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