Maria das Dores lançou esta quinta-feira, 12 de setembro, o livro “Eu, Maria das Dores, me Confesso“, em que assume que mandou matar o marido, Paulo, mas em que conta muitas histórias paralelas ao caso que abalou o País em 2007. Uma delas tem que ver com a primeira pessoa que a visitou na cadeia, José Castelo Branco, que foi a Tires ver a “amiga” poucas horas depois de ela ter sido detida. O que supostamente seria uma visita de solidariedade e amizade foi, afinal, uma forma de Castelo Branco poder ganhar dinheiro, como acusa Maria das Dores no livro.

A história começa de manhã cedo. Maria das Dores havia dado entrada no Estabelecimento Prisional de Tires no dia anterior, já de noite, quando as reclusas dormiam. Algumas horas depois, já de dia — “talvez nem sequer oito da manhã fossem”, uma guarda abriu a porta da cela e pediu a Maria das Dores para a acompanhar.

“Será para me tirarem daqui?”, questionou-se na altura, como releva no livro. “Não era. Era só para me levar para o escritório da diretora. Tinha uma visita”. A socialite estava esperançada de que a visita fosse o seu filho mais novo, Duarte, mas teve uma surpresa quando percebeu que não era o filho, mas sim Castelo Branco.

“Maria, como está minha querida?”, perguntou-lhe o marchant de arte, à época uma estrela dos reality shows, com presença diária na televisão e em todas as revistas do social. Maria das Dores notou que Castelo Branco ficou incomodado com a sua imagem. “Procurou disfarçar o seu espanto, mas consegui ver na forma como olhava para mim com um certo ar de pena que me fez sentir ainda mais vulnerável“, revela no livro. “O Zé aproximou-se de mim e deu-me um abraço”. Até então, Maria das Dores estava convencida de que a visita era uma cordialidade, embora a achasse estranha, porque, afinal, não eram assim tão amigos. Haviam-se conhecido uns tempos antes, através do filho mais velho de Maria das Dores, David Motta, amigo próximo de Castelo Branco.

“Apesar desta relação de amizade, mais social do que íntima, naquele dia, na prisão, a última pessoa que esperava ver era o José. Foi uma visita curta e ainda hoje me pergunto quais foram as verdadeiras razões para que o José Castelo Branco decidisse rumar a Tires para saber como eu estava. Infelizmente, pouco tempo depois, acabei por perceber o interesse dele em visitar-me, quando a fotografia que pediu para me tirar apareceu publicada na imprensa”, conta a socialite que cumpre uma pena de 21 anos de prisão, por ter mandado matar o marido. “Como pôde trair-me daquela maneira? Não teve escrúpulos de fazer negócio com a minha desgraça? E esta traição doeu-me ainda mais por causa da importância que a sua visita tinha para mim. Sentia-me desamparada, perdida, morta de medo, naquele local tão diferente daqueles a que estava acostumada”, conta Maria das Dores no seu livro.

Entrevista a Cristina Ferreira fez com que Maria das Dores perdesse o direito a saída precária da cadeia

“Descobrir, pouco tempo depois, que me tinha utilizado para ganhar dinheiro destruiu-me por dentro (…) Não sei se quando vendeu a fotografia ao ’24horas’, o José Castelo Branco teve consciência do que essa publicação iria desencadear”, continua a socialite, que explica que as consequências desta traição não se ficaram na relação entre os dois, e afetaram a própria diretora da cadeia. “A diretora do estabelecimento prisional foi imediatamente afastada da instituição. Tínhamo-nos encontrado numa sala privada e fora do horário permitido para o resto das visitas, e o Zé trazia o telemóvel dele, o que também não era permitido”, conta.

Contactado pela MAGG, Castelo Branco começa por dizer que prefere “não comentar” o assunto, mas garante que Maria das Dores não está a contar a história toda. “Eu não a visitei para lhe tirar uma foto, eu fiz-lhe uma entrevista, a que ela respondeu por escrito, e assinou por baixo. No final, o guarda, que estava presente, tirou-nos uma fotografia”. O marchant de arte garante que não recebeu “nem 1 euro” pela foto. “Eu tinha uma página no 24horas, e recebia pelo meu trabalho nessa página. Não recebi rigorosamente mais nada por essa foto, e se tiverem dúvidas perguntem ao diretor do jornal na altura, o Pedro Tadeu”. Por fim, Castelo Branco estranha estas acusações, até porque, como explicou, Maria das Dores agradeceu-lhe “várias vezes” o facto de ter ajudado o seu filho, David Motta.