Ângelo Rodrigues. “O risco de morte é elevadíssimo e o risco de amputação também”

“O facto de este rapaz estar vivo já é uma exceção. A maior parte dos doentes morre”, explica à MAGG um médico ortopedista.

O ator tem uma infeção que vai do pé à zona lombar

Ângelo Rodrigues continua internado no Hospital Garcia de Orta, em Almada. Depois de três cirurgias, uma paragem cardíaca e a necessidade de o colocar em coma induzido devido ao choque séptico, o ator de 31 anos recupera agora lentamente. Já consegue comer sozinho, no entanto a infeção alegadamente provocada pelas injeções de testosterona continua a ser grave. Segundo avança o “Correio da Manhã” esta quarta-feira, 4 de setembro, estende-se do pé até à zona lombar.

Uma fonte hospitalar confirmou ao jornal que a infeção está na perna esquerda e que abrange uma grande área. O ator foi submetido a um tratamento numa câmara hiperbárica, de modo a conseguir travar a infeção e, por consequentemente, salvar a perna.

“Houve uma grande remoção de tecidos na zona da nádega e gémeo”, disse a mesma fonte, acrescentando que isto poderá comprometer a mobilidade do ator. Caso o resultado da câmara hiperbárica não seja o esperado, Ângelo Rodrigues enfrenta uma possível amputação da perna.

À MAGG, Luís Frederico Braga, médico ortopedista no Hospital Lusíadas em Lisboa, garante que o ator corre sérios riscos de perder a perna esquerda. Nestes casos, continua, “o risco de morte é elevadíssimo e o risco de amputação também”.

“O facto de este rapaz estar vivo já é uma exceção. A maior parte dos doentes morre”, diz. Para explicar a gravidade da situação, Luís Frederico dá o exemplo das notícias que circularam pela imprensa nos últimos dias. “Pelo que ouvi, por causa da infeção já fez uma paragem cardíaca – o que dá uma ideia da gravidade do caso. Neste momento, o facto de ele continuar vivo é um bom sinal”.

Luís Frederico Braga é médico ortopedista no Hospital Lusíadas Lisboa

O ortopedista explica que, em caso de infeção, os médicos fazem-se valer de duas coisas: de antibióticos e da remoção dos tecidos necrosados para tentar que não haja novas fontes de contaminação. Neste caso em particular, existe uma grande quantidade de tecido infetado que se traduz numa infeção num membro. A perna esquerda estará infetada e se ela não responder rapidamente o ator enfrenta a possibilidade de amputação.

A amputação é um processo “longo, demorado e fruto de muitos médicos e terapeutas”

A amputação total da perna é “raríssimo”, garante o especialista. É demasiado agressivo e, portanto, os médicos preferem não recorrer a ela. Havendo a amputação de um membro inferior, “geralmente é ao nível do joelho, imediatamente abaixo do joelho, ou ao nível da coxa ou imediatamente abaixo da coxa”. Este tipo de decisões são tomadas momento a momento, conforme a evolução da infeção e do membro.

Como se toma a decisão de amputar um membro?

À MAGG, Luís Frederico Braga, médico ortopedista, explica que a opção é muito técnica. “Não é uma decisão de parecer ou achar, é uma decisão com regras e com parâmetros químicos e laboratoriais”.

Quando o doente está acordado, é incluindo na decisão. Existem aqueles que aceitam e outros que recusam e preferem “aceitar a evolução da morte.” Quando o paciente está inconsciente, esta decisão cabe à equipa médica. “Se os médicos acham que amputar vai salvar a vida ao doente, não vão hesitar”, explica.

Caso este cenário se verifique, a recuperação será a parte “menos má”, refere o médico. “Existem respostas muito boas aos doentes amputados e consegue-se fazer muita coisa com membros de prótese”. Atualmente, as próteses são de boa qualidade para a vida do dia a dia, ou até para fazer desporto.

Ainda assim, são necessários pelo menos seis meses de recuperação para quem perde um membro. Primeiro existe um processo de cicatrização, de seguida pode haver a necessidade de adaptar o coto à prótese, através de uma cirurgia, e finalmente há que habituar o doente à prótese. O ortopedista alerta que é um processo “longo, demorado e fruto de muitos médicos e terapeutas”. Só assim se consegue um bom resultado.

Mas é este cenário de amputação que se tenta evitar a todo o custo. A câmara hiperbárica serviu exatamente para isso: acelerar a cicatrização e potenciar o efeito dos antibióticos foi o principal objetivo. Tudo com vista a que o ator mantenha o membro inferior.

No caso de não haver amputação, o especialista alerta que a recuperação total é pouco provável. Primeiro porque, conforme o que foi saindo na imprensa, a gravidade será tão grande que “vai haver sempre alguma perda”. O andar com recurso a muleta poderá ser uma hipótese ainda que esta não seja a “pior coisa” que lhe possa acontecer.

“Ele passou por momentos de morte com necessidade de reanimação. Isto levou a uma falta de oxigenação cerebral e daí podem resultar alterações da consciência”.

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