Se vai para Barcelona, em Espanha, vai querer comer tapas. Se viajar para Marrocos, faz questão de visitar os souks. São uma espécie de requisitos turístico básicos, integrados nos roteiros de quem vai conhecer sítios novos. Mas este tipo de viagens, que, segundo o “Business Insider“, eram tendência há cinco anos, já não são a forma preferida dos viajantes explorarem o mundo.

Se antes a moda passava pela procura de experiências e vivências com a cultura local, hoje a tónica está no próprio indivíduo. A nova forma preferida de viajar chama-se viagem transformacional. “É a onda evolutiva, que não descarta o foco nas experiências autênticas, mas leva-as a um nível emocional mais profundo”, refere o relatório de tendências de 2018 da Global Wellness Summit. O objetivo, de acordo com o Conselho de Viagens Transformacionais, fundado em 2016, é expandir, aprender e crescer para novas formas de ser e de se envolver com o mundo.

Este envolvimento com o destino de viagem vai, por isso, além das experiências anteriores: envolve explorar sítios sem serem planeados e procurar atividades para promover o bem-estar ou para conhecer mais sobre a natureza de locais remotos, mesmo que seja através de um parque nacional.

Os grupos de viagem que o levam a viver experiências diferentes pelo mundo

“[Os viajantes] dizem: ‘Eu posso fazer melhor. Eu posso ser uma versão melhor de mim mesmo’. Acho que as pessoas vêm aqui e inspiram-se para fazer isso”, referiu ao site de notícias norte-americano “Business Insider” Chris Roche, diretor de negócios da Wilderness Holdings, proprietária da Wilderness Safaris, uma empresa de safaris de luxo.

Esta empresa permite aos clientes terem experiências em países africanos, onde podem trabalhar nos acampamentos locais, comprar produtos frescos e das comunidades locais e ajudá-los a reservar a água da chuva. “Nós vendemos [às pessoas] a capacidade de se voltarem a conectar com a natureza e, como resultado, de se voltarem a conectar com eles mesmos, com os seus parceiros ou filhos ou com quem eles estão a viajar”, indicou Roche.

As viagens transformacionais em Portugal

Além do desenvolvimento emocional, o conceito passa também por dar às pessoas a capacidade de se desligarem das pressões do dia a dia, longe do seu ambiente natural. “Viajar, na sua forma mais pura, muda as perspetivas, liberta a imaginação, inspira a compreensão e cultiva a empatia, que por sua vez promete paz”, referiu Jake Haupert, co-fundador do Conselho de Viagens Transformacionais, à revista norte-americana “Forbes“, acrescentando ainda que “transformação pessoal resulta em transformação global”.

Em Portugal, já existe uma empresa que pretende dar aos clientes esta possibilidade. Mesmo que não seja num safari, pode negociar nos mercados da Índia ou chegar até ao Paso del Viento, na Argentina, para admirar uma vista indescritível — e que talvez lhe traga uns bons minutos de introspeção. Estes são alguns exemplos de roteiros organizados pela agência portuguesa de viagens Nomad, que se foca na descoberta cultural e no trekking.

Mas não é a única. Também em Portugal, há outro projeto que vai ao encontro dos ideais defendidos pelos princípios da viagem transformacional. Chama-se Macro Viagens, uma agência de turismo responsável, que define os roteiros em grupo que organiza como sendo “realistas, éticas, vegetarianas e com uma forte componente espiritual”, de acordo com o site. Recorde o artigo da MAGG com grupos de viagens que o levam a viver experiências diferentes pelo mundo.