Se criasse uma conta de Facebook no início de agosto, a empresa prometia um serviço sempre gratuito através de um slogan que entretanto já foi alterado. “É gratuito e vai sempre ser” foi substituído pela frase “É rápido e fácil”. Esta mudança significa que a gigante tecnológica de Mark Zuckerberg vai começar a cobrar dinheiro aos utilizadores através de uma subscrição? Talvez não, mas isso não quer dizer que quem usa a rede social já não esteja a pagar de outra forma.

A mudança de slogan foi inicialmente descoberta pela revista “Business Insider”. Usando o serviço Archive, que serve como uma máquina do tempo para que se possa ver como eram as páginas web no passado, é possível ver que a mensagem junto ao botão de registar foi mudada a 7 de agosto.

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Desde então que deixou de haver qualquer menção no site do Facebook à gratuitidade da plataforma. A mudança na forma como a rede social é apresentada vai ao encontro daquilo que os mais recentes escândalos de privacidade pareceram confirmar: que a informação dos utilizadores registados é valiosa e serve como moeda de troca entre a empresa e as agências de publicidade.

Ainda à mesma publicação, José Antonio Castillo, advogado e especialista em lei digital, explica que a mudança na comunicação pode ter que ver com uma nova diretiva aprovada pelo Parlamento Europeu em maio — que reconhece que a partilha de informação é também uma forma de pagamento.

Mas o especialista vai ainda mais longe e não tem dúvidas de que o Facebook, apesar de dizer o contrário, nunca foi uma plataforma gratuita.

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“O Facebook não é grátis e nunca foi. A moeda que a rede social usa para negociar sempre foi e vai continuar a ser a informação pessoal e privada dos seus utilizadores. E nunca foi grátis porque essa informação vale muito dinheiro”, conclui.

Na página referente aos termos e condições da plataforma, o Facebook garante que “não é capaz de garantir que a plataforma vá ser sempre gratuita.”