Além dos filmes que já se tornam clássicos do cinema contemporâneo, Quentin Tarantino é ainda conhecido por ter opiniões fortes sobre quase tudo — mesmo que, mais tarde, se venha a arrepender de as ter partilhado. Estávamos em meados de 2003 quando, em entrevista ao programa de Howard Stern, o realizador norte-americano defendeu Roman Ponlanski, depois de este ter sido acusado de violar uma menor em 1977.

Tarantino disse que a jovem provavelmente quis ter sido violada, mas, anos mais tarde, em 2018, aproveitou o escândalo que envolveu Harvey Weistein e as acusações de assédio para retificar o que tinha dito. Em 2018, tal como escreve a revista “Vanity Fair”, pediu desculpa pelos comentários e admitiu só querer provocar.

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Agora, com “Era Uma Vez… em Hollywood”, Tarantino voltou a ser notícia pela forma como caricaturou a figura de Bruce Lee e por ameaçar membros da equipa de produção se fossem vistos com telemóveis na mão.

Parece que a relação do realizador com as tecnologias é tudo menos fácil. É que Tarantino recusa-se a aderir à moda do streaming e acredita que o crescimento de plataformas como a Netflix são a coisa “mais deprimente” que alguma vez viu. E não se fica por aqui.

Mostramos-lhe os quatro tipos de tecnologia que Quentin Tarantino ainda hoje se recusa a usar.

1. Prefere gravar em 35mm e resiste ao formato digital

Segundo a revista “Insider”, foi durante a edição de 2014 do Festival de Cannes, em França, que o filme “Pulp Fiction” foi exibido para celebrar os 20 anos após a estreia. No entanto, foi a única produção do evento a ser exibida no formato original em que tinha sido gravada e Quentin Tarantino revoltou-se contra o uso projeção digital.

“No que me diz respeito, a projeção digital é a morte do cinema. É simplesmente como ver televisão, mas no cinema. Estou esperançoso de que, embora esta geração esteja perdida, a próxima seja mais exigente e queira o produto real. Espero mesmo que a próxima geração seja mais inteligente do que a atual e percebam aquilo que perderam”, terá dito, cita a revista “IndieWire”.

Embora o formato digital seja mais fácil de redimensionar sem que isso se traduza em perda de qualidade de imagem nas plataformas de streaming, o realizador norte-americano também já fez saber que se recusa ser utilizador das várias plataformas já disponíveis no mercado.

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2. Da Netflix à HBO, Tarantino não discrimina: odeia-as a todas

Em 2015, a mesma revista publicou um excerto do livro “I Lost it at the Video Store: A Filmmakers’ Oral History of a Vanished Era”, no qual vários realizadores de cinema falam sobre o futuro e o crescimento do streaming no mercado.

Uma das posições registadas no livro pertence a Darren Aronofsky (“Black Swan”), que se mostra tranquilo quanto à emergência de plataformas como a Netflix.

“A maioria das pessoas vai ver os meus filmes num iPhone. Aliás, quando editámos o som do filme ‘Noah’, fizemo-lo num iPad para que as pessoas o pudessem ver com som estéreo naquele equipamento. Há mercado e tens de estar consciente disso. Não o podes controlar”, terá dito.

A posição de Quentin Tarantino não deixou dúvidas: “Essa é talvez a coisa mais deprimente que ouvi na minha vida. Não estou, de todo, entusiasmado com o crescimento do streaming. Gosto de ter alguma coisa na minha mão e não consigo ver um filme no computador. Nem uso a Netflix”, explicou.

3. Também não tem e-mail e usa um atendedor de chamadas antigo

Em entrevista à BBC Radio 1 para promover o filme “Era Uma Vez… Em Hollywood”, Brad Pitt revelou que o realizador não adere às novas tecnologias de comunicação.

“Ele não tem conta de e-mail.” Por isso, a melhor forma de contactar Quentin Tarantino envolve sempre dois passos fundamentais: ligar para o número fixo e deixar uma mensagem num atendedor de chamadas antigo que já (quase) ninguém usa.

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4. Os telemóveis são proibidos nas gravações

Além de não usar conta de e-mail, o realizador parece ter um ódio de estimação a telemóveis. Quem o diz é o ator Timothy Olyphant (“Uma Fuga Perfeita”) que, em entrevista, revelou que Tarantino despedia aqueles que fossem vistos a usar smartphones durantes as gravações de “Era Uma Vez… em Hollywood”.

“Nenhum telemóvel é permitido. Se tirares um do bolso? És despedido. Não há nenhum aviso. Vais para casa naquele momento. Não estou a brincar”, escreve a revista “Insider”, citando-o.

No caso de um dos atores ou membros da produção precisar de fazer uma chamada, devem sair do estúdio e dirigir-se às cabines estrategicamente colocadas no exterior. Mais do que odiar a tecnologia, talvez se possa argumentar que aqui o medo é que os detalhes do filmes fossem expostos antes de ser lançado no cinema.