Faz sentido haver sobretaxa em produtos com bebida vegetal? Duas organizações dizem que não

No Starbucks, paga-se mais por um latte com bebida de coco. No Dia Mundial da Bebida Vegetal, duas organizações pedem o fim da taxa.

A Pret A Manger e a Starbucks são algumas das cadeias que cobram taxas extra pelas bebidas vegetais

“Bom dia. Queria um latte com bebida de amêndoa, por favor.” Como resposta, ouvimos: “Tem um custo adicional de 0,30€”, o que nos deixa revoltados, porque é muitas vezes este o único recurso para quem está a querer mudar os seus hábitos alimentares. Mas e se este valor extra deixasse de existir em algumas cadeias de cafés e não tivesse que pagar mais por escolher a tal bebida de amêndoa?

É isso mesmo que, no Dia Mundial das Bebidas Vegetais, que se celebra esta quarta-feira, 22 de agosto, sugerem as organizações vegan Veganuary e a ProVeg International.

Taxa extra pelas alternativas ao leite de vaca na cadeia Starbucks em Portugal

Bebida de coco: +0,30€

Leite sem lactose: +0,15€

Bebida de soja: +0,30€

Starbucks/Zomato

“Remover a sobretaxa, muitas vezes referida como ‘imposto vegan’, tornaria, definitivamente, mais fácil que mais pessoas experimentassem opções vegan”, refere Toni Vernelli, chefe de comunicação da Veganuary, ao jornal inglês “The Independent”. Entre as cadeias que as organizações referem estão a Pret A Manger e a Starbucks — que também em Portugal aplica o custo extra em pedidos que incluam este tipo de produto.

Há já algum tempo que esta taxa está no centro de controvérsia. Foi por isso que no inicio de agosto a organização PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) lançou uma petição para acabar com o preço extra das bebidas vegetais nos cafés Starbucks. “A Starbucks deveria estar a encorajar os clientes a escolher bebidas vegan e amigas dos animais em vez do leite de vaca”, lê-se na petição, que conseguiu mais de 50 mil assinaturas.

Há muitas razões que indicam que esta seria uma medida favorável tanto para os consumidores, como para o ambiente. É que há cada vez mais pessoas a optar por esta alternativa, seja porque preferem o sabor, porque baniram os produtos de origem animal ou por que sofrem de algum tipo de intolerância.

A bebida de soja parece ser a única que consegue escapar à taxa extra. É assim que acontece em algumas cadeias, como é o caso da Pret A Manger, do Caffe Nero e da Starbucks. Porquê? “Apesar de a soja ser atualmente oferecida em muitas cadeias, é um alergénio (substância que pode originar uma reação alérgica) relativamente comum, por isso muitas pessoas que não consomem lacticínios escolheriam bebida de aveia, coco ou amêndoa em vez de soja”, justifica Vernelli ao jornal inglês.

Apesar da aplicação de taxas nas bebidas vegetais, que variam entre os 0,15€ e os 0,40€, algumas cadeias de cafés já oferecem estas opções sem custo extra. Entre elas está a Tim Hortons, a Stumptown Coffee Roasters, a New York Bagels de Noah, a Philz Coffee e a Costa Coffee.

Também a propósito do Dia Mundial das Bebidas Vegetais, esta quinta-feira, a AMT Coffee, no Reino Unido, vai oferecer um desconto de 25% em todos os cafés, assim como um e-voucher para uma bebida de base vegetal. “Nós nunca vamos cobrar um extra por escolher bebida vegetal”, refere a cadeia numa das campanhas para incentivar o consumo destas opções.

O objetivo do ativista Vernelli é que as outras marcas sigam o mesmo exemplo da cadeia britânica e que não cobrem taxas aos consumidores conscientes.”Neste dia, que é o Dia Mundial das Bebidas Vegetais, estamos a pedir às cadeias que sigam o exemplo da AMT e ajudem a travar o devastador impacto que a agropecuária tem no nosso planeta, através da oferta de bebidas vegetais para todos os consumidores — antes que todos nós paguemos o preço”, refere de acordo com a revista “Vegan Food & Living“.

Publicação da cadeia AMT Coffee no Dia Mundial da Bebida Vegetal

AMT Coffee/Instagram

Só no Reino Unido, onde há mais de 30 cafés Starbucks e 30 cafés da Pret a Manger, um quarto (23%) dos britânicos opta por bebidas vegetais, de acordo com um estudo publicado em julho pela agência Mintel. Os dados confirmam o aumento da procura por estas alternativas, como, por exemplo, as bebidas de amêndoa, soja e ervilha. “A cobertura mediática dos problemas éticos e ambientais sobre a agropecuária tem ajudado a aumentar a consciencialização dos consumidores sobre esses fatores”, refere Emma Clifford, diretora adjunta da “Food and Drink” do Reino Unido.

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