O escândalo de dados da Cambridge Analytica, que rebentou em 2018, veio mostrar de que forma os dados dos utilizadores do Facebook serviram de meio para manipulação política — pode ser visto no documentário “The Great Hack“, disponível na Netflix. Como resposta, a gigante rede social de Mark Zuckerberg prepara-se para lançar uma ferramenta que promete limitar a maneira como a plataforma guarda e usa os dados dos utilizadores, incluindo a visita a sites e aplicações que lhe são externas, avança a revista americana “Time”, esta terça-feira, 21 de agosto.

Significa isto o quê? Que, por exemplo, o bombardeamento de anúncios da Booking poderão deixar de surgir no seu mural, na sequência de ter visitado esta plataforma de reserva de hotéis. Ou que aqueles vestidos da Asos vão deixar de aparecer no seu feed, imediatamente depois de ter andado pela loja de e-commerce à procura do modelo ideal.

Como é que isto será operacionalizado? De acordo com a empresa que também detém o WhatsApp e o Instagram, será adicionada uma secção na redes social onde os utilizadores vão poder ter acesso à atividade que o Facebook recolhe fora do seu serviço, através de, por exemplo, o botão “gosto”. Aí, vai ser possível optar por desativar este rastreamento. Caso não o faça, tudo continuará a decorrer como até então.

A nova opção é lançada a 21 de agosto na Coreia do Sul, Irlanda e Espanha. A escolha de países vai ao encontro daquela que é a maneira de funcionamento do Facebook, que costuma estrear novas funcionalidades em mercados mais pequenos. A rede social não avançou datas sobre a expansão da medida para os outros países, adiantando apenas que decorrerá nos próximos meses.

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Apesar da nova funcionalidade, o número de anúncios a aparecer no Facebook não vai diminuir. A única diferença é que, ao utilizar esta ferramenta, aqueles que surgirem, já não vão ter como mecanismos de seleção as pesquisas dos utilizadores. Mais: segundo a revista americana, a rede social continuará a coletar dados das atividades fora do Facebook — apenas deixará de os conectar à atividade do seu mural.

Segundo a rede social, as empresas que anunciam na plataforma não sabem quem é que carregou nos seus anúncios, mas é possível o acesso ao número de cliques. Assim, o Facebook ainda conseguirá informar aos mesmos o desempenho das suas publicidades.

A nova ferramenta faz parte do esforço da rede social em ser mais transparente com os utilizadores. Todas as alterações têm vindo a decorrer no rescaldo do escrutínio de que o Facebook tem sido alvo, na sequência da multa de cinco mil milhões de dólares atribuída pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, que acusou a rede social de “manuseio incorreto de dados de utilizadores”.

O esforço para a implementação de medidas no sentido de tornar a utilização dos dados na rede social mais transparentes já foi anunciada há mais de um ano por Mark Zuckerberg, que afirmou na altura que a empresa estava no meio de um processo técnico complicado, sendo esta a justificação para o lento e gradual lançamento da nova possibilidade.