Podem até ter sido um desastre nas vendas, ou não terem exatamente as músicas que imaginavam. Nem todos os discos são motivo de orgulho para as bandas, mas não é por isso que devem ser apagados da sua história.

E não vale a pena pensar que estes fracassos acontecem só às bandas com menos sucesso. Na lista feita pela BBC, que reuniu uma lista de nove artistas que não gostaram dos seus próprios álbuns, fazem parte nomes como Beatles, dos U2 ou ainda de The Strokes. Mais há mais: a MAGG mostra-lhe a lista completa.

Oasis: “Be Here Now” (1997) e “Standing on the Shoulder of Giants” (2000)

Oasis

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Se no início da carreira, a banda dedicou muito tempo a cada um dos álbuns, um feito à pressa (e possivelmente também sem inspiração) nada tinha para correr bem. Foi assim que surgiu o “Be Here Now“.

Apenas três anos depois lançaram o “Standing on the Shoulder of Giants“, que foi considerado um dos piores da banda. Gallagher — o vocalista — confessa numa entrevista em 2011 ao blog “Grantland” que na altura não tinha motivo ou desejo de fazer música. “Eu não tinha motivação. Parecia não haver sentido”.

Van Halen: “Van Halen III” (1998)

Van Halen

Al Pereira

Nos anos 80, Van Halen marcaram a diferença pelos cabelos exuberantes, mas não pelo 11º. álbum da banda, lançado em 1998, o Van Halen III, que se revelou num fracasso. Foi produzido por Mike Post, conhecido pela composição de músicas para séries televisivas como “Lei e Ordem” ou “Renegado“.

Faixa a faixa os fãs podiam até ter esperança de serem surpreendidos com o disco, mas talvez a última música, a “How Many Say I”, com seis minutos de piano tenha sido o culminar do insucesso. Além de as vendas terem sido fracas, não chegando a 1 milhão de cópias, levou à saída de Cherone em 1999. Van Halen produziram em 2004 o álbum “The Best Of Both Worlds“, mas como era de se esperar não apareceu nem uma única faixa do Van Halen III.

The Smiths: “The Smiths” (1984)

The Smiths

Redferns

O álbum “The Smiths” lançado em 1984 pela banda britânica foi produzido em condições que não inspiram qualquer artista. Não faltou suor, em parte devido ao esforço, mas na maioria devido a uma onda de calor que se fez sentir em 1983 e que não permitiu manter as guitarras em sintonia.

A meio das gravações a banda encontrou um novo produtor, John Porter, que quis fazer alterações às músicas depois da banda já ter gravado 14 faixas. Mas essas mudanças não foram bem recebidas pelos membros da banda. Morrissey, ex-vocalista e compositor da banda achou que o trabalho final não era suficiente. Mas depois de todo o dinheiro gasto no disco, a editora discográfica Rough Trade, decidiu lançar o álbum ignorando a insatisfação de Morrissey.

Os Beatles: “Let It Be” (1970)

Beatles

Roger Viollet via Getty Images

Sim, nem os Beatles têm álbuns perfeitos. A má sorte calhou ao “Let It Be“, o 12º. e último álbum produzido em estúdio pela banda. Não se sabe se as falhas estão nas músicas ou no produtor, Phil Spector, que não ajudou ao sucesso do álbum.

A verdade é que numa entrevista à “Rolling Stone” pouco tempo depois da banda se separar, em 1970, John Lennon disse que a produção deste álbum foi uma péssima experiência. “Essa é uma das principais razões pelo qual os Beatles acabaram. Não posso falar pelo George, mas eu sei muito bem que nos cansámos de estar ao lado de Paul [McCartney]”, revela à revista americana.

Prince: “The Black Album” (1987)

Prince

Redferns

O nome do álbum, traduzido à letra como “o álbum negro” já anuncia um futuro pouco promissor. Mas o verdadeiro sentido do nome é atingir um público alvo especifico: pessoas negras. Só que depois de ser produzido, Prince ganhou uma aversão ao próprio disco descrevendo-o como uma “epifania espititual”, e disse na altura que o álbum foi criado por uma entidade do mal chamada Spooky Electric.

Ao contrário do que aconteceu com outros artistas, este álbum teve um bom lucro quando começou a ser vendido através dos bootlegs (gravações de artistas transmitidas na rádio ou na televisão), apesar de Prince não querer que ele fosse lançado. Mais tarde, em 1994, a editora Warners acabou por lançar o álbum como uma edição limitada, mas para Prince continuava a ser um disco “assombrado”.

U2: “Pop” (1997)

U2

FilmMagic, Inc

O álbum “Pop” envolveu três produtores — Flood, Howie B e Nellee Hooper — uma cirurgia nas costas ao baterista Larry Mullen, e mudanças mesmo depois de o álbum ter sido fechado e enviado para Nova Iorque para masterizar. Foi, como se podia prever, uma produção apressada e cujos problemas afetaram o produto final.

A banda não ficou contente com o álbum e durante a turné acabou mesmo por tocar singles da complicação “The Best Of 1990-2000” que tinha na altura já cinco anos. Bono, vocalista da banda, que só gravou o refrão da música “Last Night On Earth” no último dia de gravação, disse na altura da turné que “Pop nunca teve a oportunidade de ser devidamente terminado”.

The Clash: “Cut The Crap” (1985)

The Clash

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Se há palavra que define este álbum é reestruturação. Na altura em que o álbum ia ser gravado, dois dos membros da banda, o baterista Topper Headon e o guitarrista e co-vocalista Mick Jones, foram despedidos. Depois disto, o vocalista Joe Strummer reuniu-se com o produtor inicial da banda, Bernie Rhodes, que quis co-escrever as músicas e produzir o álbum.

Em que é que tudo isto resultou? Num álbum que levou ao fim da banda original. Não só pela confusão, mas também pela inexperiência de Rhodes que em nada contribuiu para o sucesso do disco. O público reagiu, levando a banda a recusar-se a realizar uma turné com o trabalho que nem os fãs gostavam.

The Strokes: Angles (2011)

The Strokes

FilmMagic

Depois da bonança vem a tempestade. Podemos inverter o ditado para definir o álbum “Angels” lançado em 2011 pela banda norte-americana. O primeiro trabalho foi um sucesso, tanto que foi difícil igualar novamente o feito. Os álbuns que se seguiram àquele que foi lançado em 1998 mantiveram a qualidade, mas tudo começou a correr mal com o lançamento de “First Impressions of Earth” em 2006.

Cinco anos depois, surgiu “Angles” que não agradou aos próprios artistas.”Há um monte de coisas [no disco] que eu não teria feito”, referiu o vocalista Julian Casablancas ao site Pitchfork. Também o guitarrista Nick Valensi confessou que o álbum de 2011 “foi horrível”.

The La’s: The La’s (1990)

The La’s

Redferns

“Acho que [Lee Mavers, vocalista] ficou tão preso no que eles deveriam soar que ele não soube por isso em prática”, revelou ao “The Guardian” em 2008 o produtor Mike Hedges, que trabalhou nas primeiras sessões com o grupo.

Lee Mavers trabalhou com 12 produtores para tentar voltar a dar vida às suas músicas, mas a década de 90 foi um período conturbado para a banda. A música “The La’s” foi originalmente lançada em 1998, e relançada mais tarde juntamente com o álbum.