Nova tendência dos influenciadores do Instagram: mostrar o interior das suas (grandes) casas

O estilo varia, mas a tendência é a mesma. Os novos influenciadores abrem as portas para mostrar a casa aos seguidores.

Os influenciadores podem conseguir um lucro de mais de 63 mil euros por ano, quando têm entre 50 mil e 500 mil seguidores

Se a sua luta ainda é conseguir pagar uma renda em Lisboa, pode sempre ir sonhando com a casa dos novos influenciadores do Instagram. Há cada vez mais pessoas a apostar em expor as suas casas na rede social, deixando o feed cheio de fotografias com decoração nórdica, ou com os tons terra e muita luz no interior. A “house tour”, ou seja, o passeio para conhecer a casa dos influenciadores é gratuito — basta fazer scroll no feed ou deslizar as fotografias da publicação para a esquerda —, e ainda lhes deixa a conta bancária mais recheada. 

Vamos fazer contas. O investimento numa casa que custou milhares de euros pode ter um retorno equivalente a 900 euros por publicação, no caso de o influenciador ter 100 mil seguidores, de acordo com a Later, a plataforma de marketing do Instagram. Os números podem chegar a mais de 63 mil euros por ano numa conta cujo alcance varie entre os 50 mil e os 500 mil seguidores, de acordo com uma pesquisa feita este ano pela Collectively, uma empresa de marketing de influência. O lucro é obtido pelos conteúdos patrocinados, quer através de parcerias diretas com os influenciadores ou através de empresas de marketing, refere Ronda Kaysen ao jornal “The New York Times”.

Para ajudar a divulgar as marcas (e consequentemente a ganhar dinheiro), há uma funcionalidade que permite aos influenciadores adicionarem uma marca na fotografia do Instagram que remete os seguidores para o site onde podem encontrar aquele artigo. Cada artigo vendido, traduz-se numa comissão. Esta ligação é possível através de empresas com a rewardStyle. Por isso, aquele tapete que viu numa fotografia de Instagram e que o remeteu para um site onde fez a comprar online, representa mais um euros que fez cair na conta do influenciador.

Mas aqueles que não conseguem ter um número tão elevado de seguidores também podem sair a ganhar. Cada seguidor significa cerca de um cêntimo na conta e o influenciador recebe ainda artigos gratuitos (para continuar a decorar a casa dos seus e dos sonhos dos seguidores).

Se não está familiarizado com esta nova tendência no Instagram, nós damos alguns exemplos.

Erin Vogelpohl ou @mytexashouse

Tem uma casa no Texas, com cinco quartos, onde entram frequentemente os mais de 450 mil seguidores (virtualmente, claro). Vogelpohl define-se no Instagram como “a melhor criadora de estilo de casas e jardins” e além das publicações na rede social, tem ainda um blog que funciona como uma “loja” do imobiliário que partilha nas fotografias do Instagram.

Ninã Williams ou @ninawilliamsblog

Ninã tem 36 anos e além da conta de Instagram, com 108 mil seguidores, tem um blog. A influenciadora já tinha uma casa de sonho onde vivia com a família, mas decidiram vendê-la em maio e desde então que tem mostrado aos seguidores o processo da construção de uma nova casa. Além disso, partilha dicas sobre decoração e ideias DIY, que é como quem diz, meter mãos à obra para criar a própria decoração. Tudo começou “como um passatempo, mas agora é um trabalho ‘divertido'”, refere a influencer numa das publicações.

Ambas têm registos diferentes — uma mostra a decoração da casa e outra o processo de construção da nova habitação —, mas que em muito se assemelham às várias contas de decoração de casas luxuosas. “Alguns [influenciadores] envolvem-se em áreas como moda, educação, culinária e maquilhagem, mas priorizam a venda do marketing infinito do interior da sua casa, com todas a sua decoração”, refere Kaysen ao jornal inglês.

Entrar na casa das pessoas não é algo novo, virtualmente falando, e tudo começou com os programas de televisão da década de 80. É o caso do programa “Estilo de Vida dos Ricos e Famosos”, que mostrava as casas luxuosas dos ricos da época. No seguimento deste surgiu, já em 2007, o reality show “Keeping up with the Kardashians”.

O sucesso é garantido, até porque nem há quem resista em ver projetado num ecrã um sonho que dificilmente se concretizará. Um relatório do SmartAsset comprova isso mesmo: “descobriu que em algumas cidades, uma casa mediana superava tanto a média do rendimento, que poderia levar uma década para economizar 20% do pagamento inicial”, indica o site de notícias “Businness Insider”. Esta é uma realidade de muitos millennials que procuram casa, mas até a paciência já está a ficar inflacionada. Por enquanto, podem ir sonhando com as casas dos influenciadores.

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