Ainda se lembra de tudo o que aconteceu em “Mindhunter”?

Quase dois anos depois da primeira temporada, a série regressa à Netflix com novos episódios. E nós fazemos-lhe um resumo da matéria dada.

Lembra-se, por exemplo, dos motivos que levaram a que a Unidade de Ciências Comportamentais fosse investigada?

Patrick Harbron/Netflix

Na década de 70, nos Estados Unidos, já havia originalidade na hora de matar. Mas os crimes foram ficando mais violentos, aos quais os responsáveis pelas investigações não conseguiam fazer frente. O contexto da série “Mindhunter” era este: os agentes não só não percebiam os motivos dos crimes como lhes faltavam recursos para investigar um assassino que, muito provavelmente, voltaria a atacar da mesma forma.

Em resposta ao número elevado de violações e homicídios reportados em 1972, o FBI criou a Unidade de Ciências Comportamentais. Mas só em 1976 é que a divisão começaria a dar resultados quando dois agentes, John Douglas e Robert Ressler, propuseram viajar pelo país para entrevistar alguns dos homicidas que já se encontravam a cumprir penas de prisão.

As várias entrevistas permitiram perceber os motivos dos crimes, a forma como foram planeados e como é que se poderiam repetir. Não demorou muito até se perceber que a polícia tinha pela frente uma nova vaga de predadores que viria a designar como assassinos em série — aqueles que faziam várias vítimas durante um período de tempo e sempre com o mesmo modus operandi.

“Mindhunter”, a série produzida por David Fincher (“Em Parte Incerta”), acompanha essa evolução do FBI e a segunda temporada estreou-se esta sexta-feira, 16 de agosto, na Netflix.

Quase dois anos depois do lançamento da primeira temporada, o mais provável é ter-se esquecido de grande parte da história. Lembra-se, por exemplo, dos motivos que levam Holden Ford (Jonathan Groff) a ter um ataque de ansiedade no último episódio da primeira temporada? Ou por que razão toda a Unidade do FBI começa a ser investigada?

Contamos-lhe tudo o que precisa de saber antes de se atirar a uma sessão de binge pelo fim de semana adentro.

O declínio de Holden, o agente prodígio

Diz-se que uma série de televisão é boa quando cria personagens complexas e sem as convenções exigidas por canais generalistas. Isto traduz-se em figuras de ética duvidosa, que não olham a meios para atingir os fins, e quase sempre sem redenção no decorrer da historia.

E embora Holden Ford, um dos protagonistas de “Mindhunter”, tenha boas intenções quando propõe estudar a mente de assassinos em série, depressa vai perdendo o norte e quase leva a que a Unidade que ajudou a criar seja encerrada. É que o menino prodígio das forças especiais, conhecido pelo seu sentido de justiça, começa a criar uma relação de proximidade com os assassinos que entrevista.

Embora se ache o elo mais forte, por estar em liberdade e representar a autoridade, a verdade é que acaba manipulado e intimidado por Ed Kamper, o serial killer que diz odiar mulheres. A convivência com Kamper fá-lo tornar-se possessivo sobre a sua namorada que, no final da temporada, o abandona.

Mas situação piora quando Holden decide visitar Richard Speck, condenado pela morte e violação de oito estudantes de enfermagem, e o aborda com linguagem obscena. A ideia é falar como os criminosos falam e criar empatia, mas a tentativa gera uma queixa formal e toda a equipa é investigada pelo FBI.

Em resposta, Holden pressiona o responsável pelas transcrições da entrevista a apagar toda a linguagem obscena do relatório. Mas não serve de muito: as gravações são enviadas para o departamento do FBI e Holden é acusado de adulteração de provas — perdendo o respeito de toda a equipa.

Mas o declínio continua quando Holden se embebeda num bar e acaba por revelar todos o detalhes do trabalho que faz no FBI, quebrando todas as regras a que está sujeito. É que este é um trabalho que exige segredo para que os serial killers a monte não se apercebam de que está a ser criada uma unidade especial para os capturar.

No final da primeira temporada, a personagem tem um ataque de ansiedade depois de se ver manipulado por um dos serial killers com quem mais conversou.

Bill Tench desaprova os métodos de Holden

Bill Tench (Holt McCallany) é o colega ponderado, contido e quase sempre em desacordo com os métodos de Holden. Enquanto Holden vive fascinado com os assassinos que vai entrevistando, Bill não consegue lidar com os relatos de violência que ouve e desaprova a ideia extremista de entrevistar o maior número de homicidas presos.

A explicação pode estar no facto de Bill ter uma família, e um filho autista, que mal vê porque o trabalho o obriga a estar constantemente em viagem — ao contrário de Holden, que está completamente sozinho e só vive pelo trabalho.

Apesar de continuar a ser um dos protagonistas da série na segunda temporada, a primeira terminou com Bill cada vez mais desligado e cansado do trabalho que está a fazer. Mas o trailer dos novos episódios diz-nos que vai voltar à estrada com o colega.  

Além das entrevistas, há investigações de casos por resolver

Durante as viagens entre os vários estados do país, os agentes aproveitam ainda para ajudar a polícia local a resolver alguns dos casos mais violentos que marcaram a região.

O problema é que, tal como o FBI nos anos 70, também autoridades locais não estão preparadas para entender as mentes destes criminosos e isso gera conflitos. Quase sempre iniciados por Holden, que vai ficando cada vez mais arrogante e convencido ao longo da temporada.

É que é ele quem oferece uma visão diferente dos motivos que podem explicar aquelas mortes. Mas a explicação, ou o perfil de um suspeito, é quase sempre mal recebido pelos agentes das pequenas vilas. Em parte porque sentem a condescendência do agente do FBI que se acha melhor do que eles no terreno, mas também porque não conseguem acreditar que exista quem seja capaz de matar por puro prazer.

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