Aconteceu há mais de um ano mas serviu para que a comunidade portuguesa no digital e no YouTube tremesse. SirKazzio, o maior youtuber português com mais de 5 milhões de subscritores, estava a ser acusado de comprar visualizações falsas para aumentar a visibilidade de um dos seus vídeos.

A discussão durou meses e dividiu youtubers. Enquanto uns defenderam o colega, outros, como Wuant, atacaram-no em vídeos e tweets que só serviram para alimentar a situação. Anthony Sousa, o nome por detrás de SirKazzio, garantiu “estar inocente” e falou, entre lágrimas e soluços, num erro da plataforma ao fazer a contabilização de visualizações totais daquele vídeo.

A polémica ficou mais ou menos resolvida, mas serviu para alertar para a problemática dos seguidores e das visualizações compradas para o YouTube e Instagram. Mas enquanto a plataforma da Google bloqueia de forma permanente aqueles que sejam apanhados a usar um esquema semelhante, o Instagram não prevê esse tipo de castigo nos seus termos e condições.

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Talvez por isso haja cada vez mais serviços a vender gostos, seguidores e comentários a preços baixos. É o caso da nova plataforma LikeMe.pt que, além de vender seguidores, está a apropriar-se da imagem e do logótipo do programa com o mesmo nome da TVI.

O programa “Like Me”, lançado em maio e que já vai na segunda temporada, junta micro-influenciadores relativamente desconhecidos numa casa. O objetivo? Levá-los a uma série de obstáculos com o objetivo de fazer crescer os seus números de seguidores nas redes sociais.

Alguns dos pacotes disponíveis do site LikeMe.pt, que usa a imagem do programa da TVI

LikeMe.pt

A plataforma, que tem o mesmo nome e a mesma imagem do programa, disponibiliza pacotes de mil ou 3 mil seguidores para o Instagram por 26 ou 78 euros, respetivamente.

A ideia não é nova e a verdade é que há cada vez mais serviços a oferecer a venda de seguidores. O problema, segundo João Pina, especialista em segurança informática, é que este caso pode ser um exemplo pragmático de apropriação de identidade de uma marca registada.

Ricardo Tomé, diretor e coordenador da Media Capital Digital, já perdeu a conta à quantidade de sites deste género que foram desativados por darem a ideia de que estavam relacionados com a TVI sem autorização. O LikeMe.pt é um destes casos que continua online apenas porque, até então, ainda não tinha sido feito uma denuncia pela TVI ou pela Endemol, produtora do programa, que não sabia da existência da plataforma.

“Este site não foi articulado com a TVI e, portanto, qualquer uso da imagem do programa nestes formatos é enganador e contribui para a possível confusão que se possa gerar entre utilizadores.”

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Carla Duarte, diretora da empresa LikeMe.pt, assume o uso indevido da imagem e atribui as culpas à equipa de marketing — mesmo que só tenha reparado que o logótipo era igual depois de ser contactada pela MAGG. “De facto, e pelo que verifico, o uso do logótipo foi feito de forma errada.”

“A ideia passou pelo departamento de marketing que, após verificação de ausência de registo de marca e logótipo do programa, decidiu avançar com a sua utilização”, mas não fecha portas à possibilidade de vir a ser retirado para “dissipar quaisquer confusões que possam eventualmente surgir perante o público” que procura a plataforma.

Ao que a MAGG conseguiu apurar, o domínio LikeMe.Pt foi registado a 3 de junho. Nessa altura, já a primeira temporada do formato tinha sido concluída.

À data da publicação deste artigo, o logótipo do programa “Like Me”, da TVI, continua a ser utilizado no site de venda de seguidores o Instagram.