Geração X — a mais propensa a morrer por suicídio e overdose

Ao contrário dos anos 80, agora os números de mortes por suicídio e overdose registam-se na geração nascida entre os anos 60 e 70.

Em 2017, substâncias como a heroína foram responsáveis por 53% das mortes por overdose na Inglaterra e no País de Gales

Viveram anos de excessos e as consequências são reais. A Geração X — aquela nascida nos anos 60 e 70 e que agora tem entre 40 e 50 anos — é aquela na qual se tem visto aumentar os números de suicídio e casos de overdose

Segundo dados publicados esta terça-feira, 13 de agosto, pela empresa independente de estatísticas do Reino Unido, Office for National Statics (ONS), os números são superiores a qualquer outro grupo etário.

No caso da Inglaterra e do País de Gales, os dados mostram que no final dos anos 80 até o início dos anos 90, a idade em que a maioria das pessoas morria por suicídio estava concentrada por volta dessa geração, quando tinham 20 anos.

O suicídio e a overdose continuaram desde então a afetar essa geração, que agora está na faixa dos 40 e 50 anos (num grau mais elevado do que qualquer outro grupo etário). Esta situação foi também observada nos Estados Unidos e no Canadá.

“Desde o final dos anos 80 até o início dos anos 90, reparamos que aqueles que fazem parte da chamada “Geração X” têm sido mais propensos a morrer por suicídio ou por drogas do que qualquer outra geração” explica Ben Humberstone, vice-diretor do ONS, em declarações ao jornal britânico “Daily Mail”. 

Em 2017, substâncias como a heroína foram responsáveis por 53% das mortes por overdose na Inglaterra e no País de Gales. E, em 2018, a Public Health England (PHE) afirmou que as pessoas com idades entre os 40 e os 49 anos foram as que registaram a maior taxa de mortes pelo uso de drogas.

Estes números justificam-se pelo facto de a Geração X ter uma maior proporção de consumidores de heroína a longo prazo com problemas de saúde e que, por isso, estão em maior risco de sofrer uma intoxicação causada por drogas, de acordo com a PHE.

No fim dos anos 80 houve uma reviravolta na faixa etária dos consumidores de substâncias psicoativas. Se antes as pessoas morriam enquanto eram jovens, agora o cenário veio a alterar-se. O órgão do executivo britânico afirmou que as consequências do uso prolongado destas substâncias tendem a ser cada vez mais pronunciadas à medida que o corpo envelhece e se torna menos resistente, acabando então por morrer.

Em 2017, na maioria dos casos de pessoas que morreram por suicídio, isso acontecia, em média, aos 49 anos. Em 1993, isso ocorria aos 22 anos. Os dados sugerem que esta mudança pode ter começado no final dos anos 80.

O vice-diretor explica ainda que as razões por detrás destas mortes são complexas, mas os dados mais recentes do ONS revelam que aqueles que vivem atualmente em zonas menos desenvolvidas estão sob maior risco. “As mortes causadas pelas drogas não são tão visíveis nas zonas enriquecidas, enquanto que nas zonas empobrecidas registam-se mais casos, especialmente nas pessoas de meia-idade”.

Em comparação com as áreas favorecidas, as taxas de suicídio foram superiores nas áreas menos favorecidas e, de acordo com a ONS, essa difeença é ainda mais visível nos casos de suicídios de pessoas na faixa etária entre os 40 e os 50 anos.

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