Quentin Tarantino reage à polémica e defende que Bruce Lee era “arrogante”

"Não fui eu que inventei a forma como ele agia ou falava. Eu ouvi-o dizer algumas das coisas que ele diz no filme", revela o realizador.

"Era Uma Vez... em Hollywood" estreia-se esta quinta-feira, 15 de agosto, em Portugal. Há salas de cinema a antecipar a estreia para quarta-feira, 14

Bruce Lee morreu um mês antes do lançamento do filme “O Dragão Ataca”, em 1973. Apesar de ser um dos que mais contribuiu para que as artes marciais fossem aceites no cinema ocidental, o ator só viria a ser reconhecido postumamente, quando a crítica considerou a sua última longa-metragem como uma das melhores da época.

Mas antes disso, Bruce Lee participou em vários filmes e séries de televisão que ajudaram a cimentar a sua posição numa indústria que muitas vezes o relegou para papéis secundários. No entanto, a influência de Lee é inegável e talvez por isso seja recordado em “Era Uma Vez… em Hollwyood”, a nova produção de Quentin Tarantino.

Ainda assim, as cenas onde Lee aparece levantaram muitas críticas. Uma delas foi feita por Shannon Lee, filha de Bruce, que em declarações exclusivas à revista “The Wrap”, lamentou ver o pai interpretado de uma forma tão arrogante.

“Ele aparece como uma pessoa muito arrogante e cheia de si. Não como alguém que teve de lutar três vezes mais do que as outras pessoas para conseguir aquilo que conseguiu ao longo dos anos. Acho que a personagem foi realizada para ser caricaturada. Só não precisavam de o tratar da mesma forma como os brancos de Hollywood o trataram enquanto ele foi vivo”, explicou.

É que numa das cenas do filme, o ator duplo Cliff Booth (Brad Pitt) troca insultos com Bruce Lee (Mike Moh) e o conflito culmina com uma luta de três rondas entre os dois. Embora Lee ganhe a primeira ronda, a segunda termina com a personagem de Brad Pitt a arremessar o colega contra um carro e a ganhar o confronto. A terceira ronda nunca chega a acontecer.

No entanto, a revista “Variety” escreve que o realizador norte-americano aproveitou uma conferência de imprensa em Moscovo, na Rússia, para reagir à polémica. E defendeu que Bruce Lee era, de facto, “um homem arrogante”.

“O Bruce Lee era mesmo um homem arrogante. Não fui eu que inventei a forma como ele agia ou falava. Eu ouvi-o dizer algumas das coisas que ele diz no filme. Se as pessoa disserem que ele nunca disse que podia vencer o Muhammad Ali… bem, a verdade é que disse. Não só disse aquilo como a mulher, Linda Lee, revelou isso na primeira biografia que li dele”, explicou Tarantino.

Mas a cena de luta entre as duas personagens também gerou polémica já que, quem a criticou, diz que o ator interpretado por Brad Pitt nunca seria capaz de vencer Bruce Lee num confronto físico.

“Será que a personagem Cliff seria capaz de bater Bruce Lee? O Brad Pitt talvez não, mas o Cliff sim. Se me perguntassem quem é que venceria num confronto, o Bruce Lee ou o Dracula, o problema seria o mesmo. Trata-se de uma personagem fictícia”, acrescentou o realizador.

Apesar de já ter sido lançado nos cinemas dos Estados Unidos, “Era Uma Vez… em Hollywood” chega às salas de cinema portuguesas esta quinta-feira, 15 de agosto. Mas há salas, como as dos cinemas NOS, a antecipar a estreia para quarta-feira, 14.

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