“13 de agosto: ‘A transição da lua de hoje pede para que esteja aberto a novas oportunidades’.” Este é apenas um exemplo dos muitos que pode ler se algum dia subscrever algum serviço de horóscopo. O diário astrológico pode ser ainda acompanhado por uma mensagem para refletir: “Há uma diferença entre saber a data exata da criação de uma obra de arte e apreciá-la.” É assim que a astrologia na era digital lhe dá os bons dias.

Há já inúmeras aplicações de horóscopos onde isto acontece, como é o caso da Co-Star, a Retrograde, ou ainda o Yodha my horoscope. Todas elas têm a mesma função: de acordo com o mapa astral do utilizador, indicam as energias para cada novo dia e ajudam as pessoas a perceber melhor os seus próprios sentimentos. Mas o que é isto do mapa astral?

É a forma de conhecer a posição dos astros e dos signos do zodíaco em relação à Terra no exato momento do nascimento de uma pessoa. Reunindo os dados do nosso nascimento —  a data, a hora e o local —  é possível chegar ao mapa astral, que indica as nossas características básicas. Ou seja, ficamos a conhecer o nosso sol, equivalente ao signo que representa a forma como nos mostramos aos outros, o ascendente que indica a forma como somos vistos pelas outras pessoas, a lua que diz respeito à forma como nos sentimos (ao nosso interior) e os outros planetas — Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno e ainda Urano, Neptuno e Plutão —  que completam a informação sobre a energia de cada um de nós.

Tudo isto é já estudado e aplicado nas nossas vidas há milhares de anos, mas a revista “Vogue” destaca a crescente presença no digital principalmente através da aplicação Co-Star que se revelado um sucesso: “lançado em 2017, tornou-se tão popular que recebeu mais de 4 milhões de euros em investimentos em abril, prova de que os horóscopos são um grande negócio.”

A mesma revista falou com a CEO da plataforma Co-Star, Banu Guler, que explicou como é que se processa a app. “A aplicação usa tecnologia de inteligência artificial para criar leituras astrológicas diárias ‘hiper personalizadas’. Criamos um mapa completo do sistema solar no momento do nascimento usando dados da NASA“. A partir daqui, depois de reunir os dados do utilizador, a informação é convertida num horóscopo cujas mensagens a marca tenta que se assemelhem ao modo “como conversamos uns com os outros na vida real”.

Mas a aplicação vai mais longe: permite que veja as compatibilidades com os seus amigos e quem sabe identificar-se com alguém de forma mais íntima. Isto porque, em dezembro, a aplicação de encontros Bumble juntou uma funcionalidade à app. Permitia que os utilizadores introduzissem um filtro para encontrar pessoas pelo signo. Por exemplo, se é caranguejo e o seu signo é compatível com balança, bastava procurar por este signo.

“É a funcionalidade mais popular que lançamos até agora”, refere à “Vogue” Louise Troen, vice-presidente de marketing e comunicação internacional da Bumble. Acrescenta ainda que este é o filtro mais usado e a razão do sucesso relaciona-se com o facto de “as pessoas estarem à procura de conexões mais profundas e a astrologia dá-lhes isso”. Para chegar até aos utilizadores, pode procurar através da lista de contactos do telemóvel, do Facebook ou introduzindo os nomes manualmente, caso conheça algum utilizador em especifico.

Os horóscopos são um sucesso por todo o mundo, como no Oriente — na China, no Japão e na Índia — mas os métodos para prever o destino são mais complexos. Já as aplicações ocidentais facilitam a perceção dos sentimentos de cada um e “embora a maioria dos seus seguidores acredite que os horóscopos são entretenimento leve, outros acham que essas perceções podem realmente informá-los sobre os seus dias”, refere Banu Guler.

Além das aplicações e das redes sociais que espalham a mensagem (como o Instagram, onde várias pessoas partilham o seu horóscopo diário) há uma espécie de influenciadores da astrologia. A astróloga Susan Millereles,  é um dos casos, que soma vários seguidores, incluindo Pharrell Williams e Alexa Chung. A ex-modelo Juliana McCarthy também se junta à lista de famosos, mas por outras razões.

Tornou-se astróloga, e trabalha ainda sobre o conhecimento espiritual de cada um. O destino provavelmente previu que McCarthy iria lançar um livro e a verdade é que em 2018 lá estava ele, “As estrelas dentro de si: um guia moderno para a astrologia“, a ser lançado. Este responde ao surgimento no mundo da astrologia da nova geração digital, conhecidos como millennials, que a ex-modelo chama de “geração Harry Potter”.

São os jovens que nasceram a descarregar o Facebook ou o Candy Crush que, de acordo com a astróloga McCarthy, “estão confortáveis ​​com o místico. Não precisam de reconhecimento da forma que as gerações mais velhas precisam.” Acrescenta que a espiritualidade através dos astros é importante, principalmente numa altura em que muitas pessoas se afastam da religião.

A CEO da Co-Star mantém-se otimista quanto ao futuro da astrologia. “É uma ferramenta realmente útil que nos permite analisar a nós mesmos, construir relacionamentos mais fortes e encontrar significado no caos”.