As ventoinhas refrescam mesmo? Nem sempre e às vezes fazem mais calor

Tudo depende da temperatura e da humidade. Em ambientes secos, resfresque-se com água — vai sentir-se melhor.

A Organização Mundial de Saúde avançou que quando as temperaturas atingem os 90º Fahrenheit, as ventoinhas não são capazes de proteger as pessoas de doenças relacionadas com o calor.

As temperaturas máximas de várias cidades no mundo não param de escalar, com recordes a serem ultrapassados todos os anos. Está mais calor e soluções rápidas para amenizar os impactos no corpo de tantos graus celsius procuram-se. A mais fácil e imediata é a ventoinha. Mas será que resulta mesmo?

A Organização Mundial de Saúde e os Centros de Controle de Prevenção de Doenças dos Estados Unidos alertam que, quando as temperaturas atingem os 90º Fahrenheit — cerca de 32º celsius —, as ventoinhas não são capazes de proteger as pessoas de doenças relacionadas com o calor.

De acordo com a revista “Time“, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos recomenda que a população opte por ventiladores, no caso de as temperaturas do índice de calor — a junção de temperatura com humidade — ultrapasse os 99º (entre 37 e 38º celsius).

Ollie Jay, professor de ciências da saúde e diretor do laboratório de ergonomia térmica na Universidade de Sidney, é responsável por uma investigação que procurou testar a validade destas recomendações de saúde pública.

Publicado no “Annals of Internal Medicine”, o investigador e a sua equipa pediram a 12 pessoas saudáveis que se sentassem durante duas horas em dois ambientes distintintos, ainda que ambos com ventoinhas: um de calor seco, com um índice de calor 115ºF (46º celsius), e outro, mais húmido, com índice de calor de 113ºF (56º celsius). Depois, analisaram o nível de stresse térmico dos participantes, através de quatro indicadores: temperatura retal, pressão sobre o coração (através da medição da frequência cardíaca e pressão arterial), desidratação e relatos de conforto térmico numa escala padronizada.

Conclusões: sob condições quentes e húmidas, as ventoinhas baixavam a temperatura corporal dos homens e reduziam a tensão cardiovascular, além de melhorarem o conforto térmico. Do lado oposto, sob condições mais quentes e secas, as ventoinhas tiveram um efeito diferente: aumentaram a temperatura corporal, a pressão sobre o coração e o desconforto térmico.

Porque é que isto acontece? De acordo com a mesma revista, quando a temperatura do ar aumenta acima da temperatura da pele, a forma como se dá a troca de ar entre o corpo e o ar muda — o calor começa a fluir para o corpo, em vez de se dissipar dele. “É como funciona um forno convencional”, diz o investigador. “Um peru cozinha mais rápido se o ventilador estiver ligado porque estamos a acrescentar calor mais rápido.”

Isto é o que acontece com a ventoinha: vai acelerar o deslocamento de ar no corpo, fazendo-nos sentir mais quentes, potencialmente, aumentando exponencialmente a temperatura do corpo.

Mas não é sempre. As ventoinhas são recomendadas quando a temperatura vai até aos 104ºF (40º celsius), mas em sítios onde há humidade. “Mas à medida que a temperatura sobe, e o ar estiver mais seco, as ventoinhas são, progressivamente, menos úteis e potencialmente prejudiciais.”

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