Nem todos os casamentos têm que ser tão agitados como o de Rachel Green que, no dia da cerimónia, acaba sentada no sofá do Central Perk. Depois de uma breve reflexão no altar, a personagem interpretada por Jennifer Aniston em “Friends” percebeu naquele instante que não era feliz — com nada na sua vida, na realidade. Resultado? Barry ouviu um “não” e Rachel acabou encharcada num vestido de noiva lamacento, rodeada por aqueles que viriam a ser os seus melhores amigos na próxima década.

Repetimos: nem todos os casamentos têm que ser tão agitados como o de Rachel Green. Até porque, se tudo correr como o esperado, ninguém ouve um “não” perante a família e amigos. Mas já está na altura de inovar e deixar para trás algumas das exaustivas tradições que, verdade seja dita, já não fazem sentido nenhum. O pai entregar a filha ao futuro marido? Atirar o bouquet para “saber” quem é que vai casar a seguir? Dividir as famílias e amigos das noivas e dos noivos?

Se já está a revirar os olhos como nós, vale a pena continuar a ler para descobrir o que têm a dizer Elizabeth Eisenberg, da equipa de organização de eventos Orange & Rose Events, e Jennifer Taylor, da empresa A Taylored Affair, à revista “Vogue“.

1. O bolo já não é o que era

Poucos imaginam a preparação que existe por detrás deste ato. O momento em que o bolo é cortado tem direito a (quase) tudo, desde uma hora e local específicos, efeitos e até uma canção. E mais importante do que o sabor do bolo é o aspeto — não faz mal se tiver pouco chocolate desde que tenha três andares para ficar bem na fotografia.

No entanto, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades: há casais mais modernos a optarem por cortar o bolo sozinhos com o fotógrafo, diz Elizabeth Eisenberg à “Vogue”. “Não precisam da atenção de todos em cima desse acontecimento” continua, acrescentando que “alguns nem servem bolo”. Pode optar por outras opções de sobremesa — porque não um creme brûlée?

2. A entrega da noiva ao noivo ainda faz sentido?

Será que ainda faz sentido olhar para a mulher como uma propriedade do pai, que a entrega ao futuro marido? É esta a tradição que ainda se mantém em muitos casamentos, mas os mais modernos estão a optar por momentos mais orgânicos. Na “entrega” da noiva, Jennifer Taylor sugere que se crie um momento de confraternização entre as famílias. O pai pode “dar um abraço apertado, um high five, uma flor… o que for mais natural”.

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3. A linguagem usada no matrimónio está desatualizada

A linguagem do matrimónio cinge-se historicamente  à ideia de poder do homem sobre a mulher. Se quer o seu casamento seja mais relaxado, Jennifer sugere que conheça o profissional que vai celebrar a cerimónia. E não tenha medo de partilhar histórias engraçadas sobre vocês — a celebração vai tornar-se muito mais descontraída.

4. O convite em papel já não faz sentido

Longe vão os tempos em que os noivos se dirigiam, acompanhados pelos pais, a casa dos familiares e amigos para entregar o convite de casamento. Hoje em dia as famílias vivem longe umas das outras, além de terem pouco tempo para andarem de um lado para o outro. Nessa época a entrega em mão foi substituída pelos correios, hoje quase toda a gente prefere o formato digital. Poupam-se recursos e, mais importante, dinheiro.

O cuidado com a estética, caligrafia, cores e apresentação são pormenores que facilmente passam de despercebidos, diz Eisenberg à “Vogue”. Sobretudo quando o convite acaba invariavelmente no lixo. Como alternativa, Elizabeth “sugere o uso de um site de casamentos ou uma plataforma de serviço de convites, como a Paperless Post”.

5. Está na altura de abolir os tons pastel

“Tradicionalmente, a cor não tem grande lugar na mesa de casamento”, sublinha Eisenberg à “Vogue”. A verdade é que cores mais garridas parecem nunca fazer parte do esquema de cores da cerimónia, mas talvez esteja na altura de acabar com isto. Se o dia é de diversão, questiona a especialista, “porque não começar pelo design?”.

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6. Invista em acessórios coloridos

Poucas são as noivas que arriscam na cor do vestido, mas algumas já têm desafiado a tradição. Se achar que não consegue fugir ao tradicional branco, realça Eisenberg à “Vogue”, pode sempre investir em acessórios. Uns sapatos rosa ou uns acessórios coloridos podem fazer a diferença. Se houver orçamento para isso, também “pode trocar para um vestido azul-bebé na receção”.

7. Festas de casamento? Aqui não

Se não quer gastar dinheiro, ou prefere investir numa viagem, saiba que há casais que não organizam copo de água. É uma tradição que se tem vindo a perder, diz Elizabeth.

8. Já chega de bouquets

Tentar apanhar o ramo é um daqueles rituais de casamento que ainda perduram nos dias de hoje. Mas esta é uma tradição que, explica Eisenberg, “está no mínimo ultrapassada”. Tão cliché que, garante, “se eles mencionam isso, tentamos desencorajá-los”.

9. O véu só se for como acessório

Durante anos, o véu fez parte da entrada na cerimónia, funcionando como uma espécie de amuleto da sorte. Usado para esconder o rosto da noiva do noivo, este já não é essencial e, quando (ainda) é usado, é encarado mais como um acessório. E é assim que faz mais sentido.

10. Vamos parar de dividir as famílias

Segundo manda a tradição, o noivo senta-se do lado esquerdo, juntamente com a família. No entanto, se a intenção é tornar tudo mais relaxado, Taylor sugere que não o faça. “O casamento será um dos únicos dias em que terá todos os que ama (dos dois lados) juntos”, diz. “Abrace o momento. É a altura para todos se conhecerem.”