A administração Trump quer voltar a permitir a utilização de “bombas de cianeto” nos Estados Unidos. Proibida desde 2017 na sequência de um incidente com um adolescente, a sua utilização pode voltar a ser permitida no país. Segundo o Centro de Diversidade Biológica, esta quarta-feira, 7 de agosto, foi lançado um comunicado que aprova o uso destas armadilhas com o objetivo de matar coiotes, raposas e outros animais.

O nome oficial é armadilhas M-44. Composta por cianeto de sódio, um químico que produz gás tóxico, esta “bomba” é diretamente projetada para a boca dos animais após estes morderem a armadilha — para a qual são atraídos através de uma substância com odor.

O dispositivo foi inventado na década de 1960 e, ao longo dos anos, sofreu várias alterações para o tornar mais eficaz e seguro. Normalmente são colocados no solo pela Wildlife Services, uma agência do Departamento de Agricultura dos EUA. A cada ano, esta agência tem sido responsável pela morte de um grande número de animais selvagens, para benefício de agricultores e pecuários.

Em 2018, a Wildlife Services revelou que os seus agentes tinham matado mais de 1,5 milhões de animais, nomeadamente castores, ursos, lobos, patos e corujas, sendo que 6.500 destes foram mortos através das armadilhas M-44.

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Na terça-feira, 6 de agosto, após a primeira fase da revisão de rotina, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos anunciou que quer permitir o uso contínuo de cianeto de sódio nas armadilhas em todo o país. Para já, a aprovação é apenas interna — a decisão final sobre o assunto deverá ser encerrada depois de 2021.

Este tipo de armadilha é cada vez mais criticada pela população e por grupos de proteção animal, uma vez que recorre a um veneno poderoso e já causou a morte, mesmo que acidental, de espécies ameaçadas ou em vias extinção e de animais domésticos. A par disso, também provocou danos graves em seres humanos.

De acordo com o Centro de Biodiversidade Biológica, em 2017, no estado americano de Idaho, Canyon Mansfield estava a passear o seu cão numa zona florestal atrás da sua casa quando o animal acionou uma armadilha de cianeto que lançou uma nuvem venenosa para o ar. O cão acabou por morrer no local e o rapaz ficou cego temporariamente. Transportado de urgência para o hospital, conseguiu recuperar. Os pais do adolescente acabaram por processar os serviços florestais.

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Após o caso de Mansfield, a utilização do M-44 foi suspensa, mas agora voltou a ser autorizada pela EPA. A agência impôs novas restrições ao uso desta armadilha: os dispositivos não podem ser colocados num raio inferior a 30 metros de qualquer estrada ou caminho público, habitações ou outros edifícios. Junto a cada dispositivo devem existir também sinais de aviso, e todos os cidadãos que habitem a menos de um quilómetro de um M-44 devem ser notificados de modo a ficarem alerta.