228 homens deram à luz na última década

Mais de 20 homens trangénero já tiveram crianças na Austrália. Estes dados vêm colocar em causa o conceito de masculinidade e gravidez.

Freddie McDonnell, um homem britânico transgénero de 30 anos, deu à luz a um rapaz

Grain Media / VIMEO

Depois de terem sido divulgadas imagens de Freddie McDonnell, um homem britânico transgénero de 30 anos enquanto se prepara para dar à luz um rapaz, o debate sobre se o conceito de gravidez pode ser associado aos homens voltou a ser tema de discussão.

As imagens em causa são provenientes do documentário “Seahorse” da BBC, que se foca na comunidade de homens transgénero e foi exibido no festival de Cinema Internacional de Melbourne, na Austrália. Depois da divulgação do documentário, a Medicare australiana veio confirmar que, no decorrer do passado ano fiscal, 22 homens australianos transgénero deram à luz crianças.

Estes 22 australianos fazem parte do grupo de 228 pessoas que se identificam como homens e que passaram por uma gravidez na última década. Com base nestes números, Lauren Rosewarne, uma professora de ciências sociais e políticas da Universidade de Melbourne, rejeitou a ideia de que “ter um bebé desafia o conceito de masculinidade”, uma sugestão de um radialista australiano, que proferiu a frase no seu programa de rádio.

Citada pelo “Daily Mail“, a professora universitária contrapôs que a “masculinidade pode significar coisas diferentes para diferentes pessoas” e afirmou ainda que a sociedade precisa de repensar o seu conceito de género.

“O género é algo sobre o qual as pessoas que passam por uma mudança de género pensaram afincadamente, embora, muito provavelmente, em termos muito menos binários do que o resto de nós”, disse Lauren Rosewarne, que também acredita que uma mulher se possa passar a identificar como homem mesmo que não faça uma cirurgia de mudança de género.

De acordo com a professora australiana, para as pessoas que se identificam com o género oposto àquele com que nasceram, a cirurgia não é “necessariamente o mais importante”, dado que a partir do momento em que se sentem homens ou mulheres, “passam a referir-se a si mesmos dessa forma”.

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