Clauvino da Silva, um barão da droga brasileiro de 42 anos, que está a cumprir pena de 73 anos e dez meses, elaborou um plano para conseguir fugir da unidade Gabriel Ferreiro Castilho do Complexo Penitenciário de Gericinó (antigo Complexo Penitenciário de Bangu), uma prisão de alta segurança localizada na zona oeste do Rio de Janeiro. No passado sábado, 3 de agosto, vestiu uma máscara de silicone, uma peruca e roupas femininas para se fazer passar pela filha, Ana Gabriel Leandro da Silva, 19 anos — aquela que o tinha ido ver e com quem, no horário de visitas, trocou de indumentária, tendo esta ficado escondida dentro da prisão.

Apesar do disfarce, o homem, conhecido como Ronca e parte da rede de tráfico de droga de Angra dos Reis, na Costa Verde, não conseguiu enganar os seguranças, que estranharam a sua forma de andar.

Num vídeo divulgado pelo site “Metrópoles” é possível ver os polícias a retirarem a peruca, a roupa e o rosto falso ao homem. Ao despir-se (e antes de tirar a máscara), a pessoa exibe músculos dos braços masculinos, tatuados e mais morenos do que o rosto.

Um porta-voz da  Secretaria Estadual de Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro (SEAP) já comentou o acontecimento: “Clauvino vestia uma camiseta rosa com um sutiã preto por baixo, longos cabelos negros, jeans apertados, sandálias brancas, casaco e óculos, mas, mesmo com o rosto de uma menina, ele não se moveu como uma mulher”.

Além do andar, o facto de o homem caminhar no meio de outras visitantes que estavam a sair da prisão, levantou suspeitas, uma vez que tudo sugeria que este estava a ser cercado, de forma a não ser visto pelos guardas. Clauvino foi apanhado no momento de pedir o documento de identificação da filha na portaria daquela unidade prisional — todos os visitantes são obrigados a deixá-lo à entrada, para só ser devolvido no momento de sair do estabelecimento.

De acordo com o comunicado do SEAP, citado agora pelo brasileiro “O Dia”, “o preso iria deixar sua filha dentro da cadeia e teria pego sua roupa para tentar a fuga. Os inspetores penitenciários perceberam a atitude suspeita e interromperam o plano de fuga. O traficante foi encaminhado para a Penitenciária Laércio da Costa Pelegrino e sofrerá sanções disciplinares.”

As seis restantes visitantes suspeitas de ajudarem Clauvino da Silva também foram levadas para a esquadra para serem interrogadas, juntamente com a filha Ana Gabriel. Uma das mulheres está grávida e é a principal suspeita de ter feito o disfarce entrar na prisão, uma vez que foi o único elemento que, por estar nesta condição, não teve de ser revistado. O caso está a ser investigado pelo 35.ª DP, para onde as suspeitas foram encaminhados.

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De acordo com o canal “Globo”, a filha de Clauvino irá responder pelo crime de facilitação de fuga, cuja pena pode ir de seis meses a dois anos de prisão.

Clauvino da Silva está a cumprir uma pena de 73 anos e dez meses e foi um dos 31 prisioneiros que, em fevereiro de 2013 (ano em que foi preso), fugiu da prisão através das redes de esgoto. Pouco tempo depois, o homem foi apanhado e voltou a ser detido.

Depois desta última tentativa de fuga, o homem foi transferido para outra prisão de alta segurança, onde enfrenta sanções disciplinares. Porém, segundo o “Globo”, “ele não responderá criminalmente pelo episódio, já que só seria configurado delito previsto no Código Penal se a tentativa de fuga tivesse ocorrido com uso de violência ou grave ameaça” — pode, no entanto, “receber uma punição por falta leve, média ou grave”, sanções que irão refletir-se na “concessão de benefícios ao preso”.