Há algum tempo que a humanidade esperava por uma solução eficaz para reverter a crescente poluição de plásticos nos oceanos — a partir do momento em que descobrimos que ingerimos o equivalente a um cartão de crédito por semana, já ninguém pode fingir que este problema não é real.

A solução pode ter chegado com o projeto de Fionn Ferreira, de apenas 18 anos. O lusodescendente criou um sistema para remover microplásticos da água, ideia que lhe valeu a vitória na Feira de Ciência da Google na categoria de Prémio Principal — e um financiamento superior a quatro milhões de euros. O anúncio dos vencedores de 2018-2019 foi feito esta segunda-feira, 29 de julho.

A ideia surgiu quando o jovem passeava na praia na cidade onde vive, Ballydehob, na Irlanda, e cruzou-se com uma pedra coberta de plástico e resíduos de óleo. “Fiquei alarmado ao descobrir quantos microplásticos entram no nosso sistema de água e, consequentemente, nos oceanos. Isso inspirou-me a tentar descobrir uma maneira de remover os microplásticos das águas antes que eles chegassem ao mar”, refere no relatório da investigação que desenvolveu.

Foi assim que começou a pensar se haveria um método que permitisse retirar os microplásticos (partículas de plástico com menos de cinco milímetros de diâmetro) da água, antes que estes chegassem ao mar. E parece que encontrou a solução.

“A minha hipótese é que o ferrofluido, formado pela combinação de óleo com magnetita [mineral de rocha à base de ferro], removerá pelo menos 85% dos microplásticos de uma amostra contaminada”.

Apesar de morar numa região remota da Irlanda, onde não tem acesso a muitos recursos para testar as suas ideias, isso não impediu Fionn de avançar com os testes para desenvolver o projeto.

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Como é que Fionn consegue remover microplásticos da água?

De acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration, os microplásticos estão presentes nos oceanos, grandes lagos e também nos produtos de higiene, como esfoliantes corporais ou pastas de dentes.

Uma vez que têm um tamanho muito reduzido, os microplásticos passam através dos sistemas de filtração de água, acabando no mar, prejudicando consequentemente o ecossistema marinho. Mas os microplásticos também circulam no nosso corpo. Como? Através da água que bebemos (principalmente a água engarrafada) ou mesmo do ar que respiramos.

Então como é que Fionn conseguiu encontrar uma solução para retirar estas partículas com menos de cinco milímetros da água dos oceanos? Primeiro é preciso perceber que, na presença de água, os ferrofluidos atraem os microplásticos, uma vez que ambos têm propriedades semelhantes, de acordo com explicação da CNN.

É desta forma que chegamos à solução encontrada pelo jovem de 18 anos: quando os ferrofluidos entram em contacto com a água, Fionn mistura um íman que remove as substâncias (microplásticos), deixando a água limpa.

45 mil euros para tentar mudar o mundo

Na última edição da Feira de Ciência da Google, a ideia de Fionn para melhorar o estado de poluição de plástico nas águas foi a vencedora. Esta feira dá oportunidade a jovens entre os 13 e os 18 anos de todo o mundo apresentarem projetos de ciência e tecnologia ao painel de juízes que avalia as ideias.

“Para mim, uma das recompensas mais valiosas desta feira de ciências é a oportunidade de apresentar o meu trabalho para um corpo de profissionais interessados”, refere Fionn na conclusão do projeto.

Também na rede social Facebook o apoio a Fionn foi notório, incluindo o de Maria Ferreira, avó do jovem lusodescendente: “Estamos muito orgulhosos do nosso neto”.

O projeto foi premiado com um financiamento educacional de 45 mil euros. Este valor vai permitir cobrir os custos dos estudos no Instituto de Química da Universidade de Groningen Stratingh, na Holanda, para onde vai no outono.

Apesar da solução encontrada por Fionn Ferreira, este realça, no próprio projeto, a importância da adoção de medidas a curto prazo: “Não há dúvida de que a maneira mais eficaz de reduzir a poluição de microplásticos nos oceanos é usar menos plásticos e garantir que os plásticos usados ​​possam ser reciclados e separados.”