Os mergulhos, sejam no mar ou na piscina, podem parecer inofensivos. Mas sabia que os acidentes de mergulho são uma das principais causas de lesões na coluna vertebral, sobretudo nas pessoas com menos de 35 anos?

A pensar na necessidade de chamar a atenção para esta problemática, e agora que estamos em plena época de verão, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV) está a promover uma campanha de sensibilização para os riscos de lesões na coluna associados à prática de mergulhos nas piscinas e praias.

O vídeo da campanha “Há saltos que podem mudar a tua vida. Protege a tua coluna!”, que marca o mote da iniciativa, já está a correr as redes sociais, dado que é nestas plataformas que está o público-alvo da campanha.

Para além de levar a população a pensar sobre o tema, Miguel Casimiro, neurocirurgião e presidente da SPPCV, acredita que as recomendações da iniciativa “podem fazer toda a diferença na saúde, uma vez que uma vítima de um acidente de mergulho pode sofrer uma lesão modular grave, a qual pode levar a incapacidade ou à morte”.

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O que pode acontecer à coluna com um mergulho mal calculado

Por mais que esteja confortável no areal ou à beira da piscina, o calor que se faz sentir só o faz querer correr para a água e mergulhar de imediato nas águas cristalinas. O cenário pode ser de sonho, mas pode também ser muito perigoso para a saúde, e principalmente para a sua coluna.

De acordo com informações divulgadas pela SPPCV, “as lesões na coluna derivadas de mergulhos ocorrem geralmente quando a cabeça bate no solo ou numa rocha”. Carla Reizinho, neurocirurgiã e vice-presidente da sociedade, explica à MAGG que estas fraturas “sucedem quando a profundidade da água é mal calculada e há traumatismo da cabeça em posição de flexão ou extensão, no solo”.

Carla Reizinho, neurocirurgiã, recomenda que nunca entre na água com bandeira vermelha

“O impacto é transmitido do crânio à coluna, podendo provocar fratura” e dependendo da gravidade das mesmas, “as fraturas podem cursar com lesão medular ou não, podendo, nos casos mais graves, determinar lesões neurológicas como a paraplegia ou tetraplegia (imobilidade em cadeira de rodas ou cama)”.

No mar, por exemplo, o grande perigo é a rebentação das ondas. “A pessoa pode ser enrolada e, durante esse processo, sofrer traumatismo no solo, com impacto na coluna, podendo determinar a ocorrência de fratura”, afirma Carla Reizinho, que recomenda que se respeitem as indicações da sinalização da praia.

“Deve-se evitar ir a banho sempre que a bandeira estiver vermelha, não só pelo risco de afogamento, mas também pelo risco de traumatismos de crânio e da coluna”, salienta a neurocirurgiã.

Os mergulhos devem ser evitados?

Apesar de acarretarem perigos, Carla Reizinho não acredita em fundamentalismos, nem em proibir de absoluto os mergulhos. Segundo a especialista, é sim necessário “perceber se as condições de segurança estão satisfeitas, confirmar a profundidade da água, que não há obstáculos e evitar mergulhar de cabeça”, devendo prevalecer “o bom senso e a prevenção, que são fundamentais”.

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No entanto, existem pessoas com mais riscos de fratura e, consequentemente, maior suscetibilidade ao traumatismo, que devem evitar este tipo de comportamentos, como a população idosa, com mais risco de osteoporose.

“Esta condição, mais frequente na população envelhecida e predominante no género feminino, provoca uma fragilidade óssea e aumenta a probabilidade de um pequeno traumatismo determinar uma fratura vertebral”, salienta a especialista.

Em caso de presenciar um acidente e/ou suspeitar de uma lesão da coluna, a SPPCV alerta para a necessidade de contactar de imediato o 112 e de não mexer a pessoa, pois qualquer movimento na vítima pode causar danos maiores e permanentes.