A lubrificação é um dos maiores tabus entre as mulheres, mas não tem de ser

A MAGG falou com uma sexóloga que explica a origem deste problema e como pode ser revertido.

A solução é mais simples do que possa imaginar

Kamil Krajewski / Unsplash

Foi no primeiro episódio da quarta temporada de “Friends” que Rachel (Jennifer Aniston) e Ross (David Schwimmer) retomaram a sua relação. Bastaram apenas alguns minutos para entrarem novamente numa discussão que culmina com Rachel a gritar que “não é assim tão comum, não acontece a todos os homens e é importante.”

É fácil assumirmos que Rachel se estava a referir a um momento (ou vários) em que Ross não conseguiu iniciar uma relação sexual. Sabemos que estava chateada até porque, na realidade, este é um problema bastante comum. Mas não são só os homens que, por vezes, têm alguns contratempos durante as relações sexuais.

Há um problema transversal a todas as mulheres mas que muitas têm algum receio em admitir, apesar de, provavelmente, já terem passado por ele em algum momento. Falamos da falta de lubrificação vaginal, também chamada de secura vaginal, que é mais comum do que se imagina, tal como explica a sexóloga Maria do Céu Santo à MAGG.

“A lubrificação surge a partir das glândulas vaginais e a sua consistência é variável consoante o ciclo e a idade da mulher e ajuda a que não tenham dores nem desconforto durante as relações sexuais”, explica. “A falta desta lubrificação é um problema frequente, por várias razões.”

As dores a que a sexóloga se refere surgem da fricção de pele com pele durante as relações sexuais, que podem causar bastante desconforto durante e até mesmo após a relação. Tudo isto é reversível, graças à lubrificação que é desencadeada pelo fluxo sanguíneo que passa na zona genital quando a mulher está excitada. No entanto, e tal como Maria do Céu Santo diz à MAGG, há vários fatores que podem ser condicionantes.

“O stresse, alguns tipos de anovulatórios, as pílulas ou a menopausa, que é um dos fatores principais, assim como o cansaço”, diz a sexóloga. “Hoje em dia vejo muitos casais que estão em burnout parental, ou seja, que estão tão cansados que não têm disponibilidade física nem mental para iniciar relações sexuais.”

Outro dos fatores que pode inibir a lubrificação vaginal é o uso excessivo de produtos de higiene. Tal como a especialista explica, muitas vezes as mulheres tendem a lavar excessivamente esta zona por sentirem um odor desagradável e, na grande maioria das vezes, não usam produtos adequados e optam por sabonetes ou geles de banho, que alteram o pH natural da vagina e, consequentemente, causam secura.

Todos estes fatores podem levar a problemas na vida sexual do casal a longo prazo. Isto porque a tendência é entrar num ciclo vicioso em que se força a relação, o que pode causar dor, incómodo e receio com relações futuras. Tudo isto, naturalmente, torna a mulher mais inibida, o que altera as hormonas. E o resultado? Falta de lubrificação vaginal.

A verdade é que muitas mulheres olham para este problema como um bicho de sete cabeças, muitas vezes sem necessidade. Existem formas de reverter a situação e é tão simples como apostar mais em preliminares e utilizar um lubrificante.

“A sexualidade das mulheres é diferente da dos homens, e muitas vezes a excitação e o desejo só surgem durante os preliminares”, explica Maria do Céu Santo. “Se mesmo assim começarem a sentir dor, podem recorrer à saliva ou então a lubrificantes.”

Existe um mundo por explorar no que toca a lubrificantes, mas tente puxar o assunto com as colegas de trabalho ou num jantar entre amigas para ver quantas se sentem à vontade para falar sobre isso. Talvez o número seja reduzido — um estudo de 2012 da International Society for Sexual Medicine concluiu que 90% das mulheres defendem que não precisam de lubrificantes e que é errado usarem-nos.

Só que isto não faz sentido. Foi por isso que a Durex Portugal desenvolveu a campanha #LadiesLetsLube, com o intuito de quebrar com estes preconceitos e incentivar as mulheres a utilizarem lubrificantes, se assim o desejarem mas claro, sempre com os devidos cuidados.

“Se quiserem usar um lubrificante, optem por um à base de água, para não interferir com o látex do preservativo”, explica Maria do Céu Santo. “Se estiverem a tentar engravidar, também é preciso ter cuidado porque o uso excessivo de lubrificantes pode afetar a mobilidade dos espermatozóides e, por isso, dificultar a conceção.”

A campanha #LadiesLetsLube pretende acabar com os preconceitos

Conteúdo produzido pela Magg Lab e patrocinado por:

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