A notícia não foi lançada pelo “Expresso”, mas sim por um dos seus jornalistas que esta terça-feira, 30 de julho, recorreu às redes sociais para explicar o motivo por que as iria abandonar. Segundo escreveu Filipe Santos Costa nas suas páginas pessoais, foi aprovada uma nova adenda ao Código de Conduta dos Jornalistas do jornal “com um conjunto de recomendações” sobre a forma como os jornalistas devem usar as redes sociais.

“Conforme argumentei nos longos debates que precederam essa aprovação, entendo que estas normas configuram uma intrusão na esfera pessoal e uma limitação à liberdade dos jornalistas do ‘Expresso’ poderem participar nas redes sociais. Por isso votei contra a adenda e as recomendações”, lê-se.

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No entanto, e apesar do voto contra, a adenda terá sido aprovada e Filipe Santos Costa anunciou, por respeito ao resultado da votação, cessar a sua atividade nas plataformas em que estava inscrito como o Facebook e o Twitter.

“Por uma questão de lealdade e transparência, devo esta justificação a quem me segue por aqui, mas não farei mais comentários sobre este assunto ou sobre qualquer outro”, escreveu.

À MAGG, fonte oficial do grupo Impresa explica que a decisão se tratou de uma reflexão válida e aprovada entre os jornalistas do semanal — e surge como “fruto da evolução tecnológica”.

“Depois de uma reflexão iniciada pela direção editorial e pelo conselho de redação do jornal, os jornalistas do ‘Expresso’ aprovaram alterações ao Código de Conduta dos Jornalistas do Expresso (CCJE) que data de 2007”, explica.

A nova adenda surge da necessidade de atualizar o código de conduta com base nos avanços tecnológicos dos últimos anos. Segundo a mesma fonte, “a inclusão de orientações e recomendações para as redes sociais faz parte dos códigos de conduta de inúmeros órgãos de comunicação de referência internacional e foi o centro das alterações feitas ao CCJE.”

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A nova adenda, ainda não disponível para consulta, surge seis meses depois das declarações de Francisco Pinto Balsemão, fundador do jornal e presidente do Conselho da Administração da Impresa, à Lusa, citada pelo “Diário de Notícias”, de que “os jornalistas não devem intervir nas redes sociais, muito menos acerca de assuntos que eles próprios tratam nas redações.”

“Há quem diga que uma das razões porque Trump ganhou as eleições nos Estados Unidos foi porque os jornalistas entraram na guerra das redes sociais em vez de fazerem jornalismo e há o grande perigo de, com essas intervenções regulares, a notícia passar a ser opinativa”, explicou.