5 coisas que estão a acontecer neste momento por causa do calor

Na Bélgica um jardim zoológico alimentou os tigres com cubos de gelo, em Paris temem-se mais estragos na Catedral de Notre-Dame.

Há países a pintar trilhos dos caminhos de ferro de branco, de modo a absorverem menos calor

São recordes atrás de recordes. Naquela que já é considerada a segunda onda de calor na Europa, que atingiu várias cidades na semana passada, as temperaturas máximas chegaram a valores nunca antes vistos. A Alemanha, Holanda, Bélgica, Inglaterra e França atingiram números inéditos, que foram além dos 40 graus.

Infelizmente, estas ondas de calor vão ser cada vez mais frequente — e a culpa é das alterações climáticas. Os efeitos de um mundo em transformação já estão longe de ser uma ameaça dos cientistas, e neste momento podemos ver os efeitos reais de um ambiente em colapso. 

Desde um jardim zoológico que está a alimentar os seus tigres com cubos de gelo até ao risco de queda da catedral de Notre-Dame, sem esquecer as várias zonas do Ártico que estão a arder ou os voos cancelados, mostramos-lhe 5 coisas que estão a acontecer neste momento por causa do calor.

1. Calor ameaça estrutura da catedral de Notre-Dame

Numa altura em que os especialistas ainda tentam perceber o que fazer para recuperar a catedral de Notre-Dame, fortemente danificada na sequência de um incêndio em abril, a preocupação agora prende-se com o calor. O arquiteto-chefe do monumento francês, Philippe Villeneuve, disse estar apreensivo com as temperaturas altas que atingem a cidade.

“Estou muito preocupado com a onda de calor porque, como sabem, a catedral sofreu com o fogo, com o desmoronamento das vigas, mas também com o impacto da água dos bombeiros. As juntas de alvenaria estão saturadas de água”, disse, conforme cita a agência de notícias Reuters. “O que eu temo é que as ligações da alvenaria percam a sua coesão enquanto secam… e de repente, a abóbada cede”.

Na passada quinta-feira, 25 de julho, as temperaturas na capital ultrapassaram os 42 graus. Até ao momento, já morreram cinco pessoas em França vítimas do calor extremo.

2. Jardim zoológico alimenta tigres com cubos de gelo

Numa altura em que a Europa se debate com a onda de calor, o jardim zoológico Pairi Daiza, situado em Brugelette, a cerca de 50 quilómetros de Bruxelas, viu-se obrigado a tomar medidas excecionais para manter os seus animais hidratados. Os tigres foram alimentados com galinhas dentro de cubos de gelo gigantes, enquanto os ursos receberam melancias também dentro de cubos de gelo.

“Fizemos grutas com ar condicionado no interior para os pandas, porque eles são a espécie mais vulnerável neste tempo quente, no entanto eles preferem ficar do lado de fora porque adoram ter espaço”, disse o porta-voz do zoológico, Mathieu Goedefroy, cita o “The Star“.

3. Aviões e comboios afetados por causa do calor

Na quinta-feira, 25, o Reino Unido bateu recordes de calor, com os termómetros a ultrapassarem os 38 graus. Isto originou algumas perturbações nos serviços ferroviários e aéreos, e até mesmo cancelamentos. As temperaturas elevadas originaram problemas em cabelos eletrificados, bem como obrigaram a impor limites de velocidade perante o risco de sobreaquecimento.

Para tentar combater os efeitos das elevadas temperaturas nos meios de transporte, países como a Alemanha, Áustria, Suíça e Reino Unido estão a pintar trilhos dos caminhos de ferro a branco, de modo a absorverem menos calor.

4. Os países nórdicos estão com noites tropicais — e temem a falta de água

O alerta foi feito pelo Instituto Meteorológico sueco: o calor extremo está neste momento a atingir até o norte do país, com recordes de temperatura em várias regiões. Na semana passada houve “noites tropicais” em várias zonas, onde os termómetros não baixaram dos 20 graus. As autoridades temem sofrer com a escassez de água em agosto.

Além da Suécia, a Noruega e a Finlândia também já emitiram alertas de calor.

5. O Ártico está a arder

Desde junho que já deflagraram mais de 100 fogos intensos no Ártico, um fenómeno que os cientistas garantem ser “sem precedentes”. Zonas inabitáveis na Gronelândia, Sibéria e partes do Alasca cobriram-se de grandes nuvens de fumo, conforme mostram as imagens de satélite recolhidas pelo Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus.

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