Quando se fala numa relação, nunca se pode generalizar. Todas as pessoas são diferentes, cada casal tem a sua dinâmica. No entanto, existem de facto alguns fatores comuns que podem ser indicadores de determinadas fases do relacionamento — ou até mesmo do seu fim. Apesar de estar longe de ser uma ciência exata, vários estudos têm conseguido provar a existência de sinais que poderão indiciar que um casamento pode estar prestes a terminar.

Educação, carreira, família ou dinheiro. Da questão dos filhos até ter ou não pais divorciados, sem esquecer o excesso de afeto (é um problema) ou a tendência para se fechar durante uma discussão, mostramos-lhe 12 sinais de que um casal pode estar prestes a divorciar-se.

1. Casar muito cedo ou depois dos 32 anos

Não há uma idade certa para casar. A escolha deve ser feita tendo em conta se o casal se sente preparado para dar esse passo e se de facto descobriu a pessoa certa para o fazer. Ainda assim, há idades de maior risco. Segundo um estudo realizado por Nicholas Wolfinger, da Universidade do Utah, os casamentos que acontecem até aos 20 anos, e os que passam os 32, têm uma probabilidade de divórcio — que cresce 5% a cada ano.

A diferença de idades também pode ser um problema. Segundo outro estudo publicado em 2015 no “Economic Inquiry”, “um ano de diferença entre o casal faz com que tenham mais 3% de probabilidade de divórcio do que os da mesa idade. Cinco anos de diferença, passa para 18%. Dez anos de diferença sobe até aos 39%.

2. Ter pais divorciados

Segundo um estudo publicado no “Psychology Today“, em fevereiro, ter os pais divorciados também é um fator que aumenta o risco de divórcio. No caso de uma mulher ter os pais divorciados, esse risco chega aos 69%. Se ambos tiverem os pais divorciados, passa para 189%.

Para que estes números são sejam tão reais, as crianças de pais divorciados têm que aprender a separar a sua vida e as suas relações da dos seus pais. E, exatamente pelo exemplo que tiveram, tentar ter uma relação mais saudável, harmoniosa e menos conflituosa.

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3. Ter um marido que não trabalha a tempo inteiro

A carreira também é um fator importante nas relações. Um estudo de Harvard, publicado em 2016 na “American Sociological Review” identificou que casais em que o marido não tem um trabalho a tempo inteiro, têm mais 3,3% de risco de divórcio a cada ano que passa, em comparação com casais em que o marido trabalha full-time (2,5%).

Já a situação da carreira da mulher não interfere tanto com o sucesso da relação ou com o risco de divórcio. O estudo acaba por revelar que o estereótipo de o homem ser o “ganha pão” ainda está vivo e que isso pode afetar a estabilidade de um casal.

4. Não terminar o secundário

“A probabilidade um casamento acabar em divórcio é mais baixa em pessoas com mais educação, e mais de metade das pessoas que não terminaram o ensino secundário acabam por se divorciar, em comparação aos 30% dos casais com mais estudos”, lê-se no estudo publicado no “Bureau of Labor Statistics.”

Segundo este estudo, a ligação entre o divórcio e a educação pode ter que ver com o facto de, ao se ter menos estudos, poder ganhar-se menos dinheiro e, consequentemente, ter uma vida mais stressante. “O que eu penso que se passa é que é muito difícil ter um casamento feliz quando as circunstâncias da vida são tão stressantes e quando o dia a dia envolve apanhar três ou quatro autocarros só para chegar ao trabalho”, explicou Eli Finkel, psicólogo, ao “Business Insider”.

5. Mostrar desprezo pelo companheiro

Há certos comportamentos que fazem com que os especialistas consigam prever mais facilmente o divórcio. Mostrar desprezo pelo companheiro ou sentir-se superior é um deles. As críticas constantes, tornar um comportamento do companheiro numa definição do seu caráter, estar sempre na defensiva ou fazer o papel de vítima podem ser outras das atitudes que põem a relação em risco.

6. Quando são demasiado afetuosos

Espera-se que uma relação tenha vários momentos de carinho. Quando não tem, algo está errado. Quando tem demasiados, também. Um estudo publicado em 2001 na revista “Interpersonal Relations and Group Processes” concluiu que quem demonstra demasiado carinho, divorcia-se mais cedo.

Depois de acompanhar 168 casais ao longo de 13 anos, analisaram que “como recém-casados, os casais que se divorciaram depois de sete ou mais anos de casamento eram demasiado afetuosos, mostrando mais um terço de afeto do que os casais que continuaram casados.”

Na “Psychology Today”, também Aviva Patz analisou esta questão: “Casais cujos casamentos começaram de uma forma muito romântica são mais propensos ao divórcio, porque é muito difícil manter isso. Acreditem ou não, casais que começam com menos romance à Hollywood, normalmente tem futuros mais promissores.”

7. Acumular stresse do dia a dia

O stresse pode ter mais impacto numa relação do que aquilo que se imagina. Um estudo de 2007, publicado no “Journal of Social and Personal Relationships“, analisou os fatores que levam ao divórcio dos casais europeus e descobriu que o stresse diário era uma das grandes razões para o fim de casamentos.

O estudo concluiu também que “os participantes reportaram que a acumulação do stresse do dia a dia era mais relevante para espoletar o divórcio do que apaixonarem-se por outra pessoa ou violência doméstica.”

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8. Desistir a meio de um conflito

Quando um casal precisa de falar e um dos membros não quer ou se fecha, não é um bom sinal. Esta é a conclusão de um estudo publicado em 2013 no “Journal of Marriage and Family”, que diz que os maridos com comportamentos deste género aumentam o risco de divórcio.

Outro estudo publicado no ano seguinte revela também que casais com este tipo de comportamento — um a pressionar para conversar e o outro a responder com silêncio — são menos felizes. E, quando assim é, é um padrão difícil de combater, porque cada um acha que o outro é que é o problema.

9. Descrever a relação de forma negativa

Em 1992, o psicólogo John Gottman desenvolveu um procedimento chamado “entrevista oral”, no qual pedia a casais para falarem sobre diferentes aspetos das suas relações. Ao analisar essas conversas, conseguia prever se os participantes se iriam divorciar ou não.

Gottman tinha em conta o carinho que demonstravam um pelo outro, se falavam no plural ou sempre no singular, se mostravam desilusão com o casamento e negativismo, e quão caótica diziam que a relação era.

10. A profissão de cada um

Todos sabemos que há profissões que tornam mais difícil a manutenção de uma relação e até a criação de uma família. De acordo com a “Business Insider“, há uma lista de profissões com uma taxa de divórcio mais elevada. A liderar esta lista estão profissões como assistente de bordo, gaming manager e bartender.

11. Quanto dinheiro se ganha

O dinheiro é um tema que muitas vezes gera conflito entre casais. E, por isso, é um dos grandes fatores que leva os casais a divorciarem-se. Um estudo de 2012 publicado no “Family Relations Journal” revelou que “o dinheiro é o indicador que mais prevê o divórcio.”

E se muitos acham que é a falta de dinheiro que gera mal-estar, com este estudo ficam a saber que são os casais com mais rendimentos que têm maior probabilidade de se divorciar. Isto pode dever-se ao facto de por vezes só uma das partes trabalhar e ganhar dinheiro, ou por um dos dois ter que viajar muito em trabalho e estar sempre fora de casa.

12. Ter filhos ou não

Os filhos têm uma grande influência na relação dos pais. Se por um lado há casais que depois de serem pais se unem, por outro há os que se afastam. Segundo um estudo feito pela jornalista Anneli Rufus, pubicado na Smart Marriages, em 2010, 66% dos casais divorciados nos Estados Unidos não tinham filhos, versus 40% que tinham filhos.

O mesmo estudo revela que quando há uma das partes que quer ter um filho e outra não tem o mesmo desejo, a probabilidade de acabarem por se divorciar duplica.