É a figura que continua a deixar loucos jornalistas e académicos, a julgar pela quantidade de investigações para descobrir a verdadeira identidade por trás do nome Elena Ferrante, que mantém o anonimato desde 1992.

Depois da saga iniciada por “A Amiga Genial”, que serviu de inspiração para uma série da HBO, a autora conquistou os especialistas literários que não pouparam nos elogios. Mas também houve críticas, muito devido ao facto de não se conhecer a cara por detrás do nome.

Segundo explicou através das entrevistas que foi dando, e sempre por escrito, Elena sentiu necessidade de esconder a identidade com o objetivo de permitir que o foco de interesse fosse sempre a história e as personagens que criava e desenvolvia a cada página.

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Os críticos acusaram-na de estar a tentar vender mais livros através do mistério e do burburinho de não se saber quem assinava a história — chegando mesmo a avançar com a hipótese de o nome ser usado por um homem ou por um grupo de homens.

Em entrevista à “Vanity Fair”, em 2015, Elena defendeu que essa ideia está assente na convicção errada de que as escritoras são fracas.

“O género masculino consegue mimetizar o género feminino, já o feminino não consegue mimetizar nada porque é imediatamente traído pela sua ‘fraqueza’. A verdade é que a indústria literária e os meios de comunicação acreditam neste lugar comum e acabam por excluir mulheres que escrevem”, explicou.

Mas depois de concluída a tetralogia, em 2015, os fãs portugueses da autora italiana vão ter mais um livro para ler. Chama-se “A Invenção Ocasional” (editado pela Relógio D’Água) e, com 128 páginas, chega esta segunda-feira, 22 de julho. Vai estar à venda por 17€.

Trata-se de uma coletânea de crónicas publicadas pela autora em 2017 na rubrica semanal que assinava no jornal britânico “The Guardian”.

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“Senti-me lisonjeada e, ao mesmo tempo, assustada. Nunca fizera uma experiência desse género e receava não ser capaz. Depois de muitas hesitações, fiz saber à redação que aceitaria a proposta se me fosse enviada uma série de perguntas, a cada uma das quais, por sua vez, eu responderia respeitando os limites de espaço que me fossem fixados”, escreve Elena Ferrante na sua introdução ao livro.

Segundo a descrição da editora Relógio D’Água, o livro retrata “acontecimentos que permaneceram na memória da autora ou que se desenvolvem no presente” e que, no seu conjunto, compõem “um mosaico em movimento onde o imaginário das mulheres de hoje ocupa um lugar importante.”