De um dia para o outro, os rostos que seguimos no Instagram e no Facebook envelheceram 50 anos. De famosos portugueses e internacionais a autênticos anónimos, os utilizadores das redes socais não demoraram a aderir ao desafio de ficar mais velhos numa questão de segundos através de uma aplicação, a FaceApp.

Só que com o divertimento vem também a preocupação. Poucos dias depois de a aplicação se ter tornado viral, foram muitas as vozes que se levantaram sobre a questão da privacidade. Os nossos dados eram roubados pela aplicação? A nossa informação ficaria armazenada? Era possível a aplicação aceder às fotografias da nossa galeria?

Segundo o “Daily Mail” a reposta é não. A publicação ouviu alguns especialistas e estes garantem que nos testes que fizeram, a aplicação revelou-se segura e apenas capaz de guardar a fotografia que escolhemos para ser editada.

“Não encontrámos nada fora do vulgar. A aplicação parece ter sido desenvolvida de uma forma responsável. Não utiliza dados de uma maneira inesperada”, diz um especialista em cibersegurança, citado pelo “Daily Mail”. “Não parece que a aplicação tenha acesso à galeria de fotos mas apenas à fotografia que é modificada”, continua.

Já imaginou como vão ficar David Carreira ou José Castelo Branco quando envelhecerem?

O facto de a aplicação ser russa também levantou alguns alertas, mas o especialista tranquiliza os utilizadores. “As pessoas estão preocupadas por a aplicação ser de outra parte do mundo”, explica. “Mas a verdade é que não está a fazer nada de mal com a vossa informação”, diz. No entanto, o mesmo especialista alerta que, ainda assim, os utilizadores devem ser cautelosos na utilização das aplicações.

A própria app já lançou um comunicado a falar da questão da transferência de informação para a Rússia. Ainda que a equipa esteja “localizada na Rússia, os dados dos utilizadores não são transferidos para lá”, diz o comunicado citado pelo jornal.

Apesar do que dizem os especialistas ouvidos pelo meio inglês, um utilizador partilhou no Twitter os termos da FaceApp. Na publicação pode-se ler que, ao usar a aplicação, o utilizador permite de uma forma “perpétua, irrevogável e não exclusiva” a “reprodução, modificação, adaptação, publicação e distribuição” do conteúdo do utilizador, assim como “qualquer nome ou username”.

Parte do tweet que alerta para os termos da aplicação

A mesma publicação contactou a Information Commissioner’s Office (ICO), um gabinete regulador de carregamentos de informação inglês, que não especificou se abriu uma investigação à app, mas alerta os utilizadores sobre os detalhes que partilham com esta e outras aplicações.

“Estamos cientes das histórias que dizem respeito à FaceApp e vamos considerá-las”, disse um representante da empresa ao “Daily Mail”. “Aconselhamos que as pessoas tenham em atenção o que acontece que as informações pessoais que partilham com qualquer aplicação e que não forneçam nenhum detalhe pessoal até que saibam como é que essa informação será utilizada”, alertam.