Herdeira da Disney chocada com condições de trabalho no parque

Abigail Disney foi alertada por um funcionário. Foi ao parque percebeu que os funcionários são explorados. O CEO da empresa nunca respondeu.

A Disney já tinha sido anteriormente acusada de injustiça salarial, ao pagar ordenados mais baixos a mulheres

Há um castelo gigante, Mickeys e Minnies por todo o lado, rodas-gigantes, carrosséis e música daquela que nos faz sentir sempre como personagem de um filme. Neste caso, da Disney.

Falamos aqui do parque temático de Anaheim, na California, tido como “o lugar mais feliz do planeta”. Usando a gíria atual, quase que apetece escrever “só que não”.

Abigail Disney, herdeira do império que começou com o seu avô Roy O. Disney, irmão de Walt Disney, recebeu uma mensagem no Facebook de um funcionário do parque, a dar o alerta sobre a forma como os funcionários são tratados. Decidiu confirmar a informação deslocando-se até ao local para falar diretamente com quem lá trabalhava. “Fiquei lívida”, admite, numa entrevista dada à Yahoo. 

Não só confirmou que a mensagem daquele funcionário que teve a coragem denunciar o verdadeiro ambiente que se vive naquele local era verdadeira, como percebeu que a memória da família não estava a ser preservada. “O meu avô ensinou-me a respeitar toda a gente, desde a pessoa que me vende o bilhete à que me serve o refrigerante”, conta.

A cada conversa com os funcionários, Abigail ficava mais convicta de que a pressão do negócio falou mais alto. “Todas as pessoas com quem falei me diziam: ‘Eu não sei como posso manter uma cara feliz quando tenho que procurar comida no lixo de outras pessoas antes de ir para casa”.

Cineastra e filantropa, Abigail manteve-se afastada do negócio de família, mas ao aperceber-se do rumo que estava a tomar, decidiu tornar-se voz ativa na resolução do problema.

Enviou de imediato um email ao CEO da empresa, Bog Iger, a lembrar, entre outras coisas, a importância do legado deixado por quem criou uma das empresas mais poderosas do mundo. “É um CEO muito importante, talvez o CEO mais importante do país deste momento. O seu legado é ser um bom manager e se eu estivesse no seu lugar eu quereria fazer algo melhor do que está a ser feito. Eu gostaria de ficar conhecido como o homem que levou a empresa a um lugar melhor, porque a verdade é que tem esse poder”, escreveu Abigail, ainda que nunca tenha recebido resposta.

Para Abigail, o CEO da Disney não está a justificar a posição que ocupa e com a qual ganha 6 milhões de dólares anualmente. “Bob tem que perceber que ele é um funcionário, tão funcionário como aquele que tira pastilhas elásticas do chão. Todos têm direito à mesma dignidade e aos mesmos direitos”, lembrou, em entrevista ao programa “Through Her Eyes”, apresentado pela ativista de direitos humanos Zainab Salbi. No entanto, e segundo a empresa de consultoria de remuneração Equilar, o salário de Bob Iger é mais de mil vezes superior ao de um funcionário médio da empresa.

Ainda que sem resposta direta do responsável pela empresa, um porta-voz da Walt Disney Co. veio a público dizer que geralmente evita responder a “acusações infundadas”, mas que neste caso isso não ia acontecer. Dirigindo-se diretamente a Abigail, o porta-voz explica: “Discordamos dessa descrição que faz dos nossos funcionários e da sua experiência na Disney. Esse golpe que dá é um exagero injusto dos factos, é um insulto aos funcionários, não é só uma deturpação. Como parte da comunidade Disney, esforçamo-nos para melhorar as condições de trabalho dos mais de 200 mil funcionários, através de uma série de vantagens e programas que lhes proporcionam novas oportunidades, mobilidade e bem-estar”.

Esta não é a primeira polémica sobre as condições de trabalho na empresa, que também já foi acusada de oferecer salários inferiores às mulheres, algo que veio a negar mais tarde.

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