Cat Power. A artista que considerou suicidar-se ao vivo e que se isolou do mundo por 10 dias

Charlyn Marie Marshall atua esta quinta-feira, 18 de julho, na 25ª edição do Super Bock Super Rock que regressa ao Meco, em Sesimbra.

Cat Power toca às 19h15 no Super Bock Super Rock

Chad Batka/The New York Times

Charlyn Marie Marshall é o nome da artista que, em palco e nos discos, se apresenta como Cat Power e que passa por Portugal esta quinta-feira, 18 de julho, para atuar no Super Bock Super Rock. Depois de uma ausência de sete anos, a compositora voltou a escrever música e lançou o seu novo disco em 2019 chamado “Wanderer”.

Agora com outra maturidade, até porque a idade a isso obriga, a sonoridade mantém-se a mesma e aposta na mesma melancolia que sempre foi característica da sua vida e obra. É que a artista foi diversas vezes comparada a Amy Winehouse — especialmente devido aos comportamentos autodestrutivos e às atuações erráticas a que se prestava ao vivo.

Em entrevista, a cantora chegou a revelar que considerou suicidar-se durante um concerto e recorda um ambiente tenso e estranho.

Noutro espetáculo, tocou toda uma canção com o nariz espetado no chão enquanto os fãs lhe davam toques suaves nas costas para a confortar. No fundo, estavam a assistir à decadência do artista ao vivo e a cores. 

A propósito da sua passagem por Portugal esta quinta-feira, 18 de julho, às 19 horas, mostramos-lhe quatro factos sobre Cat Power que são o espelho de uma vida de excessos.

1. Considerou suicidar-se durante um concerto

Em 1989, Adolfo Luxúria Canibal, vocalista dos Mão Morta, tornou-se na representação máxima dos excessos do rock’n’roll quando num concerto em Lisboa, se cortou várias vezes na perna com uma faca. O palco e Adolfo ficaram completamente manchados de sangue e o músico viria a ser levado para o Hospital de Santa Maria.

A ideia, ainda que extrema, viria a ser replicada nos anos seguintes por outras bandas geralmente mais agressivas, dentro do rock ou do heavy metal. Mas Cat Power, vocalista e compositora de um género de rock mais alternativo, chegou a considerar uma abordagem mais extrema.

Segundo escreve a revista canadiana “Exclaim!”, nos anos 90 a cantora contemplou suicidar-se durante um dos concertos em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

“Nesse concerto estive constantemente a decidir de que forma me poderia matar e não havia maneira. Podia saltar para cima daquelas pessoas todas, mas elas iria apanhar-me. Podia bater com a guitarra na minha cabeça mas eventualmente iriam tirar-me a guitarra das mãos”, recorda.

À mesma publicação, a artista explica que se lembra da sensação de impotência que sentiu durante o espetáculo e fala de um ambiente tenso e horrível. “Talvez me pudesse asfixiar, mas na verdade não havia maneira nenhuma de o fazer. Era como se Satanás estivesse naquele espaço. Foi horrível”, diz.

2. A sua sessão fotográfica mais popular mostra uma cantora fragilizada e no auge do consumo de álcool

A cantora explicou ainda à mesma publicação que esse concerto coincidiu com um dos momentos mais atribulados da sua vida, durante o qual teve uma sessão fotográfica para a revista “New Yorker”. Devido ao abuso de álcool e drogas, a artista passou dois meses com diarreia e vómitos diários ao ponto de ser obrigada a deslocar-se sentada numa cadeira de rodas para aquela que foi considerada a sua sessão fotográfica mais popular.

A fotografia mais popular de Cat Power

Richard Avedon/New Yorker

O contacto com o fotógrafo da revista aconteceu um dia depois de um dos concertos. “Foi numa altura em que bebia constantemente e quase de certeza que fui para a sessão alcoolizada. Doía-me tudo porque estava a destruir os meus órgãos”, disse à mesma publicação.

Mas Richard Avedon, fotógrafo, conseguiu que nada dessa realidade transparecesse nas imagens que viriam a figurar na revista.

3. Teve um surto psicótico que a levou a isolar-se durante 10 dias

Segundo a revista “Magnet”, foi quando o Hamas ganhou as eleições legislativas na Palestina que Charlyn Marshall ficou ainda mais fragilizada e se isolou do mundo.

“Regressou ao seu apartamento, fechou todas a as janelas e ficou lá por dez dias. Uma loja de bebidas fazia entregas regulares de duas caixas: uma cheia de cerveja e outra repleta de vinho, licores e champanhe. Três dias depois, ficou sem cocaína e entrou num ciclo de jejum e rezas em que sobrevivia apenas à base de álcool e água”, lê-se na reportagem.

Segundo a mesma publicação, a semana seguinte ao período de isolamento foi semelhante ao “purgatório”, já que a artista passava os dias a jogar solitário e a ouvir discos de Miles Davis.

A revista “Clash” escreve que a semana seguinte coincidiu com a promoção do seu disco “The Greatest”. Durante uma entrevista de promoção ao novo trabalho de originais, pediu a um jornalista que lhe desse um tempo para se recompor. “O que o jornalista não sabia é que eu ia tomar todos os comprimidos que tinha comigo. Só pensava: ‘Sim, vou fazê-lo. Estou fora daqui'”, recorda a artista.

4. Os concertos de Cat Power são quase sempre erráticos

Além dos atrasos recorrentes a chegar ao palco, Cat Power é ainda conhecida pelas suas atuações erráticas e muitas vezes instáveis. Alguns dos fãs recordam concertos terminados antes do tempo ora porque há pessoas ao telefone ou porque a artista está demasiado alcoolizada para continuar.

Mas um dos mais conhecidos aconteceu em 1999, em Nova Iorque. Durante a canção “Coss Bones Style”, Cat Power saltou do palco e cantou-a com o nariz espetado no chão e num pranto. Segundo a revista “Clash”, enquanto isto acontecia “muitos dos fãs que estavam a assistir davam-lhe toques suaves nas costas na tentativa de a reconfortar.”

“Durante aqueles minutos, foi como se estivessem a ver um comboio desgovernado”, lê-se.

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