Afinal, ouvir música é bom ou mau para a criatividade?

Vários estudos tentam perceber a influência da música na solução criativa de problemas. A resposta não é sim, nem não. Depende da tarefa.

Estudos demonstram a influência da música na criatividade e na concentração

Bruce Mars/Pexels

O seu ritual de trabalho pode passar por ligar o computador, abrir alguns sites, colocar os fones nos ouvidos e escolher uma da suas músicas favoritas. Para muitos é uma ajuda para se concentrarem e aumentar a produtividade, mas para muitas pessoas é puro ruído.

O mais recente estudo — publicado em fevereiro deste ano — sobre o impacto da música de fundo no desempenho cognitivo foi publicado na revista Applied Cognitive Psychology. Para a investigação, as pessoas envolvidas na amostra tiveram de resolver uma série de palavras cruzadas em dois tipos de ambientes: num espaço silencioso e num espaço com três tipos de músicas de fundo.

O primeiro tipo tinha letras estrangeiras, o segundo consistia apenas no acústico e o terceiro conjunto de músicas apresentava letras familiares. O objetivo era medir a forma como este tipo de sons consegui influenciar a criatividade.

O resultado? De acordo com os autores do estudo, “as descobertas desafiam a visão de que a música de fundo aumenta a criatividade”. O facto é que os três tipos de música prejudicaram o desempenho dos participantes comparativamente às situações em que foram expostos a ambientes silenciosos.

Mas há outros estudos que sugerem o contrário

Estudos anteriores analisam outros fatores para perceber a influência da música. E tiveram resultados que, em parte, podem contrastar com a conclusão anterior. A investigação publicada no jornal “Plus One”, em 2017, dá conta de que ouvir “música feliz”, ou seja, música clássica que estimula o bom humor, aumenta o pensamento divergente, ou seja, a tal capacidade que permite gerar ideias mais criativas e encontrar soluções alternativas.

Ainda assim, Simone Ritter, coautora deste estudo de 2017 e professora assistente da Radboud University Nijmegen, na Holanda, explicou à Time que “só podemos especular sobre porque é que a música alegre estimula o pensamento divergente”.

Estes resultados, no entanto, permitiram perceber que a música pode ser útil para promover o pensamento criativo de forma simples e eficiente em vários contextos — quer educacionais ou organizacionais.

Mark Beeman, outro dos elementos envolvidos no estudo, diretor do departamento de psicologia da Northwestern University e principal investigador do Creative Brain Lab da NU, reforça o poder da música, afirmando que esta tem também o poder de diminuir a ansiedade e melhorar o humor.

Então, em que é que ficamos?

Arrumamos os fones e ficamos à mercê de conversas alheias enquanto trabalhamos? Ou aumentamos o som para ouvir uma música de Mozart?

Ambas as situações são válidas, tudo depende do contexto.

Beeman não discorda dos resultados deste último estudo, que apontam para o facto de a música prejudicar a solução criativa de problemas. No entanto, chama a atenção para o método utilizado para a investigação: as palavras-cruzadas, ou seja, os quebra cabeças, exigem atenção redobrada, sendo que qualquer qualquer distração (até música) pode prejudicar. Logo, neste caso em particular, as canções não são amigas da criatividade.

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