Uma coisa é certa: precisamos de abrandar o ritmo. Seja devido ao trabalho ou à vida social, a necessidade de diminuir o stresse é cada vez maior. O novo estilo de vida, com respetivas práticas, é sugerido pelos povos do norte da Europa e chama-se niksen. O conceito holandês consiste em fazer aquilo que mais ansiámos a vida toda: tirar um momento para não fazer nada.

Antes desta prática, já tínhamos ouvido falar do dinamarquês hygge e do sueco lagom. O primeiro é conhecido por conter o “segredo da felicidade”, através de pequenos atos que aumentam o conforto e bem-estar. Por exemplo: adicionar um pouco de mel ao chá para o tornar mais doce ou sentir um cheiro que nos é nostálgico, mantendo-se afastado dos ambientes uhyggelig (o inverso da ideologia). O segundo é referente a práticas que permitem manter o equilíbrio e moderação. Como? Abrindo as janelas de casa para aproveitar a luz natural do dia — um raio de sol é sinónimo de felicidade

E quanto ao niksen? É simples. Imagine-se a sentar num cadeirão no canto do seu quarto e a ficar aí, o tempo que precisar. É este o lema do niksen. Quer seja ficar sentado sem fazer nada ou a dar um passeio, o objetivo é sempre o mesmo: relaxar.

O que podia ser confundido com preguiça, portanto, tem conotação positiva e um novo nome. Niksen significa “literalmente não fazer nada, ficar ocioso ou fazer algo sem qualquer utilidade”, define à “Time” Carolien Hamming, diretora administrativa do CSR Centrum, um centro de tratamento holandês especializado na gestão de stresse e de esgotamento.

O que o niksen faz à mente e ao corpo

Eve Ekman, diretora de treino no Greater Good Science Center, na Universidade da Califórnia, diz à mesma revista americana que este estilo de vida holandês permite reduzir a ansiedade, tardar o envelhecimento e fortalecer o sistema imunitário.

Mas há ainda outro efeito positivo na adoção desta prática: aumenta a criatividade e pode ajudar a encontrar a solução para diversos problemas. Ruut Veenhoven, sociólogo e professor na Erasmus University Rotterdam, na Holanda, estuda a felicidade e destaca isto mesmo: mesmo quando não estamos a fazer nada, o nosso cérebro está a processar informações — é nesses momentos que pode surgir uma ideia criativa de negócio ou uma solução para um problema.

É difícil praticar o niksen?

No meio do ritmo frenético do trabalho e de uma casa para cuidar diariamente, tirar cinco minutos para não fazer nada pode ser um luxo. A ideia de ficar parado pode parecer simples, mas para muitas pessoas poderá ser um verdadeiro desafio — até para quem tem tempo.

Por isso, é fundamental algum esforço, porque até a mente precisa de ser educada. Os hábitos demoram tempo a enraizar-se, mas, com alguma disciplina, é possível — até quando o objetivo é fazer nada.

Segundo Carolien Hamming, o ideal é começar por tirar uns minutos, uma noite por semana, para se dedicar à tendência holandesa. Depois, conforme o tempo vai passando, basta aumentar a frequência e os minutos (ou horas) dedicados a relaxar, de modo a que o corpo se habitue. Diversificar os exercícios (isto é, a forma como decide relaxar) é um bom truque para manter a motivação, mas também é possível que encontre o método ideal e decida mantê-lo.

Alguns exemplos: fazer uma caminhada (uma opção mais movimentada para experimentar no início do processo), deitar-se a ouvir música, fazer tricô, ir ao spa ou simplesmente olhar pela janela com uma manta ou com um sumo fresco, de acordo com a estação do ano.

Enquanto isto, pode seguir várias dicas para os exercícios não falharem: afastar os equipamentos eletrónicos (a companhia e o barulho da televisão são escusadas, assim como o telemóvel sempre a apitar com novas notificações), organizar o espaço envolvente para não haver distrações e não desistir à primeira, porque a “arte de não fazer nada” também se treina. E nem sempre é fácil.