Begpackers. Mas afinal que moda é esta de pedir dinheiro para viajar?

Alguns governos estão a declarar guerra a esta prática, deslocando os pedintes para as embaixadas dos seus respetivos países.

A prática surgiu de forma discreta por volta de 2016, mas está cada vez mais popular — em particular no continente asiático

A era das redes sociais, hashtags e crowdfunding trouxe-nos uma nova tendência de viagens: o begpacking. Uma contração das palavras “beg” (advém de “begging”, que significa mendigar) e “packing” (com origem em backpacking, em português viajar de mochila às costas), falamos das pessoas que vão para a rua pedir dinheiro para continuarem a viajar pelo mundo.

A prática surgiu de forma discreta por volta de 2016, mas está cada vez mais popular, em particular no continente asiático. Os viajantes são sobretudo ocidentais, que vão para as ruas vender objetos de pouco valor, como postais ou porta-chaves, para angariar dinheiro. Alguns. Outros limitam-se a procurar um lugar cheio de gente, agarrar num cartaz onde se lê que querem viajar e esperar que as moedas caíam no chapéu colocado estrategicamente no chão.

As implicações éticas são evidentes: salvo raras exceções de viajantes que, por algum infortúnio, se viram sem dinheiro para sair do país e regressar a casa, não é justo pedir dinheiro para financiar viagens em locais de pobreza extrema. Nesta imagem, por exemplo, tirada em agosto de 2016, vemos uma turista a pedir dinheiro na ilha vietnamita de Phú Quốc. Mesmo ao lado estava uma mulher idosa a recolher lixo.

À medida que se torna cada vez mais popular, o begpacking é também cada vez mais alvo de críticas. Mas isso não se cinge às opiniões nas redes sociais — em alguns países tornou-se mesmo um flagelo, de tal forma que os governos tiveram de tomar medidas para o combater.

Como a Ásia está a tentar lutar contra o begpacking

Com o crescimento do fenómeno de pedir dinheiro para continuar viajar, a Tailândia decidiu adotar uma medida imediata: nenhum visitante pode entrar no país sem provar que tem pelo menos 525€ em dinheiro. No entanto, isto não é suficiente para acabar com o begpacking. Em agosto do ano passado, por exemplo, a fotografia de dois britânicos a pedir dinheiro num mercado tailandês tornou-se viral.

Um dos cartazes estava escrito em tailandês, outro em inglês. “O meu nome é Alex. Estou a viajar pela Ásia durante 15 meses. Infelizmente fiquei sem poupanças, mas mantenho-me positivo. Gostaria de vos pedir por gentileza que me ajudem a concretizar o sonho de viajar. Por favor contribuam para a minha viagem. Obrigada.”

O begpacking é legal?

Na grande maioria dos países, não: o visto turístico não dá permissão para que as pessoas arrecadem dinheiro enquanto estão de férias, seja a trabalhar num restaurante ou a pedir dinheiro nas ruas. Como a ilegalidade do ato não tem sido suficiente para acabar com estes comportamentos, alguns países decidiram adotar medidas mais restritivas.

As fotografias foram publicadas por um local no Facebook, Palm J. Sittichai. Escreveu: “Esperem lá. Eles agora fazem isto? Ocidentais pedem dinheiro para viajar no mercado de Samkong [Phuket]. Isto está certo?”.

Em entrevista ao jornal local “Coconuts“, outro residente em Phuket, Naruemon Suthanan, disse que viu vários tailandeses e estrangeiros a entregarem dinheiro a Alex. “Eu não lhes dei nada”.

Bali debate-se com o mesmo problema. E encontrou outra solução para o problema: a 25 de junho, Setyo Budiwardoyo, do departamento de imigração, afirmou que todos os backpackers vão ser reencaminhados para as respetivas embaixadas dos seus países.

“Cidadãos estrangeiros que ficam sem dinheiro ou que fingem ser mendigos, são enviados para as suas respetivas embaixadas”, disse ao “Detik News“.

No passado, as autoridades ajudavam os turistas que ficavam sem dinheiro, fornecendo-lhe alojamento e alimentação. Com o passar do tempo, porém, tornaram-se cada vez mais céticos em relação ao verdadeiro estado de “necessidade” destas pessoas. “Se quisermos discutir questões orçamentais, prefiro não dar comida a pessoas que estão a fingir”, disse.

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