TikTok. A nova rede social para onde os miúdos estão a ir (e que ainda quase não tem pais)

Permite criar pequenos vídeos com música ou áudios e é um fenómeno entre crianças e adolescentes. A segurança da app já foi questionada.

A aplicação é utilizada sobretudo por adolescentes, que se estão a tornar celebridades na plataforma com milhões de seguidores

AFP

Estamos todos familiarizados com os estatutos de blogger, youtuber, instagrammer, influenciador digital. Em todos os casos, tratam-se de pessoas populares no universo da Internet, pessoas que publicam conteúdo com frequência, acompanhadas por milhares ou milhões de seguidores. Mas e de tiktokers, já ouviu falar?

Se tiver mais de 25 anos, é possível que não. É que esta rede social que permite criar vídeos curtos (numa espécie de mistura entre o Instagram, o snapchat e o falecido Vine) é um fenómeno imenso, mas sobretudo entre crianças e adolescentes, faixas etárias que cresceram com a Internet e com os aparelhos mobile mais evoluídos, dominando-os como gente grande. Lançamos o primeiro número: a aplicação já conta com 500 milhões de utilizadores. Sim, leu bem: 500 milhões, ficando no top das apps com mais downloads no mundo em 2018.

Só para perceber melhor a abrangência da aplicação, deixamos-lhe ainda o número de seguidores da conta de TikTok mais famosa: as gémeas alemãs Lisa e Lena Mantler têm 32.4 milhões de pessoas a acompanharem as suas publicações.

Apesar de a Índia, Brasil e os Estados Unidos serem os países que mais utilizam a app, Portugal também já lá anda a ser representado. É o caso de Maria Nunes, que já tem mais de 362 mil seguidores — como, muitos outros, a adolescente surge várias vezes a fazer dobragens de temas musicais conhecidos, enquanto dança.

Mais: vários Youtubers famosos, com milhões de seguidores, têm apostado nesta aplicação. No entanto, a visibilidade que na plataforma da Google ganharam não é suficiente para ultrapassarem o sucesso daqueles que nasceram e se dedicam exclusivamente ao TikTok.  Um desses exemplos é do português D4rkFrame, que, apesar de no Youtube ter já mais de 4 milhões de subscritores, no TikTok tem apenas 60 mil.

Faça o exercício: caso tenha filhos, sobrinhos, irmãos mais novos, pergunte-lhes pelo TikTok. É provável que eles estejam por lá. Mas antes, estude. Reunimos as principais perguntas e respostas para que saiba tudo sobre esta aplicação.

O que é que a app faz?

Há TikTokers portugueses com milhares de seguidores

1. Maria Nunes, com 362.1 mil seguidores

2. Diana Monteiro, 342.8 mil seguidores

3. Diogo Reis, 89.9 mil seguidores

4. Catarina Barbie, 60.5 mil seguidores

5. Margarida, com 25.4 mil seguidores

6. Bernardo Silva, 19 mil seguidores.

É simples. Com uma interface semelhante ao Instagram, e com um formato semelhante ao obsoleto Vine, o TikTok é uma aplicação que permite criar vídeos curtos (sempre na vertical), de entre 15  segundos a 1 minuto. A possibilidade de adicionar uma música ou qualquer outro áudio, assim como as ferramentas simples de edição (incluindo acelerar e desacelerar), fazem com que seja amplamente utilizada para dobragens de voz (musicais ou não), geralmente feitas em tom humorístico. Também é comum os utilizadores acompanharem a música com coreografias.

As músicas estão disponíveis na biblioteca do TikTok — organizada por popularidade ou género —, sendo que o nome do cantor e da canção estão sempre visíveis nos vídeos publicados, de modo a que os outros utilizadores possam ter acesso às mesmas. Em simultâneo, e uma vez que nem todos os temas estão na app, é possível importar vídeos e músicas do telemóvel e editá-los através da aplicação.

Além disto, oferece todas as outras possibilidades das redes sociais. Tal como o Instagram, é possível enviar mensagens privadas e seguir os utilizadores, comentar, gostar e partilhar publicações. O registo é feito diretamente na app ou através dos dados do Facebook, Google ou Twitter.  Os filtros faciais, de ambiente e stickers também estão disponíveis, com uma imensidão de escolhas possíveis.

Tal como no Instagram, existe também uma zona de destaques, com os vídeos selecionados pela própria aplicação, que tem em conta, não só a popularidade, como as preferências do utilizador.

Como nasceu. De Musical.ly a  TikTok

Na base do TikTok está outra app, criada em 2014, na China, com o nome Musical.ly. Apresentava-se como a “maior plataforma de criatividade do mundo”. Criada por uma start-up de Shangai (sediada na Califórnia) de redes sociais pensadas para os adolescentes americanos, a aplicação de vídeos teve sucesso imediato, facto evidenciado pela quantidade de downloads feitos nos sistemas operativos iOS e Android. Em 2016, o “Business Insider” entrevistou vários adolescentes para saber qual era a sua aplicação preferida: um em cada seis nomearam o Musical.ly como o favorito.

Em novembro de 2017, a gigante chinesa ByteDance comprou a aplicação por mil milhões de dólares. A empresa já tinha uma marca chamada Douyin, uma plataforma, lançada em 2016, que permitia partilhar vídeos, aquela que veio a fundir com a Musical.ly para, assim, fazer nascer o TikTok, que passou a estar disponível apenas para utilizadores fora da China (os deste país continuaram a usar a Douyin, plataforma mais controlada pela censura).

Os utilizadores mal repararam na mudança, uma vez que estes puderam manter as suas contas, conteúdos e seguidores — numa só noite, o banco de dados do Musical.ly passou a ser o banco de dados dos utilizadores do TikTok.

Quantas pessoas usam o TikTok? E qual é a média de idades?

É uma das aplicações com um crescimento mais rápido, com um número de utilizadores ativos que ultrapassa já os 500 milhões — apenas o Youtube, o Facebook e o Instagram estão à sua frente.

Na primeira metade de 2018, o TikTok tornou-se na aplicação mais descarregada na AppStore da Apple, estimando-se que 104 milhões de pessoas tenham feito o seu download, ultrapassando, neste tempo, o número de pessoas que adicionaram aos seus telefones o WhatsApp, Instagram ou Youtube. Em 2019, o TikTok foi a terceira aplicação mais descarregada, tendo apenas o Messenger e o WhatsApp à sua frente.

Segundo o MediaKix, 66% dos utilizadores têm menos de 30 anos, sendo que nos Estados Unidos, as faixas etárias que mais utilizam a app estão entre os 16 e 24 anos.

Os utilizadores são crianças e adolescentes. É seguro?

A aplicação é classificada para crianças maiores de 12 anos. Caso um utilizador se registe com uma idade inferior, a aplicação nega a sua entrada. A partir daqui, e até aos 18 anos, é necessário o consentimento dos pais para a sua utilização. Problema: basta introduzir uma idade permitida para aceder à aplicação, sem quaisquer obstáculos — ou seja, o sistema  não é suficientemente eficiente para garantir que miúdos mais novos não se registam e utilizem o TikTok. É isso: qualquer pessoa, independentemente da idade, acede, sem problema.

Top 5 Tik Tokers com mais seguidores

1. Lisa e Lena Mantler, 32.4 milhões de seguidores

2. Loren Gray, 30.1 milhões de seguidores

3. Baby Ariel, 29.3 milhões de seguidores

4. Kristen Hancher, 21.5 milhões de seguidores

5. Cameron Dallas , 17.9 milhões de seguidores

Sendo uma aplicação aberta ao mundo, há possibilidade de conteúdo adulto aparecer — sem esquecer a linguagem explicita de várias músicas. Além disto, a Bernardo’s, uma instituição inglesa de jovens em risco, emitiu um alerta dizendo que a app estaria a ser utilizada por predadores sexuais, que se aproveitavam desta rede social para incentivarem crianças a filmarem atos sexuais, através das caixas de comentários.

Em fevereiro de 2019, vários políticos indianos fizeram um ultimato à empresa que detém o TikTok: caso não fosse mais bem regulada e controlada, seria banida do país. Em causa estariam preocupações da mesma natureza: conteúdo sexualmente explicito, somando-se a este o cyberbullying.

A 3 de julho de 2018, o TikTok foi banido na Indonésia, depois de o governo ter acusado a aplicação de promover “pornografia, conteúdo inapropriado e blasfémia.” Na sequência disto, a aplicação prometeu destacar 20 pessoas para desempenhar a tarefa de controlo de conteúdo. Uma semana depois, várias alterações forem feitas à aplicação: remoção do conteúdo negativo, abertura de um escritório neste país e ainda a implementação de restrições de idade e mecanismos de segurança.

Como é que os pais podem controlar o que os miúdos publicam e veem?

Na app, estão disponíveis definições de privacidade, que permitem introduzir algumas restrições: é possível decidir se o perfil pode ser encontrado por outros utilizadores, se a conta (e respetivo conteúdo inserido) é privada ou público; assim como selecionar as pessoas que podem e não podem enviar mensagens ou deixar comentários. Somamos a isto, uma estratégia criada pela própria aplicação, que na página da app @tiktoktips, disponibiliza várias dicas para um controlo mais eficiente.

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. [email protected]